Guns N’ Roses resiste ao tempo e mostra porque ainda é uma lenda

Menos de um ano após sua última passagem em São Paulo, o Guns N’ Roses retornou a cidade neste sábado (4), como a atração principal do Monsters of Rock.

Após um dia todo de atrações que viariaram entre nomes consagrados e outros representantes mais novos do rock, pontualmente as 20:30, as luzes se apagaram e um som em crescendo surgiu do equipamento de som e os telões mostraram uma esfera girando sem controle, que logo parou e entre luzes vermelhas, os primeiros acordes de “Welcome to the Jungle” foram executados pela dupla Slash e Richard Fortus.

Com uma interação mais engajada da plateia do que na passagem anterior, a música abre com fervor a apresentação que seguiria por mais de duas horas dali em diante. Axl chegou mostrando que mais uma vez frustraria seus críticos que usam de falas negativas como diversão ao tratar o cantor, pois entregou uma performance de qualidade e esbanjando bom humor.

Com um som muito alto, assim como foi o dia todo, mas como todos os instrumentos audíveis e nada embolado (pelo menos da Pista Premium), o vocalista já se comunicou de forma bem rápida logo antes da segunda música, e dessa vez, os fãs não veriam tantas baladas por ali, com o Guns priorizando o peso.

Na sequência, a pesada “Slither“, dos tempos de Slash e Duff no Velvet Revolver, que já acompanha o Guns há bons anos, coloca a galera para fazer o bate cabeça mostra porque não deixa o set. Essa foi a segunda passagem por São Paulo do baterista Isaac Carpenter, que se mostrou mais a vontade e deixando algumas faixas mais agressivas. Mas para quem acha que veria o mesmo show de 2025, a banda tinha diversas cartas na manga nessa noite.

Live and Let Die” sempre é apoteótica com riffs pesados, deixando uma versão bastante particular do Guns e se diferenciando da feita por Paul McCartney. Fazendo o gosto do público após diversos pedidos, “Rocket Queen” apareceu arrancando aplausos da plateia e tendo uma recepção incrível e calorosa. A banda buscou por uma sequência difereciada com “Dead Horse“, “Double Talkin Jive” e “Nothin” que acabou dando um respiro ao público que sempre gosta de ver um clássico rolando.

Esse foi o papel de “You Could Be Mine“, a clássica trilha sonora de O Exterminador do Futuro, que sempre tem um impacto forte no público e agora não diferente. Nesse ponto, um Axl aquecido e entregando tudo em cima daquele palco como sorrisos e dancinhas, o show já era jogo ganho e com o Allianz lotado com os fãs da banda em peso marcando presença abarrotando a Pista Premium.

Em “Estranged“, outra que o público muito pedia e tirou um largo sorriso de Axl quando ele se deparou com golfinhos “pulando” da plateia. A brincadeira de algumas pessoas ao levarem os balões dos bichinhos foi uma clara referência ao vídeo da música e que agradou o cantor. Mas o Guns N’ Roses ainda tinha uma surpresa do fundo do baú e que apareceria ali, com “Bad Apples“, que havia surgido em um show da banda pela última vez em 1991 e claro que isso levou os fãs a loucura.

O show termina com “Paradise City“, que coroa o encerramento há algum tempo e coloca o lugar mais uma vez para pular com a sua marcante introdução. Com mais de duas horas de show, o Guns N’ Roses resiste ao tempo e mostra porque ainda é uma das maiores lendas do rock e porque ainda angaria tantos fãs que os seguem ano após ano.

Fotos: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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