Metal Church: há dez anos, Mike Howe retornava e banda lançava “XI”
Há dez anos, em 25 de março de 2016, o Metal Church lançava “XI“, o décimo primeiro álbum da veterana banda do noroeste dos Estados Unidos, e que é tema do nosso bate-papo desta quarta-feira.
O álbum marca o retorno do vocalista Mike Howe, depois de vinte anos longe da banda. O último álbum gravado com o Metal Church foi “Hanging in the Balance“, em 1993. Ele saiu em 1995 e em 2015 havia acertado o retorno, onde ficou até 2021, quando tirou a sua própria vida. Coincidentemente, ele nos deixou na mesma fatídica data que Joey Jordison, ex-baterista do Slipknot também partiu.
Ao retornar à banda, Howe deu uma entrevista explicando o seu sumiço da cena por longos vinte anos. Vamos reproduzir abaixo;
“Eu desapareci do radar porque a indústria fonográfica realmente me decepcionou. As coisas estavam mudando, o grunge estava surgindo e nós estávamos sendo ignorados. Não éramos homens de negócios, éramos músicos e, como muitas [outras] bandas, só queríamos compor músicas e tocar metal.”
Se houve o retorno de Mike Howe, também aconteceu uma despedida. O baterista Jeff Plate fez seu último registro em estúdio com o Metal Church. Ele saiu em 2017 após permanecer por onze anos como o responsável pelas baquetas. Plate alegou questões pessoais e profissionais.
O ano de 2015 foi bem movimentado para o Metal Church. A banda passou o ano trabalhando na composição e gravação do álbum, que teve a produção, mixagem, masterização e arte da capa, feitas pelo faz-tudo, Kurdt Vanderhoof. Antes mesmo do início das gravações, o Metal Church lançou uma nova versão para a música “Badlands”, que originalmente havia sido gravada no álbum “Blessing in Disguise” (1989).
O vocalista estava feliz e à vontade com o retorno ao Metal Church. Em outra entrevista, ele explicou como a maturidade ajudou a escrever um novo material sem preocupações com outras coisas alheias à banda. Vamos reproduzir a fala do saudoso frontman:
“O mais importante para nós era poder escrever, gravar e apresentar um álbum com material que nos representasse e representasse quem somos hoje, do começo ao fim, sem pressões externas, prazos ou qualquer coisa do tipo, e foi exatamente isso que fizemos. Estamos muito felizes com isso e nos permitiu relaxar, sermos crianças grandes novamente e aproveitar o processo”.
Dando play na bolacha, e o Metal Church nos brindou um material de excelente qualidade, e ninguém poderia esperar menos, ainda mais com o esperado retorno de Howe. O álbum tem onze faixas, duração de 58 minutos, muito Heavy Metal e flertes intensos com o Thrash. Os destaques ficam por conta de músicas como “Needle and Suture“, que é disparada, a melhor do disco, mas também podemos citar músicas como “Reset“, “Killing Your Time“, e “Signal Path” como pontos altos de um álbum muito acima da média.
Nosso aniversariante recebeu críticas positivas da imprensa e foi abraçado pelos fãs da banda. Até porque, o álbum anterior, “Generation Nothing” não foi muito bem recebido. Então, o Metal Church colocou o trem de volta no trilho e seguiu fazendo seu som e deixando-o mais poderoso.
O álbum vendeu onze mil cópias nos Estados Unidos em sua primeira semana, o que fez com que figurasse na badalada “Billboard 200“, na honrosa 57ª posição, que foi o melhor posto alcançado pela banda na principal parada de sucesso do mundo da música. Era a primeira vez em 27 anos que o Metal Church voltava à Billboard, já que a última aparição havia sido no já citado álbum “Blessing in Disguise“.
“XI” também figurou em algumas outras paradas de sucesso, principalmente na Europa, onde a banda tem muito respaldo. Foi 25° No Reino Unido, na categoria “Álbuns de Rock e Metal”, 30° na Suiça, 34° na Alemanha (melhor posição alcançada no país), 51° na França, 94° na Bélgica e 153° na França. São números que parecem modestos, mas em tempos onde as vendas de discos físicos diminuíram muito, são dignos de comemoração.
O Metal Church saiu em turnê durante o mês de junho de 2016, pela costa oeste dos Estados Unidos, na companhia do Armored Saint. Depois, a banda atravessou o Atlântico e se apresentou em alguns festivais do verão europeu, como o Alcatraz Metal Festival, Wacken, O Rock Hard, e entre setembro e outubro de 2016, a banda fez a abertura dos shows do Megadeth, que havia lançado o álbum “Dystopia” e apresentava Kiko Loureiro. Durante essa tour, eles gravaram as músicas que entraram no álbum “Classic Live“, lançado em 2017.
Se não temos mais Mike Howe entre nós, ainda temos o Metal Church, que prometeu para o próximo dia 10 de abril, o novo álbum, “Dead to Rights“, e que vai marcar as estreias do baixista David Ellefson, do vocalista Brian Allen e do baterista Ken Mary. Hoje é dia de celebrarmos mais um aniversário de “XI“, este baita álbum. Longa vida ao Metal Church.
XI – Metal Church
Data de lançamento – 25/03/2016
Gravadora – Rat Pak Records
Faixas:
01 – Reset
02 – Killing Your Time
03 – No Tomorrow
04 – Signal Path
05 – Sky Falls In
06 – Needle and Suture
07 – Shadow
08 – Blow Your Mind
09 – Soul Eating Machine
10 – It Waits
11 – Suffer Fools
Formação:
- Mike Howe – vocal
- Kurdt Vanderhoof – guitarra/ sintetizadores/ mellotron
- Rick van Zandt – guitarra
- Steve Unger – baixo/ backing vocal
- Jeff Plate – bateria
