Há 16 anos, o Scorpions anunciava sua aposentadoria, que não se concretizou

Em 24 janeiro de 2010, o mundo do rock foi surpreendido por uma notícia que parecia definitiva: o Scorpions anunciou que iria se aposentar. Após mais de 45 anos de carreira, a banda alemã revelou que estava preparando seu último álbum de estúdio, Sting in the Tail, acompanhado de uma turnê mundial de despedida.

A declaração foi feita no site oficial da banda e rapidamente repercutiu entre fãs e veículos especializados. Para muitos, tratava-se do fim de uma das bandas mais longevas e bem-sucedidas da história do rock pesado. O comunicado dizia:

É sempre um prazer, nossa proposta de vida, nossa paixão e nós temos muita sorte de fazer música para vocês – seja ao vivo no palco ou criando novas músicas em estúdio.

Enquanto trabalhávamos no novo álbum nos últimos meses, nós literamente sentimos o quanto poderoso e criativo foi nosso trabalho – e quanta diversão nós ainda tivemos durante este processo. Mas também havia outra coisa: nós queremos terminar a extraordinária carreira do Scorpions no topo. Nós somos extremamente agradecidos pelo fato de que nós ainda temos a mesma paixão pela música que sempre tivemos desde o começo. É por isto que, especialmente agora, nós concordamos que alcançamos o final desta estrada. Nós terminamos nossa carreira com um álbum que consideramos ser um dos melhores que já gravamos e com uma turnê que começará em nossa casa, na Alemanha e que nos levará pelos cinco diferentes continentes nos próximos anos.

Nós queremos que vocês, nossos fãs, sejam os primeiros a saber desta decisão. Obrigado pelo interminável apoio por todos esses anos!

Nós disponibilizamos as primeiras “snippets” do nosso novo álbum para vocês.

E agora… vamos começar a festa e nos prepararmos para um “Sting in the Tail” (nome do novo album da banda a ser lançado em março)

Nos vemos na próxima turnê pelo mundo,

Scorpions”


O contexto da decisão

Na época, os integrantes deixaram claro que a decisão não estava ligada a conflitos internos, mas sim ao desejo de encerrar a carreira em alta, com energia e relevância. Klaus Meine, vocalista da banda, afirmou que o Scorpions queria evitar o desgaste comum a grupos que permanecem ativos por tempo demais.

A proposta era clara: lançar um álbum forte, revisitar os maiores sucessos em uma turnê global e se despedir do público de forma digna, celebrando a própria trajetória.


Sting in the Tail: o “último” disco

Lançado em março de 2010, Sting in the Tail foi apresentado como o canto do cisne do Scorpions. O disco recebeu críticas positivas e foi visto como um retorno às raízes mais diretas e pesadas da banda, remetendo ao hard rock clássico que marcou os anos 1980.

Faixas como “Raised on Rock”, “The Good Die Young” e “Rock Zone” reforçaram a ideia de que o grupo ainda tinha fôlego criativo, o que tornou o anúncio da aposentadoria ainda mais impactante.


A turnê de despedida

A turnê anunciada como final passou por diversos países e foi divulgada como a última chance de ver o Scorpions ao vivo. Shows lotados, clima de despedida e forte apelo emocional marcaram as apresentações, com o público encarando cada música como um adeus definitivo.

Clássicos como “Rock You Like a Hurricane”, “Still Loving You” e “Wind of Change” ganharam um peso simbólico ainda maior naquele momento.

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A aposentadoria que não se concretizou

Apesar do anúncio oficial, o que parecia um encerramento definitivo acabou se transformando em uma reavaliação de planos. Com o passar do tempo, a banda percebeu que ainda havia demanda, energia e vontade de seguir em frente.

Poucos anos depois, o Scorpions voltou atrás na decisão, retomou atividades em estúdio, lançou novos álbuns e manteve uma agenda ativa de shows — provando que a aposentadoria anunciada em 2010 foi menos um ponto final e mais uma vírgula na história do grupo.


Um anúncio histórico

Mesmo não se concretizando como planejado, o anúncio de aposentadoria do Scorpions em 2010 entrou para a história como um dos momentos mais simbólicos da banda. Ele marcou uma fase de reflexão, celebração do legado e renovação de propósito, reforçando a importância do grupo no rock mundial.

Mais do que uma despedida, aquele anúncio acabou servindo como um lembrete de que algumas bandas simplesmente não sabem — ou não conseguem — dizer adeus.

Foto: Carla Cristina

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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