Entrevista: Lord Campbell do Silver Dust fala sobre estreia no Brasil no Bangers Open Air e mais

O gótico terá um representante de preso no Bangers Open Air. O Silver Dust fará sua estreia no Brasil como uma das atrações do festival e o seu vocalista, Lord Campbell, falou sobre as expectativas para o show, além de nos contar um pouco dos bastidores da banda, as suas inspirações e muito mais. Confira abaixo.

Confere Rock: Olá, antes de mais nada, obrigado por dedicar um tempo para conversar conosco. Sejam bem-vindos ao Brasil este ano!

Lord Campbell: Obrigado pelo seu interesse, Marcio. Estamos realmente ansiosos para conhecê-lo!

CR: Para começar, gostaria que vocês falassem um pouco sobre o estilo da banda. Vi o Silver Dust ser descrito como “burtoniana” em referência ao cineasta Tim Burton em alguns veículos de mídia. Você poderia nos contar mais sobre o estilo musical da banda, como vocês se definem e quais são suas principais influências?

Lord Campbell: Foi a imprensa europeia que descreveu o Silver Dust como uma banda “burtoniana”. Como um grande fã de Tim Burton e de seus filmes, isso me pareceu completamente natural. Sempre amei a cultura e a arquitetura góticas. Sua história, figurinos, música clássica, objetos e lendas sempre me fascinaram. Eu moro em Porrentruy, em uma parte da Suíça que vivenciou um importante período gótico. Portanto, é fácil para mim criar a ambientação dos videoclipes, já que nossa cidade realmente parece um cenário de filme. Você pode ver isso em muitos dos nossos clipes, mas especialmente em nosso single mais recente, “Salve Regina”: https://youtu.be/Yu7fnQHcTzs. Para mim, era óbvio que um dia eu criaria uma banda assim, com uma identidade forte, reunindo todos os elementos que amo do mundo gótico enquanto desenvolvo uma identidade pessoal. Alice Cooper, Kiss e Marilyn Manson são artistas que me influenciaram bastante. Mas, como você pode ter notado, o Silver Dust tem sua própria identidade — e isso era muito importante para mim.

CR: Em relação à maquiagem e aos figurinos da banda, o que eles representam e quais são as principais referências por trás desse conceito visual? Notei algo que lembra os vampiros de Anne Rice — estou enganado?

Lord Campbell: Você está absolutamente certo! Sou um grande fã de filmes do Drácula e também gostei muito de Entrevista com o Vampiro, com Brad Pitt e Tom Cruise. Esse estilo de vestuário combina perfeitamente com essa atmosfera burtoniana em certos momentos, assim como com os elementos mencionados no parágrafo acima. No álbum Symphony Of Chaos, há duas faixas muito nessa linha que você absolutamente precisa ouvir: The Masters Of Fright e Le Squelette Crâneur, uma música com letra em francês que é muito divertida! Ela conta uma história do lugar de onde eu venho e da minha infância.

CR: Vamos falar sobre o seu álbum mais recente, Symphony of Chaos. Esse título é uma espécie de reflexão pessoal? Sobre o que tratam as letras do disco?

Lord Campbell: Quanto às letras, elas são, de fato, reflexões pessoais e observações sobre o nosso atual mundo caótico. Eu acompanho de perto as notícias, e muitas coisas me afetam profundamente. Também sou um forte defensor dos direitos dos animais e totalmente contrário à crueldade contra eles. O consumo excessivo de carne neste planeta é uma verdadeira praga. Um enorme engano iniciado. Todos estão sofrendo por causa disso, tanto os animais quanto os seres humanos. A música “I’m Flying” aborda essa questão. Em Symphony Of Chaos, também há uma faixa intitulada “Goodbye”, que é uma homenagem ao meu melhor amigo, que deixou este mundo cedo demais devido a uma doença grave.

Em relação à música e ao aspecto visual, eu sou o criador da banda, componho todas as músicas, escrevo as letras e cuido dos arranjos. Eu crio tudo do começo ao fim, incluindo o design gráfico, os logotipos e as capas dos álbuns. Meu objetivo era criar um álbum um pouco mais metal do que os lançamentos anteriores do Silver Dust. Eu queria um disco em que cada melodia ficasse na sua mente, com vocais poderosos, arranjos altamente produzidos, loops eletrônicos e orquestrações clássicas épicas. Eu adoro trabalhar com diferentes plug-ins, sou apaixonado por programação e, olhando para trás, estou muito feliz com o resultado.

CR: Sobre o seu single mais recente, “No Matter How Far Away”, notei que ele se destaca de algumas de suas outras músicas, apresentando riffs mais marcantes e abordagens vocais mais variadas. Essa foi uma escolha deliberada para mostrar diferentes lados da banda ou houve outro motivo por trás disso?

Lord Campbell: Eu evoluí muito vocalmente nos últimos anos e consegui desenvolver novas técnicas que antes não havia explorado. Com “No Matter How Far Away”, eu quis apresentar algo poderoso, mas que ainda fosse bastante melódico em alguns momentos, além de destacar a nossa principal força: nossa performance ao vivo. Sou muito afortunado por colaborar com músicos talentosos que confiam em mim e acreditam em mim e no Silver Dust. É um privilégio incrível tê-los ao meu lado hoje, e eles são excepcionais no palco, além de serem amigos preciosos. Mr. Killjoy (bateria), Neiros (guitarra) e Kurghan (baixo) contribuem muito para a imagem forte e o som característico do Silver Dust.

