A pequena cidade do sul de Minas que foi o local em que Max Cavalera decidiu formar o Sepultura
Max Cavalera e o irmão, Iggor, começaram muito cedo no mundo do heavy metal e decidiram ainda também muito cedo que queriam trilhar aquele caminho e ter a sua própria banda.
Durante uma conversa com o Chaozine, Max falou sobre como a chave foi virada e uma banda foi responsável por ele tomar esse decisão. Ele fala sobre a cidade de Lambari, com pouco mais de 20 mil habitantes, situada no Sul de Minas, próxima a Varginha, que sediou por anos o festival Roça N’ Roll e onde ele assistiu ao show do Dorsal Atlântica, que o fez se apaixonar de imediato pelo metal e saber que aquele era seu destino. Ele diz conforme transcrito pelo Confere Rock:
Só para contextualizar: a gente assistiu a uma banda brasileira chamada Dorsal Atlântica tocando no nosso estado, em uma cidade pequena chamada Lambari. Fomos a esse show, e ele foi um grande impacto para nós, porque vimos uma banda brasileira soando como o Venom. E pensamos: “Uau, os brasileiros conseguem fazer isso. Por que a gente não pode fazer também? Se eles conseguem, a gente também consegue”.
Em seu livro “My Bloody Roots“, Max Cavalera já havia falado sobre o momento. Ele diz:
Fomos a um show numa cidade chamada Lambari, a cerca de oito horas de Belo Horizonte. Era um festival com várias atrações pop, mas a última banda a se apresentar seria a Dorsal Atlântica, um trio de metal do Rio de Janeiro. Eles eram brutais — um power trio no estilo do Venom. Soavam como o Venom e também tinham uma estética parecida: maquiagem preta nos olhos, cintos de bala, roupas cheias de spikes.
A primeira coisa que o vocalista disse ao pegar o microfone foi: “Somos o Dorsal, do Rio. Se não gostarem da gente, vão tomar no cu! E foda-se Deus!” A gente pensou: “Uau! Que porra é essa? Que loucura!”
Quando o show começou, alguns caras na frente do palco ficaram mostrando o dedo do meio para a banda. O vocalista respondeu na hora:
“Quero ver você, você e você lá no estacionamento. Vou ficar esperando. Vamos cair na porrada!” Eu pensei: “Esse cara é foda!”A música era um metal superacelerado, na linha do Venom. Eu mal conseguia acreditar no que tinha acabado de ver.Durante todo o caminho de volta, conversei com Iggor:
“Precisamos montar uma banda. Você viu aqueles caras? Eles são daqui e tocam desse jeito. Então a gente também pode. Temos que fazer isso!”O Iggor já era baterista. Tocava na colônia de férias e também quando a gente ia aos estádios de futebol. Na verdade, ele já era um grande baterista — só não tinha uma bateria ainda.
Coincidentemente, Lambari é a cidade que este que vos escreve mora e o show que Max cita foi um fato que rende lendas até hoje. O Dorsal foi uma das atrações do festival chamado Rock das Gerais, primeiro evento de rock feito na cidade, por volta de meados dos anos 1980. O evento contou com bandas de poprock, incluindo um embrião do que viria a ser o Skank no futuro. Reza a lenda que na ocasião, moradores ficaram assustados com o fluxo de pessoas vestidas de preto, com cabelos grades e braceletes de espinho. Ainda há uma lenda que no domingo seguinte ao sábado do evento, o padre chegou a celebrar uma missa no intuito de “varrer” a energia demoníaca que as pessoas e o evento haviam deixado para trás.
