Amilcar Christofaro tem celular e cartão roubados na saída do show do AC/DC após comprar “cerveja batizada”

Ir ao show da sua banda favorita é uma experiência surreal e que vai ficar na sua memória durante toda a sua vida. Para Amilcar Christofaro, baterista do Torture Squad, o último show da passagem do AC/DC pelo Brasil, que aconteceu na última quarta-feira, seria um desses, mas que acabou sendo marcado por uma situação bastante desagradável.

O músico relatou ter tido o cartão de crédito e seu celular roubados na saída do show, após ficar desacordado por horas depois que comprou uma cerveja com um vendedor ambulante na saída do evento. Ele relata como estava inicialmente feliz por estar vendo a banda, conforme contou em um vídeo nas redes sociais e transcrito pelo Confere Rock:

“Na quarta-feira, saindo do show do AC/DC, eu tive meu celular e meu cartão de crédito roubados. E como foi isso? Bom, começando: eu estava no show, e o show do AC/DC para mim foi muito mágico. Desde o primeiro acorde, desde a primeira vez que vi o Angus Young e o Brian Johnson, até a finalização com “For Those About to Rock”, eu estava em outro lugar. O show foi mágico.

Cada música me fazia associar alguma coisa. Eu não estava acreditando que estava vendo o Angus Young e o Brian Johnson ao vivo. Vieram muitas lembranças. Eu fui no AC/DC em 1996, na turnê do Ballbreaker. Depois, na turnê do Black Ice, eu não consegui entrar. Minha lembrança do Black Ice foi levar 100 reais no bolso, tentar entrar no show e não conseguir. Fui embora escutando os estampidos de “For Those About to Rock” ao longe, triste.

E dessa vez, aos 48 do segundo tempo, eu consegui ir ao show. Eu até estava evitando escutar AC/DC para não ficar triste. Eu simplesmente fiquei maravilhado. A cada música eu fazia uma associação. Ver “Jailbreak” ao vivo, que eu nunca tinha visto. Quantas vezes eu assisti esse clipe. Ver o sino de “Hells Bells”, pensando que em todo show eles também relembram a memória do Bon Scott. “For Those About to Rock” encerrando o show, celebrando os roqueiros, os fãs da banda. Ver o Angus não tirar a guitarra e ficar mais de 10 minutos fazendo solo, quase no final do show, com 70 anos de idade. Então cada coisa foi construindo em mim algo tão mágico, tão maravilhoso, que eu realmente saí maravilhado. Eu saí em outro mundo.

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Na sequência, ele relata o fato que aconteceu na saída:

“Depois, refletindo sobre o que aconteceu, percebi que realmente me descolei da realidade. Eu estava flutuando, foi exatamente o que senti vendo o estádio inteiro com os chifrinhos, vendo 70%, 80% do estádio naquele clima. Tudo isso me fez ficar maravilhado, me fez flutuar em um mundo mágico. Me senti abençoado, como se tivesse carregado as baterias para mais 50 anos de vida. Saí do show com essa vibe. A primeira coisa que pensei foi: “Quero comprar um chifrinho para colocar no pub da escola, no Bateras Beat Pinheiros, como lembrança”.

Eu saí do estádio. Como sempre faço, deixo o carro cerca de 1,5 km ou quase 2 km antes, porque fica muito tumulto. Então faço um mapa mental até chegar ao carro. Saí do estádio e pensei: “Vou comprar uma cerveja para ir tomando até o carro”. Quando parei na frente de uma caixa de isopor de um rapaz vendendo cerveja, pedi uma cerveja. Mas na calçada ao lado vi alguém vendendo bandeiras e chifrinhos. Falei: “Pô, vou ali ver quanto está”. Fui ver. Nisso passou um tempo e o cara veio me entregar a cerveja. Quando peguei a cerveja, senti que ela estava cheia, gelada, mas estava aberta. E aí está o problema: eu estava em um êxtase tão grande que nem parei para pensar que algo poderia acontecer. Normalmente a gente até estranha quando recebe uma cerveja aberta. Mas eu estava realmente descolado da realidade, de tão mágico que foi o show. Nunca passou pela minha cabeça que algo ruim pudesse acontecer. Então eu não reclamei. A cerveja estava gelada, cheia, parecia nova. Dei o primeiro gole e continuei falando sobre o chifrinho para comprar. E eu não lembro do segundo gole.

Depois desse primeiro gole, de alguma forma eu desacordei, desmaiei. Colocaram algo muito forte na cerveja. Batizaram a cerveja com alguma coisa. Eu fiquei desacordado por quatro horas na calçada de uma rua ao redor do Morumbi. Obviamente, nesse tempo os caras tiveram liberdade total para roubar meu celular, o carregador e pegar minha carteira para levar o cartão de crédito. Fiquei quatro horas desacordado. Tenho flashes dessas quatro horas, como se fossem cenas de filme. Pessoas tentando me ajudar, eu tentando me arrastar, ouvindo vozes, alguém tentando me levantar. Mas tem uma parte da mente que quer acordar e outra que não deixa. Com certeza por causa do efeito da substância que colocaram na cerveja.

Amilcar contou ainda como foi recobrar a consciência e notar que tinha sido roubado:

Eu acordei por volta de 4h40 da manhã, numa calçada de uma rua próxima ao hospital Albert Einstein, que serviu como referência para eu voltar até onde estava o carro. De alguma forma minha mente me levou até lá, mas eu não lembro como cheguei. Quando acordei, percebi que estava sem celular, sem carregador e sem o cartão de crédito. Mas ainda estava com a chave do carro. Aos poucos fui voltando à consciência, consegui chegar ao carro e fui embora para casa.

Por fim, o músico deixa um alerta:

O objetivo desse vídeo é trazer um alerta. A gente pode estar como eu estava: maravilhado com uma bênção, com um show incrível como foi o do AC/DC, vendo Angus Young, Brian Johnson, todas aquelas músicas cheias de significado. E mesmo assim, um simples detalhe — aceitar uma cerveja aberta — pode custar caro. Sou muito grato por estar aqui para contar a história. Porque, se fosse algo pior — como um esquema de tráfico de órgãos ou algo assim — talvez eu nem estivesse aqui.

Então estou feliz por estar aqui contando isso. As outras coisas a gente resolve depois. Fica o alerta para quem vai a shows. Eu também estava sozinho, o que é outro fator. Normalmente vamos com amigos, namorada, alguém. Dessa vez fui sozinho. E como meu celular tinha Instagram, e-mail, WhatsApp e tudo mais, se alguém recebeu alguma mensagem estranha minha, não sou eu. Já troquei todas as senhas, mas não deu tempo de evitar tudo.

Desde quarta-feira estou resolvendo essas coisas, por isso fiquei meio offline. Então, fiquem espertos. Eu nunca imaginei que isso poderia acontecer comigo, mas acontece. Esse é o meu recado. Continuem indo a shows, continuem curtindo, não se tornem pessoas frias. Mas fiquem atentos, porque infelizmente existem pessoas esperando uma oportunidade para fazer o mal. No mais, está tudo bem. Só estou com uma dor no ombro esquerdo, porque dentro dessas quatro horas desacordado eu devo ter caído ou ficado em alguma posição ruim. Mas está tudo bem. Saiu barato. O importante é estar aqui para contar a história.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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