Resenha: Hypocrisy – “End of Disclosure” (relançamento)

O retorno do HYPOCRISY com “End of Disclosure”, lançado originalmente em 2013 e agora relançado pela parceria Nuclear Blast e Shinigami Records, reafirma algo que os fãs já sabiam há décadas: quando Peter Tägtgren decide abrir os portões e liberar um novo capítulo de sua criatura, é melhor se preparar para o impacto. Desde os primeiros segundos da faixa-título “End of Disclosure”, fica claro que o grupo sueco revisita suas raízes mais diretas sem abandonar a sofisticação melódica que moldou sua identidade ao longo dos anos. O álbum chega ao público pela parceria entre a Nuclear Blast e a Shinigami Records, reforçando o peso e a tradição que cercam esse lançamento.

O disco se desenvolve como uma marcha implacável, alternando atmosferas densas, riffs cirúrgicos e aquela combinação única de brutalidade e melodia que somente Tägtgren parece ser capaz de equilibrar com tanta naturalidade. Em faixas como “The Return” e “Hell Is Where I Stay”, a banda oscila entre passagens massacrantes e refrãos que grudam como cicatriz. A produção mantém tudo vivo, orgânico, sem recorrer ao excesso de polimento que domina o metal extremo contemporâneo — uma escolha que beneficia especialmente o trabalho de bateria de Horgh, que imprime peso real e dinâmica contagiante.

A guitarra de Tägtgren transita entre a fúria e a precisão, e sua performance vocal aqui é uma das mais intensas em anos — em “When Death Calls”, seu gutural atinge um nível de selvageria que deve deixar qualquer fã da fase mais antiga da banda com um sorriso maldoso no rosto. Enquanto isso, Mikael Hedlund sustenta tudo com um baixo que não se limita ao papel de apoio: em vários momentos ele acompanha os riffs com tanta força que chega a roubar breves holofotes, como na poderosa “The Eye”, onde cada camada instrumental se encaixa em um ataque coordenado.

Outro destaque fica com “44 Double Zero”, talvez uma das melodias mais memoráveis que o grupo criou nos últimos tempos. Aqui, o equilíbrio entre agressão e linhas vocais mais abertas mostra como o HYPOCRISY nunca perdeu a capacidade de soar extremo e, ao mesmo tempo, acessível dentro de seu próprio universo.

Embora o álbum mantenha uma sequência inicial devastadora, o ritmo dá uma leve oscilada na metade, sem comprometer o resultado final. Tägtgren continua sendo um compositor que sabe exatamente como manipular atmosferas, texturas e explosões de energia, ainda que algumas escolhas de refrões mais ásperos acabem soando menos inspiradas do que suas melodias mais bem trabalhadas.

No fim, “End of Disclosure” se posiciona com autoridade no catálogo da banda: um disco que abraça tanto a ferocidade dos primeiros anos quanto a maturidade conquistada ao longo das décadas. Não reinventa o gênero, mas reafirma com propriedade por que o nome HYPOCRISY permanece entre os pilares do death metal sueco. É um lançamento forte, coeso e digno da reputação que acompanha esses veteranos.

NOTA:8

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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