Há 31 anos, o Van Halen lançava “Balance”, o disco que expôs as rachaduras finais da banda

Há 31 anos, em 24 de janeiro de 1995, o Van Halen lançava “Balance“, décimo play desta saudosa banda e que é tema do nosso bate-papo deste sábado.

Lançado em 24 de janeiro de 1995, Balance marcou um momento decisivo na história do Van Halen. Mais introspectivo e carregado emocionalmente do que seus antecessores, o álbum expôs tensões internas que já não podiam mais ser escondidas e acabou se tornando o último registro de estúdio da banda com Sammy Hagar. Trinta e um anos depois, o disco permanece como um retrato honesto de uma banda no auge técnico, mas à beira da ruptura.

O álbum é o último a contar com o vocalista Sammy Hagar e também o último com o baixista Michael Anthony. De acordo com o livro de Ian Christe, “Everybody Wants Some: The Van Halen Saga“, Hagar estava em guerra com os irmãos Van Halen desde que o álbum foi lançado e isso acabou causando sua demissão. Eddie Van Halen, por sua vez, estava sóbrio depois de algum tempo e durante o período de composição, conseguiu escrever três músicas em um período de meia hora, sem beber uma gota sequer de álcool. Mas como ele conta abaixo, teve uma recaída. 

“Houve uma variedade de conflitos surgindo entre o empresário Ray Danniels , Sammy e a banda desde que parei de beber em 2 de outubro de 1994… Ficou tão ruim que comecei a beber novamente.”

A banda havia lançado o álbum ao vivo “Live: Right Here, Right Now“, no ano de 1993 e após um período de descanso, eles se reuniram para as gravações, que ocorreram entre 25 de maio e 2 de setembro de 1994. Dois estúdios foram utilizados: o 5150 Studios, de propriedade de Eddie, e alguns vocais foram gravados no estúdio Little Mountain, em Vancouver, no Canadá, onde o produtor Bruce Fairbairn residia. O álbum foi masterizado no Sterling Sound, em Nova Iorque. 

O álbum iria se chamar “The Seventh Seal“, mas eles optaram por escolher “Balance“, segundo Alex Van Halen, por conta das turbulências que a banda passava e também pela morte do empresário de longa data, Ed Leffler, em 16 de outubro de 1993. Então, o fotógrafo Glen Wexler criou o conceito da capa, trazendo gêmeos siameses em uma gangorra.

Ainda sobre a capa, Wexler depois contou que a capa do álbum trazia uma série de ironias: a impossibilidade dos gêmeos siameses realmente brincarem na gangorra; o gêmeo ‘calmo’ na verdade sendo o agressivo, puxando o cabelo de seu irmão para criar a aparência de uma criança agressiva; e não ter mais ninguém para brincar em um cenário pós-apocalíptico desolado, no qual equipamentos de playground inutilizáveis são o único objeto à vista. No interior, o CD mostra Leonardo da Vinci desenhando o Homem Vitruviano, e a parte de trás do livreto mostra um ovo equilibrado em pé sobre uma guitarra.

Bolacha rolando, temos 12 faixas, sendo três delas instrumentais, duração total de 51 minutos e é considerado por muitos como um direcionamento mais sério. Algumas canções, como “The Seventh Seal“, “Take me Back (Déjà Vu)” e “Strung Out“, que foram compostas muitos anos antes de eles iniciarem os trabalhos para o álbum. “Don’t Tell Me (What Love Can Do)“, traz uma reflexão sobre o suicídio de Kurt Cobain. Os grandes destaques são as baladas “Can’t Stop Lovin’ You” e “Not Enough“. 

O álbum não foi tão bem recebido pela crítica especializada. Muitos sentiram falta das letras que falavam sobre os prazeres da vida, típicas da época em que David Lee Roth. Em compensação, o público consumiu muito o novo lançamento do Van Halen. “Balance” ficou no topo da “Billboard 200”, foi 2° no Japão e no Canadá, 5° nos Países Baixos, Finlândia e Suécia, 6° na Suiça, 8° no Reino Unido e na Alemanha, 9° na Austrália e na Escócia, 16° na Nova Zelândia, 17° na Noruega e 18° na França. Foi certificado com Disco de Ouro no Brasil (veja só caro leitor, uma cena rara, um álbum de Rock ganhando tal certificação em nossas terras), Platina no Japão e Triplo Platina no Canadá e nos Estados Unidos. 

A banda ainda conseguiu sair em turnê, que foi batizada de “Ambulance Tour“, em decorrência do problema que Eddie teve no seu quadril e seu irmão Alex que precisou usar um colar cervical. Duas apresentações, realizadas no Molson Amphitheatre, em Toronto, Canadá, chegaram a passar na tv a cabo como um evento a lá carte. Houve a possibilidade deste material se transformar em um DVD, fato que acabou não acontecendo, até porque Sammy Hagar acabou sendo demitido do posto de vocalista e eles tentaram emplacar o ex-frontman do Extreme, Gary Cherone

Se hoje o Van Halen não está mais em atividade e não há a possibilidade de reativar a banda sem seu guitarrista, hoje é dia de celebrar o mais novo trintão da cena. E enquanto escutamos essa pérola no volume máximo, vamos aguardando as novidades prometidas por Alex Van Halen. Ele declarou que pretende lançar material inédito que ele e seu irmão não aproveitaram nas sessões de gravações dos álbuns da banda. 

Balance – Van Halen 

Data de lançamento – 24/01/1995

Gravadora – Warner 

 

Faixas:

01 – The Seventh Seal

02 – Can’t Stop Lovin’ You

03 – Don’t Tell Me (What Love Can Do)

04 – Amsterdam

05 – Big Fat Money

06 – Strung Out

07 – Not Enough

08 – Aftershock

09 – Doin’ Time

10 – Baluchitherium 

11 – Take Me Back (Déjà Vu)

12 – Feelin

 

Formação:

  • Eddie Van Halen – guitarra/ teclado/ backing vocal
  • Sammy Hagar – vocal/ guitarra
  • Michael Anthony – baixo/ backing vocal
  • Alex Van Halen – bateria/ percussão 

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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