CR: Agora vamos falar sobre a estreia de vocês no Brasil! Vocês sabem alguma coisa sobre o país e sobre a nossa cena heavy metal?

Lord Campbell: Ouvimos muito sobre o Brasil e sua cena metal, e sabemos que teremos que estar à altura — e estaremos! Sempre gostei de Soulfly e Sepultura. Max Cavalera é um músico que influenciou muitas pessoas.

Também somos extremamente afortunados por estarmos trabalhando com a Dharma Music. Estou em contato há bastante tempo com o grande Rodrigo Oliveira, que é muito conhecido no seu país (um baterista e produtor fantástico, sou um grande fã!). Ele realmente aprecia o trabalho do Silver Dust e acredita em nós. Ele reuniu toda uma equipe para ajudar a desenvolver a banda no Brasil e, em breve, em toda a América do Sul. Tudo está indo muito bem, e essa colaboração está acontecendo no momento perfeito, já que o Silver Dust está mais forte do que nunca. É uma honra para nós termos conquistado a confiança da Dharma. Obrigado, Rodrigo, e obrigado a toda a equipe!

CR: Vocês farão sua estreia brasileira em um dos maiores festivais de metal do país, o Bangers Open Air, ao lado de bandas conhecidas e de peso. E espero que estejam trazendo um bom ventilador, porque o calor pode ser intenso nessa época do ano — especialmente com os figurinos de palco de vocês. Como vocês estão se sentindo ao tocar para os fãs brasileiros pela primeira vez e já encarar um festival tão grande? Sem pressão, mas não sei se vocês sabem que o público brasileiro está entre os mais exigentes do mundo!

Lord Campbell: Nós conhecemos o Bangers Open Air, e poder nos apresentar lá é uma oportunidade tremenda. Estamos realmente animados para conhecê-lo e para apresentar o Silver Dust ao público brasileiro pela primeira vez. Sim, sabemos que os fãs brasileiros estão entre os mais exigentes do mundo — e nós absolutamente adoramos isso. Estamos ansiosos para apresentar algo diferente, algo novo ao público. Vivenciar um show do Silver Dust significa viver uma experiência, entrar em outro mundo. E quanto ao calor, já fizemos tantos shows em tantos lugares que estamos acostumados a lidar com isso, mesmo com nossos figurinos 🙂

CR: Para aqueles que ainda não estão familiarizados com o Silver Dust, qual dos seus três álbuns (NE: o Silver Dust tem cinco discos) você recomendaria, e qual música específica seria o melhor ponto de partida? Pessoalmente, eu adorei “Salve Regina” e seu videoclipe — realmente espero que esteja no setlist!

Lord Campbell: Nós lançamos cinco álbuns. Eu amo todos eles, mas realmente recomendo o nosso mais recente, Symphony Of Chaos. Fico muito feliz em saber que você adorou “Salve Regina”, obrigado! Sim, ela definitivamente estará no setlist. Neste álbum, cada faixa é melhor que a anterior! Mas, no momento, sou especialmente um grande fã de “No Matter How Far Away”, que você mencionou acima, assim como de “Symphony Of Chaos” e “I Saw Your Light”.

CR: Hoje em dia, muitas bandas com máscaras e figurinos elaborados lotam arenas e estádios, como o Slipknot, que vem de uma era anterior, e outras mais recentes como Ghost e Sleep Token. No entanto, também houve comentários recentes de Tobias Sammet criticando bandas por “exagerarem nos visuais e esquecerem da música”. Como vocês conseguem equilibrar o visual e a música de forma que nenhum ofusque o outro?

Lord Campbell: Sinceramente, eu realmente não me faço essa pergunta. Ao longo dos anos, adquiri muita experiência na composição, e sempre sei se o que escrevi é uma boa música ou não. Consigo sentir imediatamente o que é necessário para que a canção não seja apenas forte, mas também se encaixe perfeitamente no nosso universo. Se não se encaixa 100%, eu descarto — é simples assim. Fizemos cinco turnês pela Europa e tocamos em inúmeros shows, então você aprende rapidamente o que emociona o público e o que não funciona. É a melhor forma de aprendizado.

CR: Por fim, por favor, deixe uma mensagem e um convite aos fãs brasileiros para verem o Silver Dust no Bangers Open Air.

Lord Campbell: Pela primeira vez em sua história, o Silver Dust se apresentará no Brasil. É uma grande honra fazer parte do maravilhoso lineup do Bangers Open Air, e estamos muito ansiosos para encontrar todos vocês em São Paulo!

Queridos amigos brasileiros, mal podemos esperar para vê-los!

O Silver Dust sobe ao palco do Bangers Open Air no domingo, dia 26 de abril. O festival acontece no Memorial da América Latina, em São Paulo, e os ingressos estão disponíveis aqui.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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