Max Cavalera diz que ainda “tedioso” escrever letras: “Parece lição de casa”

Em uma entrevista recente ao podcast Rock Daydream Nation, o veterano do metal Max Cavalera — ex-Sepultura e atual vocalista do Soulfly — afirmou que, mesmo após décadas de carreira, continuar escrevendo letras de músicas não é algo que ele goste de fazer.

Segundo Max, apesar de gostar de cantar as letras, o ato de escrevê-las “parece lição de casa” e é tedioso, sendo a parte menos prazerosa de todo o processo de criação de um álbum:

“Eu gosto de cantá-las. Eu gosto de cantar, especialmente ‘Chama’‘Chama’ é um disco em que voltei a me tocar no estúdio para realmente sentir as músicas. E mesmo que você se machuque, faz parte da experiência — se arranhar para sentir arrepios. E eu gosto de cantá-las. Gosto de cantar quando as pessoas escrevem algo, ou as letras. Neste álbum, meus filhos me ajudaram com as letras. E algumas das letras deles eram ótimas, incríveis, e eu realmente adorei cantá-las. Muitas vezes eu crio versos muito bons que eu realmente gosto. Mas, honestamente, sim, parece uma tarefa de casa. É tedioso. Não é a minha praia. Prefiro passar um tempo com minha guitarra, compondo riffs. É aí que eu realmente amo, é aí que eu realmente curto. Mas é um mal necessário. Você precisa das letras… Mas, honestamente, Sinceramente, falando com você, eu não gosto. É a parte que menos gosto em todo o processo de gravação de um disco; as letras são a minha parte menos favorita. E aí tem gente que adora. Como meu filho 
Igor — ele diz que venera as palavras. Ele é escritor, então ama as palavras.”


Colaboração familiar nas letras de Chama

Cavalera explicou que, no mais recente álbum do Soulfly, Chama, ele contou com a ajuda dos próprios filhos para a composição das letras. Ele elogiou algumas contribuições deles, dizendo que foram “incríveis” e que gostou de cantar esses trechos.

O músico também destacou que prefere passar seu tempo focado em onde realmente encontra prazer: escrever riffs e trabalhar com sua guitarra, parte em que se sente mais inspirado e conectado à essência do metal:

“Eu adoro quando você encontra algo que combina com a música, aí você vai cantar e fica perfeito. E você sabe, mesmo antes de tocar ao vivo, ‘Quando eu cantar isso ao vivo, as pessoas vão pirar. Elas vão amar. Vão cantar junto.’ É tipo… a gente chama de ‘ganchos’. Às vezes você precisa dos ganchos. São quase como cantigas de ninar, canções de ninar para crianças. Quanto mais simples, melhor. Para mim, músicas como ‘ Roots Bloody Roots’
são as mais simples [e as mais cativantes]… Eu até tentei refazer para ‘Eye For An Eye’. Tentei refazer, e às vezes essa mágica você só consegue capturar uma vez. Você pode tentar capturar de novo e não vai ser a mesma coisa que a original. A original é sempre a melhor, a maior de todas.”


Sobre Chama e a carreira atual do Soulfly

Chama — o décimo terceiro álbum do Soulfly — foi lançado em outubro de 2025 pela Nuclear Blast Records, reafirmando o compromisso de Max com o groove e a energia pesada que marcaram sua carreira desde os tempos de Sepultura.

A banda também fez uma turnê intitulada “Favela Dystopia” no outono de 2025 pelos Estados Unidos, com datas pelo oeste e centro-oeste do país, continuando a divulgar o disco e reforçando sua presença no cenário atual do metal.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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