“Velvet Revolver poderia ter sido tão grande quanto Guns N’ Roses” diz Matt Sorum

O Velvet Revolver foi uma grande promessa surgida no mundo do rock no começo dos anos 2000, principalmente aos fãs do Guns N’ Roses, que podiam ver unidos novamente Slash, Duff McKagan e Matt Sorum, algo naquela época sendo o mais próximo de verem o trio reunido. Se juntando a eles estava Scott Weiland no vocais e o guitarrista Dave Kushner.

A banda não teve uma vida ativa por muitos anos, ficando na ativa por menos de uma década, mas ainda assim, o baterista Matt Sorum crê que o grupo poderia ter sido tão grande quanto o Guns. Conversando com o Get On The Bus, o baterista relembrou o início do Velvet. Ele diz:

“Scott Weiland entrou para a banda e gravamos o álbum ‘Contraband’. E Scott era simplesmente um dos melhores. Foram tempos difíceis, no começo, mas valeu muito a pena. Havia muita droga e outras coisas. Eu tinha me livrado do vício. E todos os outros também, e passamos por todas as nossas cenas clichês de rock and roll; era tipo um ‘Behind The Music’ do VH1 . Todos nós tínhamos nos livrado do vício e fizemos um pacto de que faríamos isso. Naquela época, estávamos na casa dos quarenta, o que era muito velho. Foi tipo, ‘Caramba’. E as gravadoras não ligavam muito se fossem três caras do Guns N’ Roses . Elas diziam: ‘Quem é o vocalista e onde estão as músicas?'” E Weiland entrou. E eu me lembro que isso realmente deu um impulso à banda. Naquele momento, nos tornamos Velvet Revolver, e foi só alegria. Foi muito emocionante. E depois de todo o trabalho — trabalho duro — e eu digo isso para as pessoas, porque acho que muita gente olha para nós como se fôssemos um bando de caras que simplesmente acordam, tocam música e tudo acontece. É tipo, “Esses caras não trabalham”. Mas sim, foram tempos incríveis. Para mim, foi como se eu fosse o fundador da minha primeira banda. Obviamente, eu estava na outra banda, mas era uma banda nova, e tínhamos que nos reinventar. Nós realmente não podíamos ser o Guns N’ Roses . Não podíamos simplesmente nos acomodar com isso.”

Matt ainda falou sobre como o processo de composição no Velvet Revolver era diferente do Guns N’ Roses:

 “Criamos este álbum que era meio que um reflexo da época. Havia outras bandas muito grandes — Linkin Park — mas todos nós gostávamos de Queens of the Stone Age, e o Foo Fighters estava surgindo. Era um senso rítmico diferente. O ritmo não era aquela coisa retrô de rock and roll cheia de atitude. Era mais como um punk pulsante. Era um som bom para balada. E eu me lembro quando lançamos o primeiro single, ‘Slither’ , e tinha um riff meio à la Slash com aquele vocal meio ‘Sex Type Thing’ do Weiland, aquele tom monótono que ele fazia, que culminava num refrão grandioso. E fizemos o videoclipe certo. E tudo foi muito bem pensado quando definimos o que queríamos ser. E o nome do álbum, ‘Contraband’ — pronto, ‘Contraband’.” É tipo, toda essa merda — drogas, apetrechos — e isso era realmente um reflexo das nossas vidas. Era mais ou menos assim que éramos, de lá para cá. E, cara, se você assistir ao primeiro vídeo, verá que estávamos todos na melhor forma física das nossas vidas. Levamos muito a sério a questão de como iríamos competir. Nunca tínhamos falado sobre isso dessa forma, mas era algo que sabíamos. Era tipo: “Temos que ser os melhores que pudermos ser. Vamos com tudo.” E eu diria que a fome de vitória naquela época era exatamente a mesma de quando eu era criança. Vinte e cinco anos depois, era tipo: “Eu vou fazer isso. Todos nós vamos fazer isso.” E o álbum bombou. Quando começou a tocar no rádio, a cada hora na KROQ [estação de rádio de Los Angeles], eu pensava: “Ah, agora sim.” E decolou. E aí saímos em turnê como atração principal, com ingressos esgotados, tudo isso. Então, que comece o jogo. Foi emocionante.

Por fim, Matt Sorum disse lamentar o final precoce que a banda teve:

“O Velvet Revolver não era tão grande quanto o GN’R , mas poderia ter sido. Simplesmente não durou o suficiente. Acho que não tem a ver com o tamanho, na verdade. Você está tocando em uma arena e já é grande o suficiente… Mas para mim, provavelmente foi a melhor época, porque eu estava com a cabeça muito mais clara também. Eu tinha passado por muita coisa, todos nós tínhamos passado por muita coisa. Todos nós cometemos alguns erros. A outra banda tinha acabado. Nós realmente queríamos manter a banda unida. Infelizmente, acabamos caindo nos maus hábitos novamente, na mesma merda de sempre, e tudo desmoronou. Mas eu ainda reflito sobre aquele [período], especialmente sobre ganhar o Grammy . Nós nunca ganhamos um Grammy com o GN’R — nunca. Mas aquele foi um grande momento. Três indicações ao Grammy e então ganhamos um. E as pessoas dizem: ‘Ah, prêmios, tanto faz’. Mas eu não sei. É bom ganhar um.”

Após a separação da banda com Scott Weiland, o Velvet Revolver chegou a recrutar Corey Taylor do Slipknot para o posto e gravaram algumas demos, mas Slash achou melhor abandonar de vez o projeto e engavetar a banda.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

One thought on ““Velvet Revolver poderia ter sido tão grande quanto Guns N’ Roses” diz Matt Sorum

  • janeiro 26, 2026 em 3:52 pm
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    Scott Weiland tinha um vozerão, gostava da banda e tinha tudo para crescer mais ainda. Abraços!

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