Resenha: The Damnnation – “Eyes of Despair”
Em Eyes of Despair, o segundo álbum da The Damnnation, chega como um soco carregado de fúria — e prova que o trio paulista não está para brincadeira. Com lançamento pela Shinigami Records, o disco revela uma banda madura, coesa e determinada a fazer valer seu espaço no metal extremo brasileiro.
Desde o primeiro acorde de “Burning Rain”, fica claro que estamos diante de um trabalho pensado com precisão: riffs pesados, uma pegada groove, bateria implacável e vocais de impacto — a voz de Renata Petrelli surge com confiança e agressividade, marcando o tom do que está por vir.
O álbum não se limita a repetir fórmulas: há variedade de cadências, mudanças de ritmo e atmosferas distintas. Em faixas como “Hatred Genocide” e “Matter of Time”, a The Damnnation assina seus momentos mais brutais e diretos, com riffs cortantes, ritmo acelerado e refrões que grudam na cabeça — para fãs de thrash com tempero de death e groove, é tiro certeiro.
Mas a grande sacada de Eyes of Despair está no equilíbrio: a agressividade não exclui melodia; a brutalidade não elimina sensibilidade. Isso aparece com força em músicas como “Evilness” — envernizada por um groove escuro — e em “Already Dead Inside”, faixa de encerramento com participação da vocalista Mayara Puertas, que investe em vocais limpos e arranjos mais soturnos, conferindo ao álbum profundidade emocional e dramaticidade envolvente.
A força do trio — com Renata Petrelli nos vocais e guitarra, Fernanda Lessa no baixo e Camila Almeida na bateria — se faz notar: há uma unidade clara entre os instrumentos, a produção é certeira e cada momento do disco parece calculado para causar impacto e deixar uma marca.
Com pouco mais de 30 minutos de duração, Eyes of Despair vai direto ao ponto: não há excessos, não há encheção de linguiça — apenas metal cru, visceral e sincero. Para quem acredita que o thrash nacional ainda tem muito a dizer, este disco é prova viva de que o caminho certo é seguir honrando o peso, a agressividade e a autenticidade.
Se você se interessa pelo metal extremo, vale muito a pena dar uma chance a Eyes of Despair.
NOTA: 7
