Edu Falaschi fala como meme “Falasquito” pesou em sua vida
Para quem viveu o período de popularização do Facebook e o nascimento do que viria a ser conhecido como meme, e que em paralelo acontecia o rompimento do Angra com Edu Falaschi, certamente deve se lembrar o vídeo intitulado “Falasquito”.
A gravação é uma paródia da música “Dominique“, gravada por Jeannine Deckers, conhecida como “Irmã Sorriso” e originalmente lançada no início dos anos 60. Na versão em português, a letra falava de problemas na voz de Edu e de conflitos que ele tinha com outros membros do Angra.
Em conversa com Rafael Bittencourt no Amplifica, Edu relembrou como o meme não foi engraçado para ele, devido ao momento pelo qual ele passava com sua saída do Angra e os problemas em sua voz. Ele diz conforme transcrito pelo Confere Rock:
É, cara, esse é um meme muito maldoso.
Quando eu fiquei doente mesmo, comecei a ficar mal de verdade, aí começaram… o YouTube meio que explodiu naquela época, né? E, por azar, coincidiu com isso. Teve um cara, eu sei quem é, mas não estou lembrando o nome agora. Ele tinha um cover do Bon Jovi. Me indicaram: “Ó, é esse cara aqui que está te zoando, vai lá ver”. O sobrenome era Titilini, não lembro direito, Luciano Titilini, Fabrício Titilini, não sei. E esse cara fez uma musiquinha me zoando, falando da doença. Só que a letra era pesada, bem ruim mesmo.
E aí ele soltou isso, virou meme na internet. Ele falava “Falasquito” e tal, e acabou virando essa música. Só que ele fez essa versão me denegrindo, obviamente. E a letra era bem ruim, não é uma coisa que eu goste de lembrar, porque envolvia minha família, sabe? Era uma situação que eu estava sofrendo pra caramba, uma doença que eu nem sabia direito o que era no começo. Então era depressão, tristeza, mágoa… um monte de coisa.
Edu continua:
Aquilo me deixou muito triste na época. E acabou viralizando, porque tudo que é ruim viraliza muito. Aí o tempo passou, já faz muitos anos, mas talvez, se eu não estivesse num momento de fragilidade, nem teria ligado. Mas pegou, claro, pegou em cheio.
Rafael Bittencourt então fala sobre a situação e vê as coisas mais pelo lado de Falaschi e o que ele enfrentava naquele período:
Às vezes o cara nem tem noção da maldade, né? Talvez ele nem imagine que aquilo está atingindo algo muito pessoal. Ele pega uma pequena parte sua, dos seus dramas, das suas emoções, e não sabe o estrago que pode causar. Muito dessa dor vem disso, de você virar uma figura pública e ver seu nome sendo comentado pelos próprios fãs. Isso magoa, porque, seja por interpretação errada ou por engajamento em alguma narrativa, machuca demais.
Você passa a vida construindo uma relação com os fãs, criando confiança, um canal direto, que é fundamental para o trabalho. E, se esse canal é destruído, você está destruindo o seu ganha-pão. Às vezes é o próprio comportamento coletivo, o ser humano funcionando como uma colônia, como abelha, como formiga. E, como grupo, acaba fazendo coisas muito ruins. A internet amplificou muito isso, porque deixa de ser o indivíduo e vira um movimento coletivo, que se espalha sem controle, sem saber onde vai parar.
Edu Falaschi e Rafael Bittencourt estarão juntos mais uma vez no Angra durante um show especial de reunião no Bangers Open Air, onde a banda é headliner do festival no domingo, encerrando a edição de 2026. Posteriormente, eles tocam no Espaço Unimed.
Foto: André Tedim
