Pink Floyd: 49 anos do lançamento de “Animals”

Há 49 anos, em 23 de janeiro de 1977, o Pink Floyd lançava “Animals“, o décimo álbum da discografia desta, que muito provavelmente é a banda mais engajada com as causas sociais, e que é tema do nosso bate-papo desta quarta-feira.

Após o lançamento do álbum anterior,  “Wish You Were Here“, o Pink Floyd comprou um prédio de três andares em Britannia Row. Com o final do contrato da banda com a EMI, eles promoveram uma reforma no edifício, transformando-o em um estúdio de gravação e em um armazém. As reformas duraram todo o ano de 1975 e em abril de 1976, eles se instalaram no local para começar a trabalhar no novo play.

Roger Waters praticamente compôs todo o álbum sozinho. David Gilmour pouco participou das gravações, pois sua filha primogênita havia nascido recentemente. Então, basicamente, ele só participou na faixa “Dogs“. Waters, por sua vez, fez críticas ao capitalismo e à sociedade britânica dos anos 1970, o que faz de “Animals” um disco aclamado por muitos até os dias atuais.

O baixista se inspirou em um livro chamado “A Revolução dos Bichos“, do autor George Orwell. Três animais são citados na obra: os cães, que representam os homens da lei, os porcos, que são os políticos corruptos e moralistas (parecidos com alguns atuais) e as ovelhas, que seguem um líder, tal como acontece hoje em dia. O livro se refere ao comunismo, e Waters diferenciou da leitura por fazer com quem na sua história, as ovelhas se rebelassem e dominem seus opressores. Lógico que quem defende o capitalismo como um sistema justo, vai considerar a obra uma viagem, mas, o Pink Floyd não foi feito para quem defende a desigualdade social.

A capa é muito lembrada pela icônica imagem de um porco inflável voando sobre uma usina termelétrica de Battersea, em Londres, foi idealizada por Roger Waters e colocada em prática por ele, em conjunto com Storm Thorgerson e a agência Hipgnosis, que sempre colaborou na arte gráfica dos álbuns do Pink Floyd. A banda usou a figura do porco inflável nos shows da turnê, e o próprio Roger Waters também fez uso do mesmo artifício, inclusive em sua turnê que passou pelo Brasil em 2023.

O processo de gravação foi bastante conturbado, muito em virtude da atitude centralizadora de Waters, o que gerou desconforto nos demais integrantes e levou o tecladista Richard Wright a sair da banda. “Animals” foi o primeiro álbum a não contar com nenhuma colaboração de Wright. A banda ficou entre os meses de abril e novembro de 1976 gravando o álbum, que foi produzido pelo próprio Pink Floyd.

Certa vez, Richard Wright falou de como foi difícil para ele o período em estúdio produzindo “Animals” e de como a relação com Roger Waters já não era boa. Aspas para ele:

“Animals foi um trabalho árduo. Não era um disco divertido de se fazer, mas isso foi quando Roger realmente começou a acreditar que era o único escritor da banda. Ele acreditava que era só por causa dele que a banda ainda estava unida, e obviamente, quando ele começou a desenvolver o seu ego, a pessoa com quem ele tinha conflitos era eu.”

Roger Waters correlacionou os protestos acontecidos no Reino Unido pouco antes do lançamento do álbum com a letra de “Sheep“. Contextualizando, a população estava indo às ruas protestar contra o difícil momento vivido pelas pessoas, o que acabou com uma reação desproporcional das forças policiais. Aspas para o baixista:

“A ‘Sheep’ era a impressão que eu tinha do que viria a acontecer na Inglaterra e aconteceu recentemente com os protestos na Inglaterra, em Brixton e Toxeth, e vai acontecer de novo. Sempre vai acontecer. Existem muitos de nós no mundo e tratamos mal uns aos outros. Ficamos obcecados com coisas – e não há coisas o suficiente, produtos. Se somos persuadidos de que é importante ter essas coisas – que não somos nada sem elas –e não há o suficiente delas, as pessoas sem essas coisas vão ficar com raiva.”

Dando play no álbum, “Animals“, temos 5 faixas, sendo três músicas, cada uma com mais de dez minutos de duração, além das duas vinhetas, “Pigs on the Wing“, que aparentemente não têm uma relação direta com a mensagem proposta no álbum, e são referências à esposa de Waters na época, Carolyne Christie. Nosso aniversariante tem um total de 41 minutos e as três extensas canções, “Dogs“, “Pigs (Three Different Ones)” e “Sheep“, se destacam por igual.

O álbum recebeu críticas majoritariamente positivas pela imprensa especializada, à exceção de uma resenha da Rolling Stone que desqualificou a mensagem passada pelo Pink Floyd. Talvez o rapaz em questão não tenha compreendido a banda. Ainda que “Wish You Were Here” e “The Wall“, anterior e sucessor, respectivamente, tenham feito maior sucesso comercial, “Animals” é notadamente o trabalho mais significativo da banda.

Nas paradas de sucesso, o álbum alcançou o Topo na França, Alemanha, Países Baixos, Itália, Nova Zelândia e Espanha; ficou em 2° na Áustria, Noruega e Reino Unido; 3° na “Billboard 200“, Austrália e Suécia, 12° no Canadá, e no ano passado, alcançou a 80ª posição na Grécia. Foi certificado com Disco de Ouro na Áustria, Brasil e Polônia; Platina na Dinamarca, França, Alemanha, Itália e Reino Unido; Duplo Platina no Canadá e Quádruplo Platina nos Estados Unidos.

A turnê se iniciou em Dortmund, no mesmo dia do lançamento do álbum, seguindo pelo Reino Unido em fevereiro e se estendeu pelos Estados Unidos entre os meses de março e julho de 1977. A turnê registrou recorde de procura por parte do público, o que gerou desconforto em David Gilmour, uma vez que o sucesso havia sido alcançado e, em tese, a banda não tinha mais nada a ansiar.

Roger Waters estava cada vez mais com os nervos a flor da pele. Não era raro vê-lo chegar sozinho aos locais das apresentações e também sair assim que os concertos terminavam. Em julho de 1977, durante uma apresentação no Estádio Olímpico de Montreal, no Canadá, Waters ficou irritado com os fãs que faziam barulho na primeira fila, e cuspiu nos inquietos. Ele se arrependeu do que fez, mas disse que o ocorrido fez com que ele desejasse ter um muro entre a banda e os fãs, o que virou tema para o próximo álbum, o aclamado “The Wall“.

Se o Pink Floyd hoje está em hiato e nada indica que esse status irá se modificar, principalmente em virtude do distanciamento de Roger Waters e David Gilmour, fica o legado destes gênios que usaram o Rock para pregar por uma sociedade mais justa e com igualdade para todos, ainda que essa igualdade seja utópica. O Pink Floyd é a banda que precisa ser ensinada na aula de iniciação do Rock, ainda que muitos achem besteira o que eles e alguns outros nos ensinaram sobre igualdade.

Animals – Pink Floyd
Data de lançamento – 21/01/1977
Gravadoras – Harvest/ Columbia

Faixas:
01 – Pigs on the Wing (Part I)
02 – Dogs
03 – Pigs (Three Different Ones)
04 – Sheep
05 – Pigs on the Wing (Part II)

Formação:

  • David Gilmour – guitarra/ vocal/ talk box
  • Roger Waters – baixo/ vocal/ violão
  • Nick Mason – bateria/ percussão
  • Richard Wright – teclado/ sintetizadores

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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