Especial Bangers Open Air: Fear Factory e o peso da máquina de revolução industrial no metal

O Fear Factory é uma das maiores potências do metal surgidas na década de 1990. A banda ficou conhecida como uma dos principais nomes do metal industrial e também pela característica do seu peso, muito do uso da guitarra de sete cordas que Dino Cazares usa e abusa em suas composições, tornando as músicas da banda uma verdade máquina esmagadora sonora.

Os brasileiros tem uma data de reencontro com o Fear Factory este ano, onde a banda se aprenseta no festival Bangers Open Air, e caso você não conheça esse verdadeiro furacão sonoro, aqui vai um especial todinho sobre a revolução industrial do metal.

O nascimento de um som futurista

Formada em 1989 em Los Angeles, Califórnia, o Fear Factory surgiu inicialmente sob o nome Ulceration, criado pelo guitarrista Dino Cazares e pelo baterista Raymond Herrera. Em 1990 o grupo adotou o nome Fear the Factory, inspirado em uma fábrica observada perto de seu local de ensaio, e logo depois simplificou para Fear Factory.

A formação ganhou corpo com a entrada do vocalista Burton C. Bell, cujo estilo de mistura entre vocais guturais e limpos se tornaria característico da banda, e com o baixista Dave Gibney. Desde o início, eles combinaram elementos do death metal com influências industriais e futuristas, criando um som único que logo chamaria atenção na cena metal norte-americana.

O que eles começaram a criar ali foi um som mais moderno em resposta ao que vinha sendo feito até então, trazendo novas nuances ao som da guitarra e um trabalho de bumbo duplo na bateria que era cadenciado e quebrado ao mesmo tempo, se diferenciando da construção básica de outras bandas que trabalhavam com a música pesada naquele período. Os riffs criados por Dino Cazares tinham influência no thrash metal, mas ao mesmo tempo, ele começou a “desenhar” novas melodias que viriam a forma mais tarde em banda do nu-metal, podendo ser observadas principalmente no Korn e no Slipknot.

Primeiros discos e impacto na cena metálica

O primeiro álbum de estúdio, Soul of a New Machine (1992), marcou a estreia da banda no cenário mundial, apresentando uma abordagem crua e agressiva mesclada a texturas eletrônicas. Em 1993 veio o EP Fear Is the Mindkiller, com remixes que reforçaram a estética industrial futurista do grupo.

Este primeiro disco não chamou tanta atenção da mídia especializada como também do público, mas ainda assim, o lançamento rendeu bons shows onde o Fear Factory acompanhou bandas como o Sepultura, Biohazard, o Brutal Truth, entre outras, tornando o nome conhecido por onde passagem e mostrando que algo novo estava tomando forma, e que no futuro seria único.

Mas foi em 1995 com Demanufacture que o Fear Factory alcançou seu ápice criativo inicial. Considerado um marco do metal industrial, o álbum consolidou o estilo híbrido de riffs mecânicos, batidas precisas e temáticas distópicas que abordavam tecnologia, opressão e conflito entre homem e máquina.

Foi neste disco que a banda consolidou o que seria sua identidade, com uma espécie de som que misturava o metal tradicional a realmente algo que parecia uma engrenagem de uma indústria rolando. É daí que saem clássicos como “Replica“, presente até hoje nos shows, “Self Bias Resistor” e “Zero Signal“. Com o lançameto, o Fear Factory ganha turnês ao lado do Megadeth e o Black Sabbath e deslancha para o sucesso mundial.

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Nos anos seguintes, a banda explorou outras vertentes e expandiu sua discografia com títulos como Obsolete (1998). Se em Demanufacture o mundo conheceu o Fear Factory, em Obsolete o sucesso foi cravado e colocou a banda de vez nas prateleiras altas do metal mundial e os transformou em um grande fenomêno, com os holofotes voltados para eles. Ainda houve tempo para o fechamento da trilogia de sucesso com Digimortal (2001).

Altos, baixos e mudanças de formação

Após o lançamento de Digimortal, o Fear Factory passou por uma fase turbulenta e acabou se separando oficialmente em 2002, após divergências internas e desgaste natural da carreira. No entanto, em 2003 a banda se reuniu sem Dino Cazares, e lançou Archetype (2004) e posteriormente Transgression (2005), explorando uma sonoridade mais próxima do groove e nu metal.

Nesse período, a guitarra da banda ficou a cargo de Christian Olde Wolbers, e os discos não tiveram uma recepção muito grande como os trabalhos que os sucederam. Christian atribuiu isso ao fato do grupo se distanciar de um produtor na época desses registros, decidindo fazer as coisas por sua conta, mas não agradando tanto no resultado final.

A chama foi reacendida em 2009, quando Cazares voltou às fileiras da banda ao lado de Burton, com Byron Stroud no baixo e o veterano Gene Hoglan na bateria. Esse retorno culminou em Mechanize (2010) e em outros álbuns fortes como The Industrialist (2012) e Genexus (2015). Porém, mesmo com a dupla Cazares/Burton novamente reunida, as coisas não pareciam caminhar em conformidade e os trabalhos não tiveram uma repercussão tão calorosa quanto se esperava. Em estúdio, os dois trabalharam com uma variedade de músicos contratados o que pode não ter ajudado na dinâmica ali empreendida. Mas uma mudança mais drástica ainda rondava o Fear Factory e seria anunciada em breve.

O presente: nova fase e futuro

No início da década de 2020, o Fear Factory passou por uma das mudanças mais significativas de sua história: Burton C. Bell, voz emblemática do grupo por mais de três décadas, deixou a banda após desentendimentos internos.

O anúncio pegou a todos os fãs de surpresa, pois apenas um ano antes, o próprio Burton havia revelado que o Fear Factory trabalhava em novas músicas e que o disco teria o título de “Monolith“. No final de 2020, Cazares informou que alguns atrasos fizeram o disco ser adiado para 2021, e pouco mais de um mês após isto, Burton anunciou que estava deixando o Fear Factory devido a questões que “envolviam dinheiro, acusações e shows que já não se sustentavam mais.”

Mesmo com a saída de Burton, um novo disco com os seus vocais foi lançado, “Aggression Continuum“, que chegou a aparecer em listas de melhores do ano de sites e revistas renomadas do meio.

Dino Cazres prometeu que isso não seria o fim do Fear Factory e que uma nova era, renovada e diferente viria para a banda. Em 2023, após um processo de audições que envolveu mais de 300 candidatos, a banda anunciou o vocalista Milo Silvestro como seu novo frontman, trazendo uma nova energia a história da banda.

Foto: Bel Santos

Essa formação também inclui o baterista Pete Webber e o baixista Tony Campos, que mantém ainda o Static-X, ambos reforçando uma nova fase que já se materializa em preparação para um novo álbum de estúdio previsto para 2026 — o primeiro com Silvestro nos vocais — e em turnês que celebram a história do grupo, incluindo a execução de clássicos.

Legado e influência no metal

Ao longo de mais de três décadas, o Fear Factory não apenas abriu caminho para o metal industrial, mas também influenciou inúmeras bandas ao explorar a fusão entre a agressividade do metal extremo com estética futurista e eletrônica. O Brasil já presenciou o Fear Factory em sua atual formação, e agora chegou a hora de nos reencontrarmos com um dos maiores nomes do metal industrial> https://www.clubedoingresso.com/evento/bangersopenairbrasil2026

Foto Destaque: Bel Santos

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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