Sepultura – 17 anos de “A-Lex”

Há 17 anos, em 23 de janeiro de 2009, o Sepultura lançava “A-Lex“, o décimo primeiro álbum da maior banda brasileira de Heavy Metal de todos os tempos, e que é tema do nosso bate-papo desta sexta-feira. 

Este álbum marca a estreia de Jean Dolabella, que havia tocado antes no Diesel, banda que ficou conhecida ao tocar no Rock in Rio de 2001. O baterista estava na banda desde que Igor Cavalera saiu, em 2006, quando decidiu fazer as pazes e voltar a tocar com seu irmão, Max. Então, esse álbum foi cercado de muita atenção, pois pela primeira vez em 24 anos, nenhum outro disco do Sepultura havia sido lançado sem a presença de pelo menos um dos Cavalera

Pouco antes do lançamento do álbum, mais precisamente em 13 de novembro de 2008, o Sepultura foi banda convidada do Grammy Latino, onde se apresentou tocando uma versão para “Garota de Ipanema“, de Tom Jobim, e, provavelmente a canção brasileira mais conhecida pelo mundo. Aproveitaram também a oportunidade para apresentar uma nova canção, “We’ve Lost You“. 

Se o álbum anterior, “Dante XXI” foi inspirado no livro “A Divina Comédia“, de Dante Aligheri, a banda resolveu repetir a fórmula em nosso aniversariante, e o livro “Laranja Mecânica“, lançado em 1962 pelo autor Anthony Burgess foi o escolhido. Andreas Kisser falou sobre como a obra influenciou o álbum. Aspas para ele: 

“Nós escreveremos nossa trilha sonora para essa história e a vida de Burgess será uma inspiração tanto para escrever as músicas, letras como para a arte do CD.”

Mas Max Cavalera, que neste meio tempo, havia formado com Igor, o Cavalera Conspiracy, e no álbum de estreia da banda, “Inflikted” (2008), havia feito uma ode ao livro “Laranja Mecânica“, na música “Ultra Violent“, afirmou que os seus ex-companheiros não gostavam da adaptação do livro para o cinema, feita por Stanley Kubrick, em 1971. Vamos dar aspas ao ex-guitarrista/ vocalista aqui: 

“Eu consigo lembrar quando assistia aquilo e eles reagiam tipo, ‘Ei, que coisa estúpida é