Roxette conquista o Rio de Janeiro mesmo sem Marie Fredriksson

Texto: Carlos Monteiro
Fotos: Diego Castanho/Live Nation

Sim, é difícil assistir a um show do Roxette sem Marie Fredriksson. Porém, o público carioca que encheu neste domingo (12/4) o Vivo Rio mostrou que a banda sueca ainda é muito bem aceita por aqui, graças a uma incrível coleção de hits, o carisma do compositor, guitarrista e vocalista Per Gessle, uma banda que toca junto há muitos anos e uma cantora substituta, Lena Philipsson, que segura bem o “fardo” de substituir a vocalista original.

Desde que Marie faleceu em 2019, por conta de complicações decorrentes de um tumor no cérebro, seu colega Per montou uma banda intitulada PG Roxette e arriscou dividir os microfones com algumas cantoras. Destas, Lena, conhecida sua de muitos anos, foi a escolhida para tornar-se fixa. 

O novo Roxette traz uma dinâmica interessante para os shows. Se não há mais o farol Marie para guiar a banda e a atenção do público, pode-se dizer que tornou-se um grupo mais democrático, dando mais espaço para dividir os talentos entre seus integrantes na execução do repertório, que, aliás, vale ouro. 

Logo a trinca inicial de canções mostrou que a volta seria bem sucedida, depois de 14 anos, quando o público brasileiro viu Marie ao vivo pela última vez. “The Big L.”, do super bem sucedido “Joyride” (1991), a roqueira ”Sleeping in My Car”, de “Crash Boom Bang” (1994) e “Dressed For Success”, de “Look Sharp” (1988), colocaram todos para cantar e agitar.

A primeira balada, gênero em que o Roxette é soberano, foi “Crash Boom Bang”, e a baixada de bola no ritmo do show trouxe as primeiras lágrimas na plateia pela ausência da cantora original. Logo emendaram na também balada “Wish I Could Fly”, de “Have A Nice Day” (1999).

Continuamos participando dessa viagem musical com a “mais recente” e animada “Oportunity Nox”, canção até então inédita da coletânea “The Pop Hits” (2003) para logo depois a power ballad Fading Like a Flower (Everytime You Leave)” arrebatar a todos. Após esse momento, uma surpresa: Per Gessle anuncia que ensaiaram uma canção no voo, que não tocavam há muito tempo. De fato, o último registro de “Church Of Your Heart” (também de “Joyride”) ao vivo é mesmo de 2012. Uma versão bela e acústica, com todos os integrantes em semicírculo na frente do palco.

Por falar em integrantes, a animada backing vocal Dea Norberg está na banda desde que foi contratada para apoiar Marie anos atrás. E ela segue apoiando agora Lena, fazendo uma dinâmica diferente, pois, em algumas canções, ambas têm o mesmo destaque, cantando lado a lado. Esse é um dos pontos que mostra que o Roxette está dividindo mais a atenção entre os músicos.

Por falar neles, Per Gessle lidera ainda o ótimo guitarrista Christoffer Lundquist, o baixista Magnus Börjeson e o também guitarrista Jonas Isacsson, todos veteranos de Roxette. Já o tecladista Clarence Öfwerman é também o produtor dos álbuns desde sempre. O baterista Magnus Ericsson está no lugar de Pelle Alsing, falecido em 2020, apenas um ano após Marie.

E se é hit que todos querem, é o que terão. Depois de Per ter dito no início do show que “contavam agora com uma nova integrante”, aqui Lena anuncia antes de “It Must Have Been Love” que sabe que o público sente falta de Marie, assim como eles também sentem, e que a balada seria dedicada à cantora, desejando que ela pudesse curtir essa homenagem onde estivesse. A presença de Marie se faz ainda mais forte nessa canção, que era uma de suas principais marcas registradas e também foi o grande sucesso que levou a banda ao mercado dos Estados Unidos, graças à trilha sonora do filme “Uma Linda Mulher” (1990).

Daí em diante, só pedradas: “How Do You Do!” e “Dangerous”, seguida de uma execução do guitarrista Christopher para o hino brasileiro. A primeira parte do show fecha então com “Joyride”, quando bexigas coloridas foram enchidas e atiradas para o alto pelo público no trecho “And she’s telling all her secrets/In a wonderful balloon”.

Uma breve pausa para o bis e vêm dois outros hits arrasa-quarteirões, as power ballads (sempre elas) “Spending My Time” e “Listen To Your Heart”, outra que lembra demais Marie. A “roqueira” “The Look”, primeiro hit da banda, vem logo em seguida com seu riff de guitarra divertido. Público em êxtase, o show é fechado de forma mais singela, com a balada (essa mais calma) “Queen Of Rain”, outra marca registrada da saudosa cantora e que fecha o álbum “Tourism” (1992), o favorito deste que vos escreve.

Plateia ganha, músicos suecos satisfeitos com o “calor” dos fãs e a famosa promessa de voltarem em breve. E “que não demore de novo 14 anos”, como disse Per. Depois do Rio, São Paulo assistirá à banda nesta terça (14/4). 

Mesmo sem Marie, a marca que o Roxette deixou no público brasileiro não se apagou e, pelo visto, sempre terá público nostálgico e receptivo por aqui.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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