Gwar: 27 anos de “We Kill Everything”, o álbum desprezado pela própria banda

Há 27 anos, em 6 de abril de 1999, o Gwar lançava “We Kill Everything“, o álbum de número 7 da discografia da veterana banda, e que será tema do nosso bate-papo desta segunda-feira.

O Gwar fez um relativo sucesso na mídia estadunidense nos primeiros anos da década de 1990, chegando inclusive a estrelar uma propaganda de videogames na TV. Seus vídeos tiveram grande exposição na MTV e nos anos de 1993 e 1996, a banda concorreu ao Grammy. 

Nesta época, a banda já não tinha mais o mesmo espaço na mídia, mas ainda tinha uma legião de fãs que acompanhava os lançamentos e apresentações da banda, que passava por um momento diferente, que era comum às bandas de maneira geral naquela década. Musicalmente, o Gwar estava fazendo álbuns quase experimentais, o que ajudou na queda da popularidade. 

Se musicalmente, as coisas estavam confusas, nas letras e no visual, tudo se mantinha intacto: as letras sarcásticas e escatológicas. Parte do álbum é conceitual e fala sobre como os músicos brigaram com o mestre do planeta de onde eles vieram e com isso se exilaram na Terra. Curiosamente, a história só começa a partir da quarta faixa e termina em “The Master Has a Butt“, deixando as cinco músicas finais sem conexão com a história, que foi replicada no filme “It’s Sleazy“, estrelado pela própria banda e exibido um ano depois do álbum.

Três músicas do disco são na verdade regravações de músicas antigas: “A Short History of the End of the World“, “Escape from the Mooselodge” e “Tune from Da Moon“, são versões para as músicas “Cardinal Syn Theme“, “The Needle” e “Minute 2 Live“, lançadas em álbuns anteriores. 

Algumas curiosidades: a música “A Short History of the End of the World (Part VII (The Final Chapter (abbr.)))“, foi a primeira completamente instrumental a ser gravada pelo Gwar. E as letras são uma resposta aos fãs da banda que criticavam as letras repugnantes de “Carnival of Souls“. Este é o único álbum juntamente com o já citado “Carnival of Souls” a ter sido censurado. 

Este também foi o último álbum a contar com o baixista Michael Bishop, que havia retornado para substituir Casey Orr, e também foi o último a contar com Hunter Jackson, Danielle Stampe e o tecladista Dave Musel. É também o primeiro álbum a ter o vocalista Beefcake the Mighty, que não gravava nada com a banda desde 1988. Ele cantou apenas em “Jiggle the Handle“. 

Gravado entre o final de 1998 e o início de 1999, o álbum foi produzido pela dupla Mark Milley e Roger Lian. Além dos vocalistas convidados, também temos alguns instrumentos que não são comuns na musicalidade do Gwar, como teclado, trombeta, saxofone e piano. 

Dando play na bolacha, não é uma audição que podemos chamar de agradável. É confusa e de Rock tem muito pouco. São 17 faixas em 57 minutos. Apesar de ser bem pouco inspirado, podemos destacar algumas poucas faixas, como “Babyraper“, “Fishfuck“, “Tune from da Moon” e a faixa-título. A sensação é de que tudo foi feito de improviso, sem muito capricho nem zelo. 

As criticas ao álbum foram razoáveis. Os fãs têm “We Kill Everything” como o menos querido, e até mesmo a própria banda desdenha da obra. Eles admitem que foi o disco com o pior desempenho comercial, tanto em vendas de álbuns quanto em shows realizados. O site do Gwar certa vez publicou uma nota bem clara sobre a repulsa pelo disco. Vamos reproduzir abaixo: 

“…e o mundo respirou aliviado por não termos lançado outro ‘We Kill Everything’, não importa o quanto eles pudessem ter gostado de fazer sexo com animais!”

Nosso aniversariante é um dos discos com o menor número de músicas tocadas ao vivo pela banda ao longo dos anos, ainda que treze das dezesseis músicas tenham sido tocadas pelo menos uma vez. Apesar desse status, a música “Babyraper” é a única que de vez em quando ainda aparece nos shows, sendo que a última vez foi em 2024. 

Apesar de ser um disco que não teve a melhor repercussão, faz parte da história do Gwar, que assim como as suas contemporâneas, também cometeu seus equívocos na década de 1990. Mas a banda superou esse momento adverso e permanece em plena atividade. O último álbum lançado pela banda foi “The New Dark Ages“, em 2022, e os caras seguem fazendo shows regulares. Longa vida ao Gwar

We Kill Everything – Gwar

Data de lançamento – 06/04/1999

Gravadora – Metal Blade 

 

Faixas:

01 – Babyraper 

02 – Fishfuck 

03 – The Performer

04 – A Short History of the End of the World (Part VII (The Final Chapter)))

05 – Escape from the Mooselodge

06 – Tune from da Moon 

07 – Jiggle the Handle

08 – Nitro-Burnin’ Funny Bong

09 – Jägermonsta

10 – My Girly Ways 

11 – The Master Has a Butt 

12 – We Kill Everything 

13 – Child

14 – Penile Drip

15 – Mary Anne

16 – Friend

 

Formação

  • Dave Brockie (Oderus Urungus) – vocal principal
  • Tim Harris ( Flattus Maximus ) – guitarra/ backing vocal
  • Mike Derks (Balsac the Jaws of Death) – guitarra/ backing vocal/ vocal principal em “Mary Anne”
  • Mike Bishop ( Beefcake the Mighty ) – baixo/ backing vocal
  • Brad Roberts ( Jizmak Da Gusha ) – bateria/ percussão
  • Hunter Jackson ( Scroda Moon ) – vocal principal em “Tune from Da Moon” e “Jiggle the Handle”
  • Danielle Stampe ( Slymenstra Hymen ) – vocal principal em “My Girly Ways” e “Jiggle the Handle”
  • Bob Gorman (Portal Potty) – Vocais adicionais em “Jiggle the Handle” (não creditado)

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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