Halestorm faz show com rock moderno e exageros no Monsters of Rock
O Halestorm consolidou-se ao longo dos últimos anos como um dos principais nomes do rock moderno. Com uma carreira construída sobre turnês intensas, presença de palco marcante e um público fiel, o grupo liderado por Lzzy Hale vem, ano após ano, elevando seu status dentro do cenário internacional e conquistando novos ouvintes ao redor do mundo.
Em 2025, a banda viveu um momento simbólico ao participar do evento “Back to the Beginning”, que marcou a despedida dos palcos de Ozzy Osbourne. Na ocasião, o quarteto apresentou um cover de “Perry Mason”, reafirmando sua conexão com a tradição do hard rock. O período também foi marcado pelo lançamento de “Everest”, álbum aguardado pelos fãs e que serviu como base para a nova turnê. Foi justamente com esse repertório renovado que o Halestorm retornou ao Brasil em 2026, figurando entre as atrações do Monsters of Rock, além de realizar uma apresentação de abertura para o Guns N’ Roses em Porto Alegre e outra em Curitiba.

No festival, a banda entrou como a quarta atração do dia e iniciou sua performance com “Fallen Star”. A faixa, sustentada por riffs consistentes e versos cadenciados, trouxe um refrão forte que rapidamente encontrou eco na plateia, mostrando que havia um público considerável aguardando pelo momento do grupo no palco. Em seguida, “Mz. Hyde” destacou a evolução vocal de Lzzy Hale. Em comparação à gravação original, a cantora demonstra hoje uma interpretação mais robusta e segura, refletindo o amadurecimento técnico adquirido ao longo dos anos.
Esse crescimento, no entanto, também revelou um traço recorrente durante o show. Embora sua voz rasgada seja um dos pontos fortes do Halestorm, Lzzy Hale exagerou no uso de gritos entre as músicas e nos intervalos delas. O recurso, que impressiona aos fãs e aos mais desavisados, acabou se tornando repetitivo ao longo da apresentação, gerando uma sensação de excesso e cansaço, se tornando completamente desnecessário.

Quando a banda apostou em faixas mais diretas, o resultado foi mais eficiente. “Love Bites (So Do I)” elevou a temperatura do público e mostrou o grupo em sua melhor forma, com energia e impacto. Em contrapartida, momentos como “Like A Woman Can” soaram arrastados, funcionando mais como agrado aos fãs já familiarizados com o repertório. O mesmo ocorreu com “Rain Your Blood On Me”, que apresentou um andamento menos empolgante para quem não acompanha a banda, novamente com exageros vocais e se tornando um grande exercício de paciência ouvi-lá no todo.
Confiante em sua trajetória, o Halestorm ainda encontrou espaço para inserir um solo de bateria no meio do set — uma escolha ousada para o contexto de festival, mas que reforça a segurança do grupo em sua proposta. Musicalmente, a banda demonstrou entrosamento e domínio de palco, embora algumas “molecagens” ainda apareçam e, possivelmente, sejam ajustadas com o tempo.

Lzzy Hale, por sua vez, permaneceu como o grande destaque. Mesmo tocando guitarra durante boa parte do show, manteve movimentação constante e carisma suficiente para sustentar a atenção do público. Sua presença de palco é um dos pilares do Halestorm e ajuda a explicar a influência que exerce sobre uma nova geração de garotas no rock que se espelham nela.
O Halestorm entregou uma apresentação sólida, marcada por confiança, ainda que com excessos pontuais. Com repertório forte e uma frontwoman carismática, a banda reafirma seu lugar entre os nomes relevantes do rock contemporâneo. Ajustando alguns exageros e refinando a dinâmica de palco, o grupo tem tudo para transformar boas performances em shows ainda mais memoráveis no futuro e que com certeza o Brasil irá abraçá-los mais e mais.
Foto: Ricardo Matsukawa



