Bryan Adams volta ao Rio com seu rock nostálgico e cheio de hits
Texto: Carlos Monteiro
Ídolo que atrai desde fãs de Black Sabbath e AC/DC a casais de senhores e senhoras em roupas sociais, Bryan Adams é unanimidade para quem gosta de rock e pop bem feitos, com letras nostálgicas e instrumental poderoso. Foi essa mistura de sucesso que o canadense de 66 anos trouxe pela quarta vez ao Rio de Janeiro, onde estava ausente desde 2019, quando tocou para uma então HSBC Arena pouco preenchida.
Dessa vez, foi bem diferente: na Barra da Tijuca, o Qualistage bem ocupado recebeu-o de braços abertos para a etapa da turnê “Roll With The Punches”, recheada dos bons e velhos hits de sua carreira.
Bryan Adams sabe como montar um bom e dinâmico show. Ele chega sorrateiramente e começa a apresentação apenas com voz, violão e gaita em um mini palco no centro da casa e bem próximo ao público, executando a trinca “Can´t Stop This Thing We Started“, “Straight From The Heart” e “Let´s Make a Night To Remember”. É a deixa para ele avisar que vamos começar a noite lá no “outro” palco, o principal.
Ele sobe pela lateral, pega um baixo e a banda engrena em “Kick Ass”, uma das canções de trabalho do novo álbum “Roll With the Punches”, um rock direto e honesto, que, apesar de não ser conhecida pela maioria, dá um bom pontapé para iniciar a parte elétrica do show.
Logo vêm dois petardos, esses sim, bastante conhecidos: “Somebody” e “Run To You”, que ele executa alternando-se entre o centro e as laterais do palco, dando chance de todos o verem bem.
Na primeira vez que se dirige ao público, o cantor brinca que, no Brasil, as pessoas pronunciam seu nome como uma coisa só: “Brainadams”. Sempre alternando frases em inglês em português, em outra parte do show ele recorda que nas suas redes sociais estão sempre dizendo “Come to Brazil” e diz efusivamente que agora está no país, o que gera mais uma ovação da plateia.
Os hits continuam com “18 Till I Die”, o hino dos agora quarentões que se recusam a envelhecer, o que é boa parte da plateia. Ele até altera as letras duas vezes, pois, originalmente uma frase diz que “algum dia estará chegando nos 55”. Em uma vez ele troca para “chegando nos 75” e outra, “chegando nos 67”. idade que vai completar em 5 de novembro deste ano.
Chega então aquele que é provavelmente o momento mais esperado da noite, a super balada “Heaven”, do seu mais bem sucedido álbum “Reckless”, de 1984. Porém, acaba sendo um anticlímax: a banda executa uma versão ligeiramente diferente, com um andamento mais pop, menos balada, o que tira muito do seu charme. Por sorte, há pelo menos dois trechos em que ele deixa a cantoria da plateia soar mais alto e aí ela se assemelha à sua versão original, aquela que está tatuada na mente nostálgica de todos nós.
Em uma das canções mais recentes, como “So Happy It Hurts”, do álbum homônimo de 2022, um carro inflável sobrevoa o Qualistage passando por todo o ambiente da casa de shows, em um efeito bem interessante. Outra tática boa é chamar a galera para dançar, cantar ou sacudir a camisa por cima da cabeça em “You Belong To Me”, enquanto um cinegrafista exibe as imagens dos fãs se exibindo em close no telão. Num medley com “Will We Ever Be Friends Again” (também de “Roll With The Punches”), ele surpreendentemente inseriu parte de “Song Number 2”, do Blur.
A parte final é um deleite para os fãs, em uma sequência dos sucessos “The Only Thing That Looks Good on Me Is You” e “Everything I Do (I Do It For You)“, conhecida pelo filme “Robin Hood: Príncipe dos Ladrões” (1991). Logo depois, vem “Back To You”, uma pérola do “Unplugged” (1997).
E então, as luzes se apagam e um feixe cai em Bryan Adams, que executa apenas o riff inicial de “Summer of ´69”. A plateia vai à loucura. Ele provoca mais duas vezes, para finalmente entrar de vez naquela que é uma das melhores canções sobre nostalgia (páreo duro com “Born To Run”, de Bruce Springsteen.
Não importa quando você nasceu, irá se encantar com a letra e se identificar com a frase “aqueles foram os melhores dias da minha vida”. Sempre haverá um momento precioso na juventude que idealizamos e o show de Bryan Adams é uma celebração desses momentos.
Com a plateia totalmente ganha, ele ainda executa o bom pop “Cuts Like a Knife”, puxando várias vezes o coro “nananana”. O final é com a versão acústica de um sucesso de 1993 que juntou três vozes roucas – ele, Rod Stewart e Sting – em “All for Love”, tema do filme “Os Três Mosqueteiros”. Como a composição é de Adams, junto com Mutt Lange e Michael Kamen, o canadense se apropria sempre da canção para fechar suas apresentações.
Foi assim desde 2007, a primeira vez em que veio, e também em 2017 e 2019. Em sua quarta vez no Brasil, e em ótima forma, Bryan Adams mostrou que têm uma relação próxima com os brasileiros e ainda pode voltar outra vezes. Dessa vez, ainda é possível vê-lo no dia 7 de março em São Paulo, 9 de março em Curitiba e 11 de março em Porto Alegre.

Valeu!!!!