Limp Bizkit promove ode insana ao nu-metal em meio ao caos e rojões
O nu-metal surgiu em meados dos anos 1990, enfrentando todo tipo de preconceito possível em meio aos mais tradicionais fãs do gênero e que afirmavam que a “nova roupagem” dos bermudões e meiões não fazia parte do movimento, pois a sua mistura com rap e um visual mais despojado, não representavam o couro e cabelos longos de outra era.Com o passar dos anos, bandas como o Korn, Slipknot, System of a Down, Deftones, entre outras várias, mostraram que tinham um propósito e ao longo dos anos foram galgando sua fanbase, que se viam representados nas letras que tratavam medos, traumas e bullying.
Em meio a essas bandas da primeira leva estava o Limp Bizkit, talvez uma das mais execradas pelos puristas do metal, pois trazia ao máximo a mistura com o hip-hop, fosse na sua estética visual ou em suas letras, que tratavam de raiva e ostentação, e sua figura central, o vocalista Fred Durst, sempre foi alguém polêmico.

Mas assim como o “alto escalão” do movimentoao ao qual pertence, sendo uma das primeiras e principais do gênero, o Limp Bizkit encontrou seu ponto, encontrou seus fãs e criou uma verdadeira legião de seguidores, que hoje entendem melhor o “humor” com que a banda trabalhou ao longo de todos esses anos e hoje entrega no palco não menos do que um dos melhores shows que se tem em cima de um palco. Foi isso que pudermos ver no último sábado (20), no Allianz Parque, quando pela primeira vez, Fred, Wes Borland, John Otto e Dj Lethal, se apresentaram em um estádio no Brasil durante um show só seu, ainda que com demais atrações de abertura, os anfitriões estavam lá. Se juntando a eles, estava o baixista Richie “Kidnot” Buxton, que substituiu Sam Rivers, que morreu em outubro deste ano.

As 9:20 da noite, após um desfile de atrações durante o dia (leia aqui), as luzes do estádio se apagaram, e o telão acendeu com os dizeres “Sam Rivers Legendary“, e ali se seguiu uma homenagem ao baixista, amigo e parceiro que se foi, mostrando imagens de diversos períodos diferentes do músico e os demais integrantes da banda assistindo a homenagem ao som da música “Drown“.
Ao final, as luzes se acendem, cada um assume seu posto e Fred avisa: “São Paulo, esta será uma noite para Sam Rivers“. Borland lança o primeiro riff de “Break Stuff“, e daqui em diante, o caos reinou dentro daquele estádio! Depois das apresentações do System of a Down, o nível de caótico no Brasil subiu uma régua, mas o Limp Bizkit iria conseguir colocar um degrau acima, ainda que parecesse inimaginável.
É notável como a perda repentina de Sam atingiu a todos ali, que, apesar do clima de festa, mostram sentirem falta do parceiro que esteve ali desde os primórdios da banda, mas principalmente Fred, que a todo momento entre uma música e outra cita o nome do amigo.

Logo ao final da primeira faixa, Wes lança os riffs iniciais de “Master of Puppets” do Metallica, e dá espaço a “Hot Dog“, com sua mensagem do “deixa pra lá” bem característica da banda e com o público já aceso, pois a maioria ali estava se guardando para o prato principal, ainda que pouco antes durante o show do Bullet For My Valentine, alguns sinalizadores começaram aparecer e algumas rodas surgiram. Mas a energia estava canalizada aqui.
“Show Me What You Got” desafia os presentes a mostrarem o que têm e a resposta vem com força, principalmente da pista comum, que se mostrava ensandecida com a todo momento sinalizadores faiscando ao ar e provocando o caos que esperávamos ver. “If only we could fly” era a frase que muitos (inclusive eu) esperavam ouvir e o Allianz veio abaixo quando ela foi pronunciada. Era o início de “My Generation“, um dos maiores clássicos do nu-metal e ela foi recebida com uma plateia pulando desde a pista até as arquibancadas, num mar de bonés vermelhos e as mais variadas vestimentas, indo de Pikachu a Jesus Cristo e um Tiranossauro Rex.

