Ricardo Confessori diz que sucesso do Shaman os tornou “mercenários”
Em nova participação no Ibagenscast, Ricardo Confessori falou sobre o sucesso financeiro de sua carreira. Ele foi questionado por um seguidor do canal, se o dinheiro que ganhava no Angra era o suficiente para manter ele e os outros integrantes vivendo só da banda. Ele então responde, conforme transcrito pelo Confere Rock:
No Angra, no começo foi difícil, né? Porque a grana entrava, mas a grana saía muito rápido! Às vezes não dava tempo de a gente pôr a mão na grana.
Então… nessa época, assim, eu sempre me virei com aula, né? Sempre dei aula pra caramba. Até uns 10 anos atrás, mais ou menos — 10, 12 anos atrás — eu dei aula, aí eu parei. Mas sempre dei aula, sempre. Mas com o Shaman, assim, dava pra viver tranquilamente da banda. O Shaman… o dinheiro não ia pra uns caminhos obscuros. Aí ficava tranquilo. Com o Shaman dava pra viver que nem rico, quase.
Foram uns cinco anos vivendo bem, assim, tocando bastante. A gente nem parava mais a turnê pra compor disco, ia compondo e fazendo show.
Ricardo então fala sobre como devido a agenda de shows do Shaman, o segundo disco, “Reason“, foi feito inteiramente na estrada:
O “Reason”, ele foi composto na estrada, né? A gente foi pra aquela agência produtora, que era uma agência grande de shows, que era do irmão do Nasi, do Ira!, né? O irmão Valadão. E, cara, os caras só empresariavam… vamos falar: Jorge Ben Jor, Arnaldo Baptista… na época, assim, os caras estavam grandes. E, tipo assim, o cara botou a gente pra tocar em lugares que a gente nem imaginava: prefeituras, festa de prefeitura. Fora… eu nunca tinha feito dois shows no Rio de Janeiro. O cara falava: “Não, vocês vão fazer três shows”. Tipo: um na Zona Sul, um na Barra e outro na Zona Norte.
Confessori então fala sobre altos ganhos de lucro no Shaman, que eram o equivalente a uma banda de grande renome do rock nacional:
Talvez não tanto quanto um Charlie Brown Jr., um Raimundos… não chegava a ser isso, não. Mas, assim… meu, a gente foi tocar em festivais com sertanejo. A gente foi tocar no Go Music, que até a Sandy & Junior estavam lá no mesmo palco, só que antes, assim. Festa sertaneja…
Meio que parecido com o que rolou com a banda Malta depois, né? Porque o Malta era rock, mas acabou pegando carona no sertanejo, no pop. E o pessoal meio que achava que era similar.
E aí, quando a gente quebrou essa barreira, fez esse crossover, começou a ter muito mais show — em lugares muito esquisitos, né? Que a gente nunca tinha pisado.
Confessori então fala sobre o Shaman não ter feito turnê fora do Brasil e como o dinheiro estava indo bem dentro do país:
Mas, assim, pensando na longevidade da carreira da banda… porque quando esfriasse aqui, podia ir pra lá; quando esfriasse lá, voltava pra cá. Quanto mais mercados você tem pra explorar, melhor. Mas, cara… era aqui que a grana entrava, entendeu? A gente meio que ficou um pouco mercenário, vamos falar a verdade.
A gente ficou meio mercenário porque a gente nunca tinha visto entrar dinheiro assim… fácil, né? Fácil não, mas… você entende. Então, tipo assim: já que o Angra já está lá fora, não vamos brigar lá… e a gente briga aqui, que a gente está na frente. Esse era o raciocínio.
