Resenha: Kataklysm – “Waiting For the End to Come” (relançamento)
Os canadenses do Kataklysm já carregam nas costas décadas de estrada, mas continuam a dividir opiniões dentro do death metal moderno. Com uma discografia marcada pela produtividade — e por altos e baixos igualmente notórios — o grupo lançou seu 11º álbum de estúdio em 2013, “Waiting for the End to Come”, que agora é relançado pela parceria Nuclear Blast e Shinigami Records, apostando na fórmula que ajudou a moldar sua identidade, mas sem escapar de velhos dilemas artísticos.
A abertura com “Fire” tenta estabelecer o clima com uma abordagem grandiosa, sustentada pela bateria incansável de Oli Beaudoin, que assume as baquetas temporariamente no lugar de Max Duhamel. O vocal de Maurizio Iacono surge cavernoso como de costume, guiando a faixa entre explosões de velocidade e passagens mais cadenciadas. A guitarra de Jean-François Dagenais, por sua vez, entrega riffs afiados, porém presos a um formato tão familiar que pouco distingue essa introdução de outras composições do álbum.
Essa sensação se repete em “If I Was God… I’d Burn It All”, que ensaia uma veia mais melódica, mas ainda assim carece de personalidade. O Kataklysm se mantém competente na execução, porém empacado em uma zona intermediária onde nunca soa brutal o suficiente para se destacar entre os gigantes do gênero, nem diverso o bastante para surpreender quem acompanha a banda desde os anos 90.
Ainda assim, entre repetições e estruturas previsíveis, surgem lampejos de algo mais contundente. “Like Animals” é o exemplo mais evidente: um momento onde o grupo finalmente acerta uma combinação envolvente de groove e agressividade, lembrando traços do metal dos anos 90 sem perder o peso contemporâneo. É a única faixa que realmente quebra o molde e aponta para um possível caminho futuro mais instigante.
Em contrapartida, músicas como “Under Lawless Skies” ou “The Darkest Days of Slumber” passam sem grande impacto, reforçando a impressão de que o disco funciona mais como um lançamento para fãs dedicados do que como uma obra capaz de reenergizar a trajetória da banda. Apesar disso, o ataque direto de “Empire of Dirt” deve agradar quem procura apenas agressão e velocidade sem maiores exigências.
No fim das contas, “Waiting for the End to Come” não compromete a reputação do Kataklysm, mas tampouco eleva seu nome a um novo patamar. É um trabalho sólido, pesado e bem executado, porém previsível — um álbum que confirma as virtudes e limitações de uma banda que parece confortável dentro de sua própria fórmula, mesmo que isso signifique abrir mão de ambições maiores.
NOTA: 7