A essa altura a adrenalina já em alta recebe um “Walk” do Pantera tocado por Lethal e a plateia responde à altura, claro! “My Way” e “Rollin” soam de forma estrondosa em uníssono com o público, dois pontos gigantes da carreira do Limp Bizkit e que reafirma o que foi dito no começo desse texto; a banda superou críticos chatos que o detrataram no início da carreira, assim como o público mais conservador do heavy metal e encontrou o seu nicho, encontrou o público que aprecia e leva com humor o que a banda entrega, pela alta energia, pela dinâmica no palco que é extremamente bem realizada e claro, ao som potente e instigante que é tocado durante a uma hora e meia, que passam voando.

Fred dedica a faixa seguinte a Rivers, e Buxton lança os primeiros acordes do baixo que introduz “Re-Arranged“, que é um momento um pouco mais calmo, coisa rara nesta noite, mas que viria ainda mais potencializado com “Behind Blue-Eyes“, que é a hora para colocar ar nos pulmões e dar um descanso as pernas em meio as lanternas acesas e um coro de respeito cantando o refrão junto.
Fred então brinca “estar com fome”, e é a deixa para “Eat You Alive“, música lançada no período em que Wes Borland estava fora da banda, mas que virou o maior hit dessa fase do grupo e hoje sempre compõe o setlist e tem ótima aceitação com o público. “Nookie” então surge como uma das mais aguardadas da noite e não decepciona, criando um dos momentos mais emblemáticos da noite com o chão tremendo com pessoas pulando ao som do refrão e fumaça de sinalizadores espalhando por todo lugar. A sequência trouxe a fã Bia ao palco para um dueto com Fred em Full Nelson e a jovem não fez feio, pois se portou no palco como se já fosse íntima do mesmo e deu show!
Daí em diante tivemos “Boiler“, incrivelmente bem executada ao vivo, o momento “dança” com Lethal mandando “Careless Whispers” de George Michael, com casais dançando e este era o prenúncio de “Faith“, cover do cantor que o Limp Bizkit lançou em seu primeiro álbum e se tornou mais um grande hino do new-metal em sua época de ouro nos 90.
Quando achávamos que já estávamos caminhando para o final, o que tínhamos para ver já tinha sido visto, a régua de nível subiu. Como dito, o System of a Down colocou um padrão aos shows no Brasil, mas neste sábado, veríamos mais um patamar ser alcançado. Fred diz que vai rolar um tributo ao ator Tom Cruise, e claro que todos sabiam que “Take a Look Around“, que foi tema do filme Missão: Impossível 2, viria a seguir e assim foi feito com as primeiras conhecidas e icônicas notas da música que começaram a ser tocadas por Wes Borland. Porém, no meio da faixa, nada menos do que um rojão surge do meio da plateia e ilumina os céus com uma explosão que entra em sincronia perfeita com a potência da música e cria um momento histórico para os ali presentes.
As luzes do Allianz se acendem e mais uma vez, os riffs de “Break Stuff” surgem e o que era caótico, agora é infernal! Um estádio inteiro pulando, sinalizadores por todos os cantos, rodas gigantescas, e TODAS as bandas que passaram pelo palco naquele dia, ali outra vez! Limp Bizkit, Bullet For My Valentine, 311, Ecca Vandal, Riff Raff e Slay Squad, ali gritando “just give me somethig break” em conjunto com o público, encerrando assim a Loserville Tour que percorreu toda a América Latina e teve seu epílogo aqui no Brasil, em um momento quase ritualístico e que nunca vai sair da mente de quem esteve presente.
O Limp Bizkit fecha o circuito de shows, cada vez mais ativo no Brasil e entrega uma noite de diversão, caos e energia explodindo, promove uma ode ao nu-metal em meio ao caos e rojões! Mas acima disso, eles mostram que não estão nem aí para quem os critica, seja vinda do cara ligado no tradicional, seja o autor de artigos buscando vias para tentar denegrir o trabalho entregue, nada disso importa durante os minutos que a banda está no palco. Eles se entregam e garantem uma noite espetacular que não dá descanso a ninguém e domimam o palco como sua segunda, talvez até sua primeira casa e certamente essa noite do dia 20 de dezembro de 2025 entra para a história tanto da banda como dos ali presentes como um dos dias mais memoráveis em suas histórias! Que venha o próximo!
Fotos: b+ca/30e

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