Avenged Sevenfold prova ser gigante do metal em show histórico em São Paulo
Neste sábado (31), o Avenged Sevenfold iniciou o circuito de mega shows em São Paulo e não fez por menos em uma noite histórica para os fãs da banda e o metal em si.
Voltando alguns anos atrás, o A7x se mostrou como uma das maiores promessas do metal moderno, caminhando na onda do metalcore mas logo procurando rumos diferentes que os foi distanciando de outros exemplares da mesma época, criando algo somente deles e chamando a atenção como um dos grande destaques do cenário mais recente. Aos poucos a banda trilhou seu próprio caminho e enfrentou uma tragédia grande ao perder um de seus membros fundadores, o baterista Jimmy “The Rev” Sullivan, bem no auge de seu sucesso. Mesmo com esse episódio obscuro, ele deram a volta por cima e seguiram seu caminho e provaram merecedores do destaque que ganharam, ainda que muitos torceram e torcem a cara mesmo hoje para a banda.

Saindo de banda de abertura para atração principal, o Avenged se consolidou com uma base de fãs própria que fazem um verdadeiro culto ao grupo e após mais de uma década longe dos palcos brasileiros para uma turnê solo, eles voltam em 2026 para um show em Curitiba e uma noite histórica em São Paulo, marcando o seu maior público solo com nada menos do que 50 mil pessoas.
Era uma noite bastante abafada no Allianz Parque, e após os esquenta do Mr. Bungle e do A Day to Remember, com pouquíssimos minutos de atraso, as luzes do palco se apagaram, e ressalto aqui do palco porque poucos minutos antes do show se iniciar, um aviso foi dado nos telões para as pessoas escanearem um QR Code que estava aparecendo, para acompanhar as luzes do show. Tratava-se de um efeito em que as lanternas dos aparelhos acendiam em roxo e amarelo, compondo parte do show e dando um efeito visual incrível naquela noite!

Logo, M. Shadows surgia entre a fumaça no palco, sentado em uma cadeira e usando uma touca que só mostrava os olhos e a boca. Assim se iniciou a noite histórica com “Game Over“, vinda do último disco “Life is But a Dream…“. Foi a deixa para incendiar a plateia que iria pelas próximas 2 horas se esbaldar em um show de gigantes. “Mattel“, também do mesmo disco, veio na sequência e já de cara trouxe um dos melhores momentos do show. Riffs rápidos da dupla Synyster Gates e Zacky Vengeance e uma bateria animalesca de Brooks Wackerman, que aqui brilha gigante em andamentos complexos e mostra ser o melhor acerto dos bateristas que ali estiveram pós-partida de The Rev. Com telões com chamas, a música é apoteótica e forte e acende de vez o público. Aliás, cabe aqui ressaltar a produção do show que é impressionante, com enormes telões dispostos no palco e um jogo de luz incrível. A trinca de abertura fecha com nada menos do que o clássico “Afterlife“, faixa que foi um dos maiores hinos dos anos 2000 no metal atual e tem um grande apelo com os fãs, principalmente por sua letra que mostra um adeus que ninguém saberia que seria tão precoce, já que a letra é do próprio The Rev. O refrão é cantado em peso pelas 50 mil pessoas ali presentes.
“Chapter Four” é quem vem na sequência e remonta aos tempos áureos do metalcore que a banda viveu em “Waking the Fallen“, seu segundo disco e é um baita presente aos fãs mais antigos, que revivem a época já distante dos quase 30 anos de trajetória que o Avenged caminha. Com um som bastante alto, em alguns momentos com o instrumental cobrindo a voz de Shadows, o vocalista é melhor ouvido quando fala ao público pela primeira vez. Elogiando os brasileiros, Mathew falou como somos os “número um” para a banda, devido ao grande amor que é dado a eles por aqui, e em troca, eles nos têm num lugar especial. Assim é a deixa para dedicar “Hail to the King” aos brazukas!

