Kiko Loureiro relembra treta com o Massacration

Durante a edição de 2006 do Prêmio Dynamite de Música Independente, lembra que Kiko Loureiro e o Massacration protagonizaram um momento de estranhamento.

Durante a apresentação do prêmio de Melhor Banda do Ano, o Massacration acabou ganhando e Kiko pareceu não gostar muito da escolha e fez o seguinte comentário: “tanta boa aí, mas quem ganhou foi o Massacration“. Logo após sua fala, o guitarrista foi pego de surpresa com os membros da banda vencedora saindo de trás de uma cortina logo atrás dele.

Em participação no podcast Futeboteco, Kiko Loureiro relembrou o momento e disse, conforme transcrito pelo Confere Rock, ao ser questionado sobre os comentários de Bruno Sutter não ter gostado da sua fala:

Mas eu falei isso mesmo: “Tanta banda legal… o Massacration vai ganhar.

Não, não… foi meio na brincadeira, talvez. Mas, na realidade, eu cheguei de viagem naquele dia e não sabia de nada — tanto que eu nem sabia que eles estavam lá. Por isso que ele fala: “O cara nem sabia que a gente estava aqui”. Eu cheguei atrasado, entrei pela frente do teatro, não passei pelo camarim nem nada. Subi direto para receber um prêmio — ganhei como melhor álbum do ano — e, como já tinha recebido, fui chamado para entregar o prêmio de melhor banda do ano. Então eu estava lá, com o prêmio na mão, pronto para anunciar. Tinha várias bandas que eu conhecia, lembro que tinha o Karma, entre outras… e o Massacration ganhou. E aquilo saiu meio que natural, sabe?

Ele continua:

Porque, naquele momento, para mim, o Massacration ainda era Hermes e Renato. Não era algo sério. Era um grupo de comédia. Era como se o Danilo Gentili resolvesse fazer uma banda de metal e cantar, ou a Tatá Werneck fizesse uma paródia. Era assim que eu via. Na época, tinha muito isso — o Casseta & Planeta fazia paródias musicais, o Hermes e Renato também. Eles faziam com metal, com samba… enfim.

E o Massacration, para mim, era uma brincadeira com o próprio universo do metal, meio que uma gozação com aquilo tudo, inclusive com o próprio evento. Depois eu fui entender melhor. Fiquei sabendo que o Bruno cantava de verdade, que os caras tocavam mesmo. Mas, naquele começo, eu não tinha essa percepção. Para mim, ninguém ali tocava sério, era tudo zoeira. Então, quando eu vi várias bandas batalhando, e quem ganhou foi um grupo de humor da MTV… foi isso que passou pela minha cabeça naquele momento.

Durante uma participação em outro podcast, Bruno Sutter comentou o ocorrido e explicou que foi conversar com Kiko após o ocorrido:

Depois que a gente recebeu o prêmio, eu subi lá e falei: “Porra, cara, por quê? Por que você falou aquilo?”. Porque eu sou muito fã de Angra, sabe? E o Angra já tinha participado do Hermes e Renato. A gente convidou o Angra para fazer um sketch com o Massacration, na época do lançamento do Rebirth, lá por 2000. Eles foram lá, participaram, e eu cantei “Nova Era” com eles. Aí eu pensei: “Porra, o cara vai querer zoar humorista? Não dá. É igual querer bater em sombra, em fantasma. A gente já é casca-grossa nisso”.

Mas eu também entendo que, na cabeça deles, deve rolar aquele pensamento: “A gente faz um puta trabalho e aí vem um negócio zoado e cresce”.

Sutter diz que após anos, se acertou com Kiko Loureiro:

Depois, um dia, eu troquei uma ideia mais séria com ele. A gente ia tocar no mesmo evento, sentamos, conversamos… eu expliquei meus pontos, ele explicou os dele, e a gente se acertou. No fim das contas, foi um mal-entendido mesmo. O importante é a gente se fortalecer, porque o metal hoje está tão à margem da mídia que ficar brigando por um espaço que já é pequeno não ajuda em nada. Hoje em dia, eu sou parceiro de todos eles. O Kiko é um cara que eu admiro pra caramba, porque ele tem aquela cabeça meio Bruce Dickinson, sabe? Nunca está satisfeito, sempre quer evoluir.

Foto Kiko Loureiro: André Tedim

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *