Mark Tremonti relembra a risória quantia que recebeu quando trabalhou como staff em show de Ozzy Osbourne

O guitarrista Mark Tremonti, conhecido por seu trabalho com as bandas Alter Bridge e Creed, relembrou uma história inusitada de seus primeiros anos ligados ao rock: ele trabalhou como membro da equipe local (local crew) em um show de Ozzy Osbourne em 1993, quando ainda era universitário — e essa experiência o inspirou a perseguir uma carreira na música.

Em entrevista ao TotalRock, Tremonti contou que, na época, era calouro na Clemson University, na Carolina do Sul, e viu um grande formulário de inscrição para trabalhar na equipe local de um show de Ozzy Osbourne — pago por US$ 40 para o dia de trabalho. O número de interessados era enorme, mas ele conseguiu uma vaga quando um dos candidatos desistiu, após demonstrar grande empolgação:

“Eu trabalhei como membro da equipe local da turnê do Ozzy quando estava na faculdade. Sim, em 1993. Eu era calouro na Universidade Clemson, na Carolina do Sul, e estava indo para o refeitório quando vi uma grande lista de inscrição: ‘ Turnê do Ozzy Osbourne . Precisa-se de equipe local.’ Devia ter umas 350 assinaturas. E era tipo, ’40 dólares por dia’.” Então, todo mundo ganhava 40 dólares trabalhando o dia todo, mas valia a pena todo o esforço. Enfim, fui assinar a lista e o momento foi perfeito — era quase como se eles soubessem que meu futuro seria nesse ramo. Foi isso que me motivou ainda mais. Um cara veio tirar a placa e disse: “Só para você saber, uma das pessoas mais bem cotadas da lista disse que não podia, então se você quiser ocupar o lugar dela…” Porque ele viu o quanto eu estava animado. Eu disse: “Claro!” E consegui o emprego.”


Bastidores, trabalho pesado e memórias marcantes

Tremonti disse que se voluntariou para todas as tarefas possíveis, trabalhando tanto na equipe de pré-show quanto na de pós-show, o que lhe garantiu acesso aos bastidores, ao ônibus de turnê de Ozzy Osbourne e até a equipamentos dos músicos. Embora não tenha chegado a conhecer pessoalmente Zakk Wylde, guitarrista na época, ele chegou a tocar nas guitarras dele e se sentiu profundamente motivado ao vivenciar o ambiente profissional dos bastidores.

“Eu me ofereci para tudo, porque tinha um grupo de umas 20, 30 pessoas lá dentro. Eles perguntavam: ‘Quem quer fazer isso?’ ‘Quem quer fazer aquilo?’ E eu respondia: ‘Eu, eu, eu, eu.’ Então, depois disso, me ofereci para trabalhar praticamente de graça na segunda metade do dia, porque tinha uma equipe de pré-show e outra de pós-show. Trabalhei nas duas equipes pelos mesmos 40 dólares. E fiquei por lá. Consegui entrar no ônibus de turnê do Ozzy e ver imagens de um DVD que eles estavam gravando, ou talvez fosse uma fita naquela época. E aí pude tocar nas guitarras do Zakk Wylde. Não cheguei a conhecer o Zakk . Eu ficava dizendo para eles: ‘Eu adoraria conhecer o Zakk .'” E Zakk, simplesmente não aconteceu. Mas 
o Alice in Chains ia abrir o show. O Sepultura era a primeira banda. Então, como você pode imaginar, eu estava nos bastidores cuidando dos equipamentos, da iluminação e tudo mais, pensando: ‘Preciso fazer isso da minha vida.'”

Tremonti ainda conta se teve oportunidade de contar essa história a Zakk:

“De todos os músicos com quem não consegui passar um tempo de qualidade, Zakk é um deles. Nossos caminhos simplesmente não se cruzaram muito. Encontrei-o uma ou duas vezes, e ele é um cavalheiro, mas sempre havia umas 20 outras pessoas por perto. A última vez que o vi foi em uma feira da NAMM , e estavam eu, Zakk, Kerry King, Jerry Cantrell, Vinnie Paul e toda aquela fila de… sabe, muitos dos meus ídolos. Então, não era muito propício para sentar e ter uma conversa profunda.”


Impacto duradouro na carreira

Em julho de 2025, um dia após a morte de Ozzy Osbourne, Tremonti postou nas redes sociais que nunca esqueceria aquele dia em que trabalhou como staff local no show de Ozzy em Clemson, descrevendo a experiência como “o tempo da minha vida” e afirmando que ela o fez perceber que era aquilo que ele queria fazer pelo resto de sua vida.

Essa história, além de curiosa, mostra um momento formativo na vida de Tremonti, que saiu do trabalho nos bastidores para se tornar um dos guitarristas mais respeitados do rock e do metal contemporâneo, tanto com o Creed quanto com o Alter Bridge — e também em seus projetos solo.


Próximos passos de Tremonti e Alter Bridge

Além de recordar essa experiência marcante, Tremonti segue ativo no cenário musical: o Alter Bridge anunciou o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, autointitulado, previsto para 9 de janeiro de 2026, e já planeja turnês pela Europa e pelos Estados Unidos ao longo do ano. A banda também virá ao Brasil este ano como abertura para as duas datas do Iron Maiden que acontecem nos dias 25 e 27 de outubro deste ano, em São Paulo, no Allianz Parque e ambos estão com ingressos esgotados.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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