Tirada do disco de mesmo nome, a música traz riffs mais tradicionais do metal e busca uma linha mais direta, mas que faz o público vibrar e o chão tremer ao cantar o refrão em um momento que vai ficar na mente de todos ali presentes por muito tempo. O solo em dinâmica grandiosa entre os dois guitarristas é demais de se acompanhar ao vivo e mostra como o Avenged Sevenfold é hoje uma banda amadurecida e que pode figurar facilmente entre gigantes.
Mais uma vez, Shadows se dirige ao público e dessa vez ele diz “como é difícil tocar para os brasileiros”. Ele comenta a passagem da banda no Rock in Rio de 2024 e sobre “pessoas reclamando da banda fazer o mesmo setlist”, e então um dos momentos mais aguardados e de grande expectativa acontece. “Gunslinger” é anunciada e causa frenesi só ao ter seu nome pronunciado. Com início alá Bon Jovi, a faixa cresce no refrão e é acompanhada por fogos cruzando os céus (dessa vez, como parte do show), causando um momento apoteótico no Allianz Parque e que fez fãs berrarem até perder a voz.
Na sequência “Buried Alive” chega em crescendo, até explodir em partes mais pesadas ao seu final. Mais uma vez Shadows se dirige ao público e fala sobre a plateia de Curitiba ter gritado insistentemente por “Seize the Day” e eles tocarem partes da música, e que iriam repetir isso ali, naquele momento, e um pouco “engasgada” a balada do disco “City of Evil” tem parte executadas, ainda que de improviso, mas finalizada com a promessa de que na volta do Sevenfold ao Brasil, ela será toca na íntegra e corretamente. Mas o momento balada ainda continua, agora com a emocionante “So Far Away“, dedicada a The Rev, com uma sombra sua projetada nos telões e também a todos que perderam um ente querido. As lanternas mais uma vez iluminaram o Allianz Parque em um momento de pura emoção.
“Bat Country” traz a energia de volta com direito a várias rodas abrindo pela pista e mais uma vez a dinâmica musical sendo colocada em prática e maestria. Por falar em maestria, a próxima música coloca a musicalidade de banda em cheque. “Nobody” é executada de uma forma assombrosa exatamente como soa no disco. A música é um dos temas mais complexos já compostos pelo Avenged Sevenfold e é simplesmente hipnótico assistir à faixa sendo reproduzida ao vivo com tanto esmero, mesmo em cada mínimo detalhe. Um momento puramente de música! Logo no começo dessa música, ela foi interrompida devido a alguém do público precisando de socorro médico e Shadows interrompeu a execução até que o salvamento fosse feito.

Os primeiros acordes de “Nightmare” são suficientes para que o público dê uma grande ovação sonora e mais rodas se abrem nos versos rápidos da faixa. Outra vez Shadows se dirige ao público com mais alguém precisando de atendimento e nesse momento, o vocalista faz um chá revelação de uma menina que aí viria, felicitando os pais e dando seguimento com a “riffada” “Not Ready to Die“. A sequência é fechada com “Unholy Confessions“, outro grande clássico da era metalcore e de riffs rápidos e bateria cadenciada. É a deixa para mais e mais rodas com o andamento pesadíssimo que a música ganhou ao vivo.
Ao fim desta, Brooks brilha em um curto mas direto solo de bateria, mostrando que ele é o dono das baquetas definitivo e arranca aplaudos do público. A banda retorna com “Save Me“, faixa em que o baixista Johnny Christ finalmete tem algum destaque no show, já que até aqui ele soava bem baixo e mais ao fundo do palco. Em diante, “Cosmic” que tem acordes levando seu nome a sério faz a deixa para caminharmos para o final.

Antes de iniciar a derradeira, M. Shadows mais uma vez fala ao público, oferendo-lhes água e dizendo que “todos precisa de água”, naquela noite calorosa. O vocalista agradece ao carinho de todos presentes, prometem voltar em breve e faz piada sobre o tema central de “A Little Piece of Heaven“, que é a responsável por fechar a memorável noite.
A música com inspirações de Danny Elfman e que poderia facilmente estar na trilha sonora de um longa de Tim Burton, traz contornos orquestrais misturados a temas de rock, criando um “Dark Fantasy” apoteótico, com luzes roxas e amarelas dos celulares mais uma vez. A sombria ópera fecha uma noite histórica no Allianz Parque, com direito a queima de fogos ao final, coroando o grande espetáculo.
Foram 50 mil pessoas comemoradas pelo Avenged Sevenfold como seu maior público de um show solo, e com certeza, coloca o A7x como um gigante do metal. Mesmo relativamente com poucos anos de estrada, a banda justifica os ingressos esgotados e o porque de estar em uma grande arena, pois é o que eles se tornaram, um verdadeiro grande exemplar do gênero e que com certeza terá seu nome escrito como um pilar grandioso do heavy metal e sua história.
Fotos: Pridia

