Megadeth: 38 anos de “So Far, So Good… So What!”

Há 38 anos, em 19 de janeiro de 1988, o Megadeth lançava “So Far, So Good… So What!”, terceiro álbum de sua extensa discografia, e que será tema do nosso papo desta segunda-feira. Venha conosco. 

Quando a turnê de “Peace Sells… But Who’s Buying?” se findou, Dave Mustaine optou por demitir o guitarrista Chris Poland e o baterista Gar Samuelson. Ambos abusavam do uso de drogas, o guitarrista, inclusive, costumava penhorar os equipamentos da banda para pagar as drogas. Nesta época, Mustaine também era usuário costumaz de entorpecentes, e nem ele suportou. 

Para o lugar de Chris Poland, Mustaine recrutou Jay Reynolds, do Malice, mas ele não ficou muito tempo, dando lugar à Jeff Young. Na época, Slash chegou a ser cogitado para assumir a guitarra. E na bateria, Chuck Behler, que era técnico de bateria de Gar Samuelson, assumiu o posto. Na época, Dave Lombardo cogitou trocar o Slayer pelo Megadeth. Este é o único disco com participação de Jeff Young e Chuck Behler. 

Pela primeira vez, Mustaine permitiu que outros músicos do Megadeth participassem do processo de composição, que antes era exclusividade do líder da banda. David Ellefson começava a colaborar, e em nosso aniversariante, ele é co-autor de duas canções: “Mary Jane” e “In my Darkest Hour”. 

Sobre as letras, “Set the World Afire” é uma das primeiras composições de Dave, quando a banda ainda se chamava Mechanix. Na primeira demo, ela foi lançada sob o título “No Time”. Depois, o título foi alterado para “Burnt Offerings”, sendo alterada para o nome final quando entrou no álbum. Suspeita-se que a mudança se deu devido ao fato de o Testament ter lançado uma música com o mesmo nome, um ano antes, no álbum “The Legacy”. A música fala sobre holocausto nuclear, que na época era uma ameaça real, em tempos de guerra fria. 

“Liar” é dedicada ao ex-guitarrista Chris Poland. “502” é o código penal dos Estados Unidos para quem é flagrado dirigindo sob efeito de álcool. “Hook in Mouth” é uma crítica ao PMRC, que coloca os adesivos “Parental Advisory” nas capas dos álbuns e fala sobre a liberdade de expressão. “In my Darkest Hour”, que sempre é citada como uma homenagem de Mustaine à Cliff Burton, na verdade foi composta quando o líder do Megadeth soube de seu falecimento. A música fala sobre solidão e isolamento. 

Mustaine cogitou gravar a música “Problems”, do Sex Pistols. Depois, quis incluir um medley para as músicas “Problems” e “Anarchy in the U.K.”, mas acabou incluindo somente esta última, que contou com a participação do guitarrista Steve Jones. Como Johnny Rotten se recusou a enviar a letra para Mustaine, a versão do Megadeth contém alguns pequenos erros. Anos mais tarde, o Megadeth gravou uma versão para “Problems”, que entrou no EP “Hidden Treasures”, de 1995. 

A banda se juntou no estúdio Music Grinder, em Los Angeles, durante o ano de 1987, tendo Dave Mustaine na produção. A mixagem foi bem trabalhosa, e teve início com Paul Lani, mas Mustaine, insatisfeito com a excentricidades do profissional, pediu sua cabeça e entregou a mixagem para Michael Wagener. O líder do Megadeth não ficou satisfeito com o Trabalho de Wagener na mixagem, mas não alterou a qualidade do produto final. 

Dando play na bolacha, o Megadeth trouxe um álbum coeso, rápido, cru e que rapidamente se tornou um clássico da banda. São 8 músicas em breves 34 minutos, e alguns clássicos como “In My Darkest Hour”, “Hook in Mouth”, “Set the World Afire” e o cover para “Anarchy in the U.K.”. Algumas músicas deste play ainda são obrigatórias nas apresentações da banda até os dias atuais. 

O álbum foi bem recebido pela crítica especializada e seguia conquistando mais e mais fãs. Nas paradas musicais, o desempenho foi satisfatório: 5° na Finlândia, 18° no Reino Unido, 28° na “Billboard 200”, mesmo sem tocar nas rádios de lá. Na Suiça, também ficou em 28°, 37° na Suécia, 41° na Nova Zelândia, 51° nos Países Baixos e 57° no Japão.

Após a turnê de divulgação, que terminou em 1989, o guitarrista Jeff Young e o baterista Chuck Behler saíram, e entraram em seus lugares, Marty Friedman e Nick Menza, respectivamente, formando assim, o mais famoso lineup que o Megadeth já ostentou. O álbum subsequente, “Rust in Peace”, seria a prova cabal. A banda viveria um dos períodos mais tranquilos em relação a sua formação. 

Hoje é dia de celebrar esse clássico que envelhece cada vez melhor. Faltando quatro dias para o lançamento do último álbum do Megadeth, a ansiedade dos fãs pelo material novo é enorme e a sensação de despedida da banda traz um sabor agridoce. Dave Mustaine fez um trabalho excepcional e merece terminar sua história por cima. 

So Far, So Good… So What! – Megadeth

Data de lançamento – 19/01/1988

Gravadora – Capitol 

 

Faixas

01 – Into the Lungs of Hell 

02 – Set the World Afire 

03 – Anarchy in the U.K.

04 – Mary Jane 

05 – 502 

06 – In My Darkest Hour 

07 – Liar 

08 – Hook in Mouth

 

Formação

  • Dave Mustaine – vocal/ guitarra
  • David Ellefson – baixo/ backing vocal
  • Jeff Young – guitarra
  • Chuck Behler – bateria 

 

Participação especial

  • Steve Jones – guitarra em “Anarchy in the U.K.”

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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