Fabio Lione diz que “Angra estava fodid#” antes dele ajudar a recuperar o prestígio
Fabio Lione está deixando o Angra após 13 anos como vocalista da banda. É bem verdade que antes de sua entrada, o grupo vinha passando por alguns momentos turbulentos como o caótico show no Rock in Rio e alguns lançamentos que não estavam causando impacto real em sua discografia.
Em conversa com a Rolling Stone Brasil, Lione falou como foi o cenário que encontrou no momento de sua entrada no Angra e afirma que ajudou eles reencontrarem prestígio. Ele diz quando questionado sobre qual legado acha que vai deixar:
É algo que dificilmente vou esquecer e dificilmente a galera vai esquecer. Foram muitos shows, três álbuns, três lançamentos ao vivo, sem contar o DVD no cruzeiro 70,000 Tons of Metal que a banda não lançou por causa do barulho do vento no áudio da gravação, mas esse material existe. Sei que parece que eu falo para criar polêmica, mas não, falo porque gosto de falar a verdade: essa banda tem 34 anos de história. Por que o Rafael não conta isso? A banda comemorou em turnê os 20 anos de Angels Cry… com o italiano. Os 20 anos de Holy Land… com o gringo. Os 20 anos de Rebirth na afinação original — a banda não tocava o álbum Rebirth na afinação original nem na própria turnê desse álbum — com o Fabio. Os 20 anos de Temple of Shadows na afinação original com o Fabio. Eu talvez deveria falar desse jeito, sabe?”
Na sequência, Fábio fala sobre como há uma certa “diminuição do trabalho” de ex-membros do Angra, e também afirma como ele fez pela banda em um momento crítico:
A história dessa banda é engraçada, porque tenho a sensação de que os caras sempre têm que diminuir o trabalho de alguém. Tipo, diminuir um pouco o trabalho de Andre Matos [vocalista original que saiu em 1999 e faleceu em 2019]. Cara, se não existisse Andre Matos… aí diminuir um pouco o trabalho de Fabio. Cara, a banda estava perdida. Estava f#dida. Eu procurei o Sweden Rock Festival [conceituado festival sueco] para a banda [em 2023]. A empolgação na Europa foi superior. A banda chegou a fazer uma turnê gigante nos Estados Unidos e Canadá [em 2018]. Fizemos uns 300 a 500 shows no Brasil, não sei. No Japão fizemos shows lotados. Quando ainda estávamos com o Kiko [até 2015], o empresário procurou festivais muito bons como Hellfest, Wacken, Masters of Rock na República Tcheca. A banda reconquistou prestígio no exterior. Além disso, criamos, na minha opinião, três álbuns muito legais: metade do Secret Garden é fenomenal, Omni é muito bom e o Cycles of Pain para mim está no top 4 do Angra. Para mim, o top 4 é Holy Land, Temple of Shadows, Cycles of Pain e Rebirth. Não é opinião pessoal; é algo objetivo. Não tem comparação. Angra nunca fez álbum ruim, mas esses quatro são outro nível.”
Fabio Lione então fala sobre como as coisas com ele no Angra se tornaram “maiores”, como a agenda e duração dos shows:
Então, o engraçado é isso. Tenho essa sensação estranha, porque Rafael fala em “contribuição”… cara, você comemorou praticamente os melhores álbuns da banda comigo. Gravou um dos melhores álbuns comigo. Fez a maioria dos shows comigo, ou pelo menos a turnê mais extensa. Lembro de ter feito doze shows seguidos sem dia de descanso — e comigo a formação tocava pelo menos 2 horas por show, chegávamos a 2 horas e 25 minutos às vezes. Não é um show de 1 hora e meia em afinação diferente. Lembro de uma turnê com oito shows seguidos, sem dia de descanso, e já chegamos a doze. Não acho que seja tão fácil fazer isso. No mais, foi uma experiência incrível que mudou minha vida. Conheci o Brasil, aprendi a falar português escutando as pessoas falarem. Uma cultura diferente. Tenho mais amigos no Brasil agora que na Itália, para ser sincero. O amor que tenho pela banda é gigante.”
Durante a mesma entrevista, Fabio falou sobre como o anúncio de sua saída foi dito de uma forma por Rafael Bittencourt o fazendo “parecer santo”, e que muita coisa foi colocada no vocalista, pelo seu “jeito italiano” direto de dizer as coisas.
O Angra se despede de Fabio Lione com um último show no Bangers Open Air deste ano, com além da última vez com o vocalista no posto, uma reunião com os membros da “Nova Era” e a presença de Alírio Netto.
Foto: André Tedim

Agora entendo porque Andre Matos naõ se entendia com esses caras, tá aí a resposta!!!! Valeu Lione, concordo com suas palavras!!!! O Angra agora quer viver de projetos e nostalgia, sendo que tinha um vocalista de ponta e qualidade bem nos seus pés!!!! fui
Também acredito que o Angra estava fodid. Lione deu uma ¨arrumada¨ na casa. Abraços!
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