Resenha: Alter Bridge – “Alter Bridge” (2026)

Após uma pausa para se concentrarem em seus trabalhos solos, Myles Kennedy e Mark Tremonti se encontraram mais uma vez a Brian Marshall e Scott Phillips para mais uma vez trazer a vida o Alter Bridge, que após uma pequena soneca, retorna para seu oitado disco de estúdio, dessa vez, autointitulado e não haveria momento melhor para carregar esse nome.

Discos homônimos servem para cravar de vez o nome de uma banda, e esse momento acontece com o Alter Bridge para lhe separar totalmente do Creed, que recentemente ressuscitou com seus músicos se unindo mais uma vez a Scott Stapp, e o AB faz isso com maestria, há muitos anos aliás, mas agora com as duas em atividade, é justo o momento para simplesmente estampar seu nome na capa de um disco como se simplesmente dissesse “somos nós, somos o Alter Bridge”.

Assim como já é de costume de quem ouve o trabalho desses caras, sabe da sincronia titânica entre Tremonti Kennedy, que formam uma potência titânica ao trabalharem juntos na dobra riff/voz, a ponto de tornarem uma unidade, junto à brutal seção rítmica de Marshall Phillips.

Assim vemos com a “sabbathica” abertura com “Silent Divide“, que traz riffs ao melhor estilo de Tony Iommi, principalmente remetendo a “Sabbath Bloody Sabbath“. Arrastada, pesada e sombria, com as graças de Tremonti, aliada a vocais dramáticos de Kennedy, explodindo em refrão denso com os cumprimentos da cozinha de Marshall e Phillips, o refrão é gigantesco, explodindo na sua segunda metade para um solo grandioso. “Rue the Day” incorpora o Alter Bridge mais “tradicional” e vai pegar em cheio o fã dos três primeiros discos da banda. Mais cadenciada, a música é desenhada minuto a minuto e tem um refrão mais grudento que funciona muito bem. “Power Down” volta a ser mais agitada, com um ritmo mais acelerado e mais uma vez Marshall e Phillips em vigor total. Os riffs de Tremonti são grandiosos e certeiros, mas as melodias vocais de Myles aqui são tão gigantes e explodem no refrão sendo facilmente um dos melhores momentos do disco. Mark ainda guardada uma paulada para entregar no solo, que apesar de curto é extremamente certeiro e “emenda” a música de forma perfeita!

Passada a trinca de abertura, “Trust in Me” traz tons dramáticos aliados a um groove e Mark dando o ar da graça de sua voz, muito boa por sinal, durante o refrão. “Disregarbed” é puro suco do metal moderno, com bateria “quebrada”, riffs marcados e baixo explodindo em grave. Mais uma vez o refrão aqui é a qualidade esvaindo por cada nota, dentro de uma faixa que flui muito bem. As dobras vocais na metade da música são hipnóticas e fazem gracejos a dobra Cantrell/Staley! “Tested and Able” inicia com riffs que poderiam servir facilmente a uma banda de nu-metal dos anos 90, e mais uma vez Mark é quem assume os vocais, dessa vez desde os versos e incorpora mais o seu lado, remetendo a seus trabalhos solos, exceto por seu refrão que é mais uma vez grudento. “Whats Lies Within” é explosiva, riffs raivosos, Marshall conduzindo o chimbal como um maestro, onde dita o ritmo da música e a quebra de andamento no pré refrão é simplesmente genial! Myles explode em uma montanha russa com sua voz em cada palavra dita no refrão e eis aqui mais um puta momento do álbum!

Um disco do Alter Bridge não seria ele se não rolasse uma balada, e aí entra “Hang By a Thread“, que logo nas primeiras notas já traz aqueles tons emocionais que a banda sabe muito bem como fazer e aí é só ouvir e curtir os belos minutos. “Scale Are Falling” so um pouco apagada em meio as demais, mas logo as coisas se normalizam com a “riffenta” “Playing Aces“, que parece uma boiada em disparada nos versos e consegue encontrar melodia em seu refrão mais “chicletão”. “What Are You Waiting For” tem uma bela mensagem em sua letra, mas também soa meio desconexa aqui, principalmente pelo que vinha pela frente.

Mostrando que estavam afim de arriscar e cravar o seu nome, o Alter Bridge decide encerrar o registro com uma música de seus quase dez minutos. A odisséia sonora se justifica em sua duração, e provavelmente irá reunir uma tropa nos shows que virão dessa turnê. Aos poucos, a música em crescendo vai ganhando seus traços e o seu desenho ganha forma em riffs caóticos e melodias vocais hipnóticas. O encerramento se dá com nada menos do que mais de 3 minuto

Sem medo de mostrar quem são, o Alter Bridge crava seu nome e mostra que não vive na sombra do seu “primo rico”, e que trilhou seu próprio caminho com uma excelência musical ímpar a cada nova construção que realizam, e agora não foi diferente. Em começo de ano, eles já carimbam seu nome nos lançamentos de 2026 e muito provavelmente encabeçando listas mndo a fora, e não exageradamente. Simplesmente, Alter Bridge!

NOTA: 9

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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