Randy Blythe do Lamb of God dá resposta a quem acha que política e música não se misturam: “vão se f*der”
Desde algum tempo, após a polarização da política tomar conta das redes sociais e a maioria das pessoas se degladiarem por seu “herói” favorito, a máxima “rock não se mistura com política” tem ganhado força por parte de alguns seguidores que detratam o tema, principalmente quando o músico para para um viés de raciocínio diferente do seu.
Mais recentemente, algumas pessoas descobriram que o Lamb of God tem esse nome justamente por uma irônia e que trata sobre política em diversas letras de seus discos, e seu vocalista, Randy Blythe, já comentou sobre o tema diversas vezes enquanto ainda tinha redes sociais. Ainda que alguns de seus seguidores achasse isso errado de sua parte, em entrevista a Kerrang! deu um recado aos que o criticam por seus pensamentos.
Durante a conversa, ele foi questionado sobre o que acha de pessoas que dizem ser algo errado misturas os temas. Ele então diz:
Para essas pessoas, eu digo: ‘Vão se foder’.” Sou cidadão americano e viajante do mundo. Mais do que isso, sou um ser humano. Não sou nenhum palhaço para o seu entretenimento. Se você tem um mínimo de senso moral, é irresponsável não exercer o seu direito de se manifestar. Se as pessoas estão dispostas a compartimentalizar algo como uma rede de tráfico sexual infantil porque acham que isso pode melhorar suas contas bancárias, elas perderam uma parte da sua humanidade. Perderam uma parte essencial do que significa ser um ser humano íntegro. Nesse ponto, é hora de parar, reavaliar e repensar. Você não vai poder levar seu dinheiro para o túmulo, seu filho da puta, mas vai poder levar consigo a lembrança de ter concordado em silêncio com pessoas que acobertaram predadores sexuais de crianças. Como você vai se sentir em relação a isso no seu leito de morte?
Apesar do caos que o mundo enfrente hoje com enfrentamentos em diversos locais, Randy ainda enxerga com esperança um futuro melhor:
“Existe um lado apocalíptico na minha natureza. Admito isso, e muitas das nossas letras refletem isso. Preciso me controlar nesse aspecto. Preciso reconhecer que essa possibilidade existe. Mas não preciso glorificá-la. É normal prestar atenção ao que está acontecendo e se preocupar, mas é preciso fazer o possível para mudar a situação. Os cidadãos comuns em uma democracia funcional têm o direito de votar e não podem se tornar apáticos. Tenho muitos problemas com o nosso sistema americano. Há coisas arcaicas, como o colégio eleitoral, que deveria ser abolido. Mas esse é o único sistema que temos agora. E se eu não me envolver e fizer o possível para ser uma força para mudanças positivas, estarei abdicando da minha responsabilidade e entregando o pouco controle que tenho — minha autonomia — para outra pessoa.”
E finaliza:
“No geral, vejo essa atitude fatalista e derrotista nas pessoas, e isso me desanima. Tipo, ‘Ah, não faz diferença…’ Bem, você tem razão, porque se você não fizer nada, não fará diferença nenhuma”, explicou ele. “Então, por favor, vá votar e faça o que puder. Eu não entendo de política no Reino Unido, mas sei que você precisa votar. Não seja um preguiçoso apático e fique reclamando quando tudo der errado.”
O Lamb of God se prepara para lançar o seu novo disco de estúdio, “Oblivion“, que chega no dia 13 de março, pela Epic.

Se misturam sim e o rock serve de porta voz para determinados questionamentos políticos. Não dá para fazer shows enquanto está rolando guerras, politicagem e um presidente que viaja mais do que governa. O mundo só tá lindo para quem curte carnaval enquanto do outro lado da cidade, o até na mesma cidade tem pessoas sofrendo com alagamentos, assaltos e corrupção. A nossa sociedade é cheia de hipócritas, ¨cegos¨e de falsa política que não pensam em mudar essas leis fracas que protegem mais o bandido do que a pessoa que trabalha e paga impostos. Falta de leis mais fortes, estamos a mercê da sorte. Abraços!