Judas Priest: 45 anos de “Point of Entry” e o flerte com o mainstream

Há 45 anos, em 26 de fevereiro de 1981, o Judas Priest lançava “Point of Entry“, o sétimo álbum da rica discografia da banda britânica e que é tema do nosso bate-papo desta quinta-feira.

Lançado com uma diferença de apenas dez meses após o grande clássico da banda, “British Steel“, eles começaram os trabalhos de composição logo após o final da “British Steel Tour”, que foi muito rápida. Todos os fãs esperavam por um trabalho que trouxesse a mesma energia deste álbum.

Então o Judas adotou um direcionamento musical mais radiofônico para “Point of Entry“. Na ocasião, a banda possuía recursos financeiros que permitiram que todos levassem seus instrumentos para a ilha de Ibiza, na Espanha, onde permaneceram nos meses de outubro e novembro de 1980 gravando o aniversariante do dia. A produção foi assinada por Tom Allom e pela própria banda. A gravação resultou em uma apresentação que se assemelha com a performance da própria banda ao vivo.

O álbum tem duas capas diferentes. A versão européia continha uma intrigante e colorida espécie de asa de metal futurista sobre uma foto do horizonte, projetada por Roslav Szaybo. Já as versões do Canadá, Estados Unidos, Brasil, Austrália, Hong Kong e Japão retrata papel timbrado contínuo para simular a linha no meio da estrada com caixas de papelão brancas na parte de trás, e foi desenhada por John Berg, da Columbia Records. Glen Tipton certa vez falou sobre sua insatisfação com ambas as capas. Aspas para ele:

“A capa era horrível, e temos que culpar a gerência por isso porque eles não pesquisaram o suficiente para obter uma que fosse adequada. A capa americana era diferente, mas acabou sendo ainda pior!”

O álbum é relativamente curto, são dez faixas, em breves 37 minutos e alguns destaques, como as faixas “Don’t Go“, “Hot Rockin‘”, “All the Way” e “Troubleshooter“, que dão ao nosso homenageado uma sonoridade bem honesta, apesar de mais inclinada ao mainstream. Entretanto, o baixista Ian Hill discorda. Aspas para ele:

“Pareceu… as pessoas acham que é apenas um álbum comercial. E não é, há algumas boas músicas lá. E eu acho que é esquecido”.

Point of Entry” recebeu críticas mistas por parte da imprensa especializada e teve uma boa aceitação entre o público. Nos charts mundo afora, o play alcançou a posição número 14 na Suécia e no Reino Unido; 18° na Finlândia, 19° na Alemanha, 30° na “Billboard 200“, 32° na Noruega e 42° no Canadá. Foi certificado com Disco de Ouro no Canadá e Disco de Prata no Reino Unido.

O Judas Priest saiu na turnê “World Wide Blitz Tour“, onde eles se apresentaram pela Europa e América do Norte entre os dias 13 de fevereiro e 14 de dezembro de 1981, em um total de 114 apresentações. A música “Solar Angels” abria os shows durante a tour, e “Troubleshooter” também foi tocada em algumas apresentações. “Don’t Go“, “Turning Circles“, “You Say Yes“, “All the Way” e “On the Run“, jamais foram tocadas ao vivo, enquanto que algumas outras, como “Desert Plains” e “Hot Rockin‘” foram tocadas, em algumas apresentações nos anos 1980.

A banda soltou três singles, que saíram juntamente com os respectivos videoclipes, ajudando na divulgação do álbum: “Heading out to the Highway“, “Don’t Go” e “Hot Rockin‘”. Em 2001, o álbum recebeu uma edição comemorativa dos vinte anos, com uma nova masterização e um texto no encarte que dizia:

“Gravado na ilha de Ibiza com múltiplas distrações, sol glorioso e álcool de custo extremamente baixo, este álbum foi visto com sentimentos mistos porque era diferente do que as pessoas esperavam. O álbum foi quase todo escrito espontaneamente e tocado em Ibiza – foi um experimento no sentido de que antes disso já tínhamos escrito a maioria das músicas antes de entrar no estúdio.”

Hoje é dia de celebrar esse álbum, que é um tanto quanto esquecido, é bem verdade, mas de extrema importância na história do Judas Priest, um dos grandes nomes do Heavy Metal em todos os tempos. Felizmente, eles seguem em plena atividade, tendo lançado em 2024, o ótimo “Invencible Shield“. O documentário da banda acabou de ser lançado também, com produção de Tom Morello e mostra como Rob Halford se impôs em sua luta pela inclusão e contra o fascismo. Longa vida ao Judas Priest.

Point of Entry – Judas Priest
Data de lançamento – 26/02/1981
Gravadora – CBS

Faixas:
01 – Heading Out to the Highway
02 – Don’t Go
03 – Hot Rockin’
04 – Turning Circles
05 – Desert Plains
06 – Solar Angels
07 – You Say Yes
08 – All the Way
09 – Troubleshooter
10 – On the Run

Formação:

  • Rob Halford – vocal
  • K.K. Dowing – guitarra
  • Glen Tipton – guitarra
  • Ian Hill – baixo
  • Dave Holland – bateria

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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