Há 40 anos Tony Iommi gravava de “Seventh Star” seu álbum solo, mas obrigado a lançar como Black Sabbath

Há 40 anos, em 28 de janeiro de 1986, o Black Sabbath lançava “Seventh Star“, o décimo segundo álbum da discografia da banda que criou o Heavy Metal, e que é assunto do nosso bate-papo desta quarta-feira. 

Existem duas datas de lançamento distintas para o referido álbum. A data de hoje, refere-se ao lançamento nos Estados Unidos, e no Reino Unido, o álbum foi lançado somente em 21 de fevereiro. Portanto, optamos por homenagear o álbum respeitando a ordem cronológica. 

O álbum foi concebido em um primeiro momento para ser um disco solo de Tony Iommi, até mesmo pela música que não lembra nem de perto a sonoridade do Black Sabbath. Ocorre que, por pressão da Warner e do empresário da banda, Don Arden, o guitarrista se viu obrigado a aceitar com que o álbum saísse com a inscrição “Black Sabbath featuring Tony Iommi”. Edições posteriores foram apresentadas como sendo um álbum do Black Sabbath

Após a turnê do álbum “Born Again“, houve uma debandada na banda. Saíram de uma só vez, Geezer Butler, Ian Gillan e o baterista Bev Bevan. A vaga de vocalista foi ocupada por Ron Keel, Jeff Fenholt e Dave Donato, antes de Glenn Hughes assumir o posto. O posto de baixista também sofreu alterações, primeiro veio Gordon Copley e depois assumiu Dave Spitz. Eric Singer assumiu a bateria. Gordon Copley e Eric Singer faziam parte da banda de Lita Ford, que na época era namorada de Iommi. 

Iommi pretendia gravar um álbum solo, mas acabou cedendo às pressões da gravadora, que entendia que o álbum venderia mais se vendido sob o nome Black Sabbath. Iommi comprou os direitos da banda para que pudesse assim utilizá-lo. O baixista Gordon Copley chegou a gravar a música “No Stranger to Love“, enquanto que Dave Spitz gravou o restante das canções. 

Iommi se juntou aos novos companheiros no estúdio Cherokee, em Los Angeles e Chesire Sound, em Atlanta, entre os meses de junho e agosto de 1985. A produção é assinada por Jeff Glixman.

O baterista Bill Ward, que havia gravado “Born Again“, mas não saiu em turnê, lembrou de como ficou sentido pelo fardo que Tony Iommi carregava naquele momento. Aspas para o baterista do Black Sabbath

“Parecia-me que a banda estava em seus últimos suspiros e meu coração se compadeceu de Tony. Pensei: ‘Meu Deus, quanto mais ele aguenta?’ ou ‘Quanto mais ele quer?’… O que eu vi foi uma grande banda que eu simplesmente sentia que estava se desfazendo”.

Outro que se compareceu com a pressão sofrida por Tony Iommi, foi Glenn Hughes, que contou em entrevista ao Metal Mayhem ROC. Vamos abrir aspas ao vocalista: 

“Ele (Tony Iommi) ficou muito triste com isso. E para mim, eu não sou um cantor do Black Sabbath. Eu não sou. Eu achava que estava fazendo um disco solo do Tony”.

Dando play na bolacha, o álbum tem uma pegada completamente diferente do Heavy Metal criado e praticado pelo Black Sabbath, afinal, lembremos, seria um disco solo de Tony Iommi. Então, as músicas aqui tem uma pegada mais Hard Rock. Temos 9 canções em 35 minutos de duração, com destaques para “In for The Kill“, “Turn to Stone” e a faixa-título. Apesar de alguns poucos bons momentos, está longe de ser de fato, um disco do Black Sabbath

Na época do lançamento, as críticas ao álbum foram positivas de maneira geral, mas com o tempo, o álbum mostrou que não envelheceu bem. Entre os fãs, se a aceitação não é perfeita quanto aos primeiros álbuns, não chega a ser tão ruim quanto os dois últimos com Ozzy em sua primeira passagem, “Technical Ecstasy” e “Never Say Die!“, e os álbuns que sucederam nosso homenageado tratou de devolver ao Black Sabbath a sua devida reputação. 

O álbum teve bom desempenho nas paradas de sucesso pelo mundo: foi 10° na Finlândia, 11° na Suécia, 17° na Noruega, 27° no Reino Unido, 31° na Europa, 51° na Alemanha, 66° no Canadá, 78° na “Billboard 200” e 88° na Austrália. Um videoclipe foi produzido para a música “No Stranger to Love” foi produzido e contou com a participação da atriz Denise Crosby. 

A nova formação saiu para turnê, mas Glenn Hughes só fez os seis primeiros shows. Ele foi demitido em decorrência do seu vício em drogas. Ray Gillen entrou em seu lugar e se apresentou nas datas previstas na América do Norte e na Europa. Diversas apresentações nos Estados Unidos foram canceladas. A abertura dos shows durante esta turnê foi de responsabilidade do Anthrax e do W.A.S.P.. Em 1987, Tony Martin assumiu a função de vocalista, que ocupou por duas vezes na história do Black Sabbath

Apesar de lançado com o nome do Black Sabbath, na prática foi um trabalho solo de Tony Iommi. A banda encerrou a sua história no ano passado, quando realizou o show de despedida de Ozzy Osbourne, no dia 5 de julho, 17 dias antes de o príncipe da trevas nos deixar. O Black Sabbath é a banda que deixou para sempre o seu legado no Heavy Metal, simplesmente por ter sido a banda que criou toda essa bagaça. Hoje é dia de celebrar o mais novo quarentão, se não é do Heavy Metal, é do Hard Rock. 

Seventh Star – Black Sabbath 

Data de lançamento – 28/01/1986

Gravadoras – Warner/ Vertigo

 

Faixas

01 – In for the Kill 

02 – No Stranger to Love 

03 – Turn to Stone 

04 – Sphinx (The Guardian)

05 – Seventh Star 

06 – Danger Zone 

07 – Heart like a Wheel

08 – Angry Heart 

09 – In Memory…

 

Formação

  • Tony Iommi – guitarra
  • Glenn Hughes – vocal
  • Dave Spitz – baixo
  • Eric Singer – bateria
  • Geoff Nicholls – teclado 

 

Participação especial

  • Gordon Copley – baixo em “No Stranger to Love”

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

2 thoughts on “Há 40 anos Tony Iommi gravava de “Seventh Star” seu álbum solo, mas obrigado a lançar como Black Sabbath

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *