Lynyrd Skynyrd traz o clássico ao Monsters of Rock e honra legado
Co-headliner do Monsters of Rock, o Lynyrd Skynyrd mostrou por que permanece como uma das maiores entidades do southern rock mundial. Mesmo sem contar com integrantes da formação original, a banda sustenta um espetáculo robusto que honra um legado construído ao longo de mais de cinco décadas. O peso histórico do nome, aliado à força de um repertório clássico, foi suficiente para transformar a apresentação em um dos momentos mais aguardados do dia.
Com o palco pronto e o Allianz Parque completamente tomado pelo público, as primeiras notas de “Workin’ for MCA” deram início ao show com uma recepção bastante calorosa. Desde os primeiros acordes, ficou evidente que a plateia estava disposta a cantar cada verso. O clima era de celebração coletiva, com fãs de diferentes gerações reunidos para testemunhar canções que atravessaram o tempo e se tornaram pilares do rock sulista com uma das, se não a, principal banda do estilo.

Ao longo da apresentação, o grupo entregou um set consistente, repleto de momentos de conexão com os fãs. Em “I Need You”, o vocalista Johnny Van Zant dedicou a música às mulheres presentes, gesto que foi recebido com entusiasmo. Já “Saturday Night Special”, com sua pegada blueseira, funcionou como um dos pontos altos, arrancando um dos refrões mais cantados da noite e mostrando o quanto o repertório da banda permanece vivo no imaginário.
O primeiro momento verdadeiramente apoteótico veio com “Tuesday’s Gone”. A execução foi dedicada ao guitarrista Gary Rossington, último membro original da banda, falecido em 2023. O telão exibiu imagens do músico enquanto uma mensagem de homenagem aparecia, criando um clima de homenagem emotivo. O público respondeu com punhos erguidos e celulares iluminando o estádio. A interpretação ganhou contornos ainda mais sensíveis com o piano de Peter Keys.


Na sequência, um dos momentos mais aguardados finalmente chegou. “Simple Man” transformou o estádio em um grande coro coletivo. O Allianz Parque tornou-se uma unidade, com milhares de vozes acompanhando cada verso enquanto as luzes dos celulares criavam um efeito visual marcante. Para coroar a atmosfera, a bandeira do Brasil surgiu nos telões, reforçando a conexão entre banda e público em um instante de forte impacto emocional.

Representando a essência do southern rock, “Sweet Home Alabama” surgiu como outro ápice da apresentação. A clássica faixa foi recebida com entusiasmo imediato, tornando-se um daqueles momentos que justificam a experiência ao vivo. O refrão, cantado em uníssono, ecoou pelo estádio e reafirmou a força atemporal da canção.
O bis trouxe uma sequência carregada de simbolismo. Imagens de antigos integrantes do Lynyrd Skynyrd surgiram nos telões enquanto os primeiros acordes de “Free Bird” começavam a soar. Johnny Van Zant empunhou o tradicional pedestal de microfone, agora adornado com bandeiras dos Estados Unidos e do Brasil. Ele posicionou um chapéu no pedestal enquanto imagens de Ronnie Van Zant apareciam “cantando” um trecho da faixa.

A apoteose final veio com um recurso simples, porém eficaz: um globo espelhado ao estilo das discotecas dos anos 1970 desceu do alto do palco, espalhando luzes coloridas por todo o estádio durante o longo solo da música. O efeito visual que se espalhou pelo local e nas mais de 40 mil pessoas presentes foi um encerramento digno de gigantes.
Mesmo sem integrantes da formação clássica, o Lynyrd Skynyrd demonstrou que seu legado permanece intacto. A força das composições, aliada a uma execução segura e carregada de respeito à própria história, transformou o show em uma celebração do southern rock. Mais do que uma simples apresentação, a banda entregou um espetáculo que reafirma sua relevância e prova que, mesmo após mais de 50 anos, suas canções continuam unindo gerações em torno de um repertório que se tornou patrimônio do rock e ao mesmo tempo que se homenageia, faz faz tributo também ao seu público que se mantém fiel.
Foto: Ricardo Matsukawa


