Black Label Society faz show poderoso no setlist e emocionante nas homenagens a Ozzy e aos Abbott no Bangers Open Air

Foto: André Tedim

O lado direito da pista e do lounge do Bangers Open Air, ambos voltados para o Hot Stage, ficaram muito lotados no final da tarde do último sábado (24), mostrando o tamanho da expectativa e da fanbase do Black Label Society em sua volta ao Brasil depois de três anos e meio, o que já era visto até mesmo antes da apresentação pela quantidade de pessoas com coletes e vestimentas da banda ou de outros símbolos relacionados ao grupo liderado por Zakk Wylde.

O show teve alta carga visceral no setlist, apesar do baixo volume das guitarras em boa parte do tempo, assim como contou com importantes e emocionantes tributos para amigos de Zakk que já se foram: os irmãos Abbott, Dimebag Darrell (1966 – 2004) e Vinnie Paul (1964 – 2018), e Ozzy Osbourne (1948 – 2025), principal mentor da carreira do guitarrista e vocalista, homenageado por duas vezes.

Iniciado às 17h50, conforme previsto, a apresentação do Black Label Society veio com uma breve introdução de “Whole Lotta Sabbath”, um mashup do canal do YouTube Wax Audio usado há anos, desta forma, pela banda. No palco, havia as placas laterais de divulgação do mais recente álbum da banda, “Engines of Demolition”, lançado no último dia 27 de março, além de um tripé coberto de caveiras ao longo da perna de base e, no suporte diagonal, com o crucifixo de Jesus Cristo.

A euforia dos fãs foi instantânea com a entrada de Jeff Fabb (bateria), John DeServio (baixo), Dario Lorina (guitarra) e Zakk Wylde (guitarra e vocal). Logo eles iniciaram “Funeral Bell”, primeira das 14 músicas do fim de tarde e início de noite que, mesmo com o baixíssimo volume das guitarras, não impediu que o público cantasse a letra junto à banda. “Name In Blood”, do álbum novo, veio em seguida com o Heavy Metal característico do quarteto e com ótimos solos de Zakk, mesmo com a persistência do problema de volume.

Destroy & Conquer” foi a terceira música da noite que contou com uma influência “sabbathiana” na sonoridade, assim como foi a primeira grande demonstração da sinergia que Zakk e Dario têm e sabem demonstrar em diversas partes de suas apresentações, ao dividirem solos. A obscuridade sonora seguiu com “A Love Unreal”, em ritmo um pouco mais lento e letra focada em uma estranha idealização amorosa, e se converteu para uma reflexão à perda de humanidade em “Heart of Darkness”, de ótimo riff que contou com certos coros dos fãs.

A primeira grande homenagem para Ozzy Osbourne, com quem Zakk tocou na banda de carreira solo por diversas vezes ao longo de 38 anos, veio com um cover de “No More Tears” que animou ainda mais a galera, fazendo cantar e vibrar a cada momento da faixa, além de gritar o nome do madman repetidamente ao final, com ou sem os tradicionais “olê, olês” dos brasileiros.

Mesmo com a performance agitada da faixa anterior, digna para um clássico do Metal, e de uma rodada de lançamento de camisetas da parte de Zakk, o show partiu para um momento mais melancólico com “In This River”, feita originalmente em tributo a Dimebag Darrell, morto em 2004 em um show do Damageplan, e agregada também como uma homenagem a Vinnie Paul, que faleceu em 2018 após um infarto fulminante enquanto dormia. A foto dos irmãos fundadores do Pantera apareceu no telão central na faixa, enquanto Zakk foi para o piano pela primeira vez naquela noite e contou com ótimo solo de Dario. Parecia um Zakk com uma voz minimamente embargada naquele momento, o que seria mais evidente na reta final. Ele ainda finalizou reforçando que todos ali amavam os Abbott.

A banda retomou em seus postos com “The Blessed Hellride” e um bom uso do fim da faixa, por parte de Zakk Wylde, para um solo elaborado do que é comum na faixa de estúdio, com notas rápidas e distorcidas em uma guitarra de dois braços, além de uma saudação aos céus no final. Já a dinâmica com Dario Lorina voltou à tona com “Set You Free”, com ambos fazendo bons solos no meio da faixa.

Houve, ainda, uma dobradinha do álbum “Mafia” (2005) com “Fire It Up” e “Suicide Messiah”. A primeira citada teve apoio do público com o coro em cima das notas iniciais distorcidas, ecoadas até mesmo antes de elas serem inicialmente tocadas; além de uma sequência de ótimos solos de guitarra somente com Zakk, em uma das laterais do palco, ou junto a Dario, no centro dele, trocando shreds e até mesmo executando tais solos com as guitarras por trás da cabeça, em momento aclamado pelos fãs. Já a segunda faixa mencionada seguiu com as manobras de Zakk com a guitarra acima da cabeça e apontada para o céu, parando apenas quando a letra da faixa começou, e tendo mais solos ao final que levaram à admiração das duas pistas. Uma pena que não houve um aumento do volume das guitarras da dupla, pois traria ainda mais impacto.

Passado o momento mais avassalador, veio o pico mais emocionante da noite, seja para o público presente no Bangers Open Air, seja para a banda e, especificamente, para Zakk Wylde. “Ozzy’s Song”, composta após a partida do madman e presente no último álbum do Black Label Society, foi executada com imagens de Ozzy no telão, que ficaram até o fim do show, e com Zakk novamente no piano, desta vez com uma percepção de que sua voz estava mais embargada, talvez segurando as emoções e honrando o trecho The skies may cry / But I’ll be holding on” (“Os céus podem chorar / mas eu vou me segurar”). Houve, em seguida, uma espécie de Jam dos músicos, com viradas de DeServio e sequências de solos entre Zakk e Dario.

Stillborn”, um dos maiores sucessos do Black Label Society e que tem backing vocal de Ozzy na versão de estúdio, veio para fechar o show e entregar a noite para a próxima atração. Provavelmente foi o melhor momento em relação ao volume das guitarras, o que melhorou ainda mais o fim de um show que foi poderoso em sua seleção de faixas, impecável quanto ao que se esperava – principalmente na sinergia da dupla de guitarristas – e, principalmente, emocionante em suas homenagens.

Setlist

Intro: Whole Lotta Sabbath (mashup do canal Wax Audio, no YouTube)

  1. Funeral Bell
  2. Name in Blood
  3. Destroy & Conquer
  4. A Love Unreal
  5. Heart of Darkness
  6. No More Tears (cover de Ozzy Osbourne)
  7. In This River (dedicado a Vinnie Paul e Dimebag Darrell)
  8. The Blessed Hellride
  9. Set You Free
  10. Fire It Up
  11. Suicide Messiah
  12. Ozzy’s Song (dedicado a Ozzy Osbourne)
  13. Jam instrumental
  14. Stillborn

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