Metallica: “Master of Puppets”, o canto do cisne de Cliff Burton é o novo quarentão do Thrash Metal

1986 foi um ano inesquecível para a música pesada quando diversos álbuns foram lançados. No Brasil, tivemos “Morbid Visions“, “Descanse em Paz” e “Antes do Fim“, lançados por Sepultura, Ratos de Porão e Dorsal Atlântica. Na gringa, tivemos grandes álbuns como “Peace Sells… But Who’s Buying?” e “Reign In Blood“. Hoje vamos falar do mais novo quarentão, “Master of Puppets“, lançado neste 3 de março de 1986. 

Considerado por muitos como o melhor álbum de Thrash Metal da história. Outros tantos fãs colocam nosso homenageado no mesmo patamar do já citado “Reign In Blood“. Se a banda inovou trazendo um som rápido e pesado em “Kill’ em All” e mostrou versatilidade em “Ride the Lightning“, foi com nosso aniversariante que o Metallica se tornou de fato uma gigante da vertente. 

Após concluir a turnê se divulgação de “Ride the Lightning“, a banda se reuniu para compor as novas músicas, e entre setembro e dezembro de 1985, eles retornaram ao Sweet Silence Studios, em Copenhague, mais uma vez na companhia do produtor Fleamming Rasmussen. A mixagem aconteceu no Amigo Studio, na Califórnia, e a masterização foi no Sterling Sound, em Nova Iorque. 

A arte da capa é assinada por Peter Mensch e Don Brautigam, e traz a icônica imagem de diversas cruzes, puxadas pelo logotipo da banda, como se fosse uma marionete. Apesar de não ser um álbum conceitual, as letras giram em torno de temas como desonestidade e o engano, temas que seguem ainda muito em comum nos dias de hoje, ainda mais com a facilidade de se aplicar golpes pela internet, e nós, que somos escravos digitais, ficamos sem saber os vestígios dos desonestos. 

Durante as sessões de estúdio, a banda chegou a gravar uma versão para a música “The Prince“, do Diamond Head. A ideia era lançar a música como um lado B, o que acabou não acontecendo devido ao trágico acidente que vitimou Cliff Burton. Tempos depois, eles regravaram a música que saiu no EP “Garage Days… Re-Revisited“, e também como lado B de “Harvester of Sorrow“, já com Jason Newsted no baixo. 

Dando play na bolacha, “Master of Puppets” pode ser considerado a perfeição do Thrash Metal. São 8 músicas em 54 minutos. A banda combinou riffs nervosos de músicas como “Battery“, a faixa-título, “Disposable Heroes“, e “Damage Inc.“, com partes pesadas e densas de “The Thing That Should Not Be“, “Welcome Home (Sanitarium)”, “Leper Messiah“, além da extremamente erudita “Orion“, onde Cliff Burton se inspirou em Bach e na sua obra “Come, Sweet Death“. O álbum é impecável do início ao fim. 

A aceitação foi unânime entre fãs e crítica especializada. A revista Rolling Stone elaborou no ano de 2020 a lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos e nosso quarentão aparece em 167° lugar. A mesma revista compilou uma lista dos 100 Melhores Álbuns de Metal de Todos os Tempos e “Master of Puppets” está em 2° lugar, atrás apenas de “Paranoid“, do Black Sabbath. A Rock Hard fez a sua lista dos Melhores Álbuns de Rock e Metal de Todos os Tempos, dando também ao nosso aniversariante a 2ª posição, atrás apenas de “Back in Black“, do AC/DC. Ainda está no famoso livro “Os 1001 Discos que Você Precisa Ouvir Antes de Morrer”, de Robert Dimery. 

Nas paradas de sucesso, o disco teve participação bem ativa. Ficou em 3° na Polônia, 4° na Alemanha, 5° na Finlândia, 8° em Portugal, 10° na Austria, 14° na Suécia, 17° na Suiça e nos Países Baixos, 24° na Hungria, 26° na Escócia e Espanha, 28° no Canadá, 29° na “Billboard 200“, 30° na Noruega, 33° na Austrália e Nova Zelândia 41° no Reino Unido, 42° na Irlanda, 65° na Itália, 87° no Japão, 94° na Bélgica e 111° na França. Foi certificado com Disco de Ouro na Itália e Bélgica, Platina na Argentina, Finlândia, Alemanha, Nova Zelândia, Polônia e Reino Unido, além de Oito vezes Platina nos Estados Unidos. 

O atual baixista do Metallica, Robert Trujillo, declarou que considera “Master of Puppets” o melhor disco da banda. Aspas para o astro das quatro cordas: 

“Acho que Master of Puppets tem de tudo um pouco. Tem instrumentais, tem ótimas transições, ótimos riffs. Tem uma das minhas músicas favoritas do Metallica de todos os tempos, e essa música é ‘Disposable Heroes’. Então, sempre que posso ouvir essa música em particular, podem contar comigo. ‘Battery’ é uma música incrível. Então, tem tudo o que eu amo no Metallica.”

Como sabemos, esse foi o último álbum a contar com o baixista Cliff Burton, que faleceu após o ônibus que levava a banda em turnê pela Europa, capotar, jogando seu corpo para fora, terminando com a vida do baixista prematuramente. O acidente aconteceu em Estocolmo, em 26 de setembro de 1986. Apesar de ter sido o último álbum a ter gravações de Cliff, não foi o último a contar com a colaboração dele nas composições, pois “…And Justice for All“, conta com uma música escrita pelo saudoso baixista, que é “To Live is to Die“. 

Antes do terrível acidente, a banda saiu em turnê pelos Estados Unidos, onde abriu os shows de Ozzy Osbourne. Os músicos costumavam tocar trechos de músicas do Black Sabbath durante a passagem de som, como forma de homenagear o Madman. Mas não foi bem assim que ele entendeu e achou tratar-se de uma chacota por parte de James Hetfield e companhia. Era a primeira vez que a banda tocava em grandes arenas, fato que continua corriqueiro até os dias de hoje. 

O álbum é o 3° com mais músicas tocadas nos shows do Metallica na história, só perdendo para o “Black Album” e “Ride the Lightning“. Ainda assim, a faixa-título segue sendo obrigatória nas apresentações da banda, eles sabem disso e tratam de tocá-la em todos os shows. “Orion” é a menos tocada, inclusive, no Rock in Rio de 2012, os brasileiros foram os primeiros a vê-los tocar depois de muitos anos. 

Hoje é dia de celebrar o mais novo quarentão do Metal. Se o Metallica hoje não faz álbuns como fazia há 40 anos atrás, eles seguem influenciando uma legião de fãs, lotando arenas e passando seu legado de geração em geração. Hoje é dia de escutar esse belíssimo álbum no volume máximo. 

Master of Puppets – Metallica 

Data de lançamento – 03/03/1986

Gravadora – Elektra 

 

Faixas:

01 – Battery 

02 – Master of Puppets 

03 – The Thing That Should Not Be

04 – Welcome Home (Sanitarium)

05 – Disposable Heroes 

06 – Leper Messiah 

07 – Orion 

08 – Damage, Inc. 

 

Formação

  • James Hetfield – guitarra/ vocal
  • Lars Ulrich – bateria
  • Kirk Hammett – guitarra
  • Cliff Burton – baixo

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

2 thoughts on “Metallica: “Master of Puppets”, o canto do cisne de Cliff Burton é o novo quarentão do Thrash Metal

  • 03/03/2026 em 8:13 pm
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    Legal. Os três primeiros albums do Metallica eram e ainda é brutal, essa é a pura verdade. Master, o disco inteiro é considerado um Hit, coisa que não acontece muito nos albums atuais da banda. Adoro ouvir Battery, abraços!

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  • 04/03/2026 em 1:50 am
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    Talvez seja o maior e melhor disco de Thrash Metal, não tem o que questionar sobre isso!!!! Battery, Welcome Sanitarium e Orion são as minhas faixas favoritas desse clássico!!!! Ouvia muito em uma fita cassete que eu tinha, bons tempos de antigamente…valeu!!!!

    Resposta

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