Resenha: Mayhem – “Liturgy of Death” (2026)
Após uma longa espera de quase seis anos e meio, com direito a uma pandemia no meio, o Mayhem fez vir ao mundo “Liturgy of Death“, que é apenas o 7° álbum na discografia da veterana banda de Black Metal.
O play foi lançado na última sexta-feira, 6, pela Century Media, e até o momento, não existe previsão de lançamento de uma versão brasileira, então os fãs da banda terão de importar o play ou então recorrer às plataformas de streaming. A banda esteve no Brasil recentemente, em dezembro, quando se apresentou em turnê que comemora os 40 anos, praticamente ininterruptos, com exceção da conhecida história em que Varg Vikernes matou Euronymus a facadas, em 1993.
Mantendo o mesmo lineup dos últimos dois álbuns anteriores, o que é um fato raro no caso da banda, o Mayhem está com a formação desde 2012, e neste novo álbum, estão dois dos membros que gravaram o clássico e trágico “De Mysteriis Dom Sathanas“, que são o baterista Hellhammer e o vocalista Attila Csihar. O baixista Necrobutcher havia saído em 1991, e retornou à banda em 1994, quando Hellhammer resolveu lançar o álbum que estava guardado, e seguir com a banda em atividade.
Desta vez, o guitarrista Teloch, que havia dividido a função de produtor junto com Tore Stjerna, concentrou-se somente na parte musical, escrevendo e gravando suas partes de guitarra, deixando a produção para o sueco, que está com a banda desde 2016. O play contou com a participação de Garm, vocalista da banda norueguesa Ulver, que nos primórdios, era uma banda de Black Metal. Ele gravou backing vocal em “Ephemeral Eternity“, a faixa que abre o álbum. A capa, candidata a mais bela e sombria do ano, foi desenhada mais uma vez pelo artista italiano Daniel Valeriani, que já havia trabalhado em “Daemon“.
Em “Liturgy of Death“, o Mayhem aborda a mortalidade, um tema que é uma certeza para toda a humanidade, mas muitos de nós não estamos preparados para encarar e lidar com a morte. A banda aborda esse processo não como um fim, mas como uma lei universal que afeta toda a vida e expõe a fragilidade da existência humana. Para aqueles que espalharam fake news em 2023, quando a banda se viu obrigada a cancelar duas apresentações no Brasil, sob o pretexto de ser uma banda neonazista, a morte não parece ser um assunto de interesse da turma que segue o “bigodinho austríaco”, salvo se os mortos pertencessem às minorias, como negros, pessoas com deficiência ou LGBT, o que, definitivamente, não parece ser o caso do Mayhem.
Dando play no álbum, o Mayhem apostou em uma produção mais enxuta, o que não deixa o trabalho menos pesado, áspero e sombrio. “Liturgy of Death” traz oito canções e duração de 48 minutos. Ainda que curto no tempo total, nenhuma música tem menos de 4 minutos, e metade delas tem entre seis e sete minutos. Os destaques ficam por conta de músicas como “Despair“, “Aeon’s End“, “Funeral of Existence“, “Realm of Endless Misery” e “The Sentence of Absolution“. Os riffs destruidores estão presentes, bem como os vocais doentios, a bateria cheia de blastbeats, com alguns elementos estranhos à música, mas que não comprometem e soam como a trilha sonora para o final do mundo.
O Mayhem se modernizou, deixou para trás a falta de cuidado com a produção, provando que o Black Metal não precisa necessariamente tosco como nos primórdios. Provavelmente, Euronymus não gostaria desse direcionamento, mas a banda mostrou que é capaz de conseguir agradar tanto os fãs mais radicais, quanto aqueles que não são necessariamente aficionados pela vertente mais extrema do Metal, como é o caso deste redator que vos escreve. O play chega com poder de se colocar no Top 10 do ano, ainda que ofuscado pelos recentes lançamentos do Megadeth e Kreator.
NOTA: 8.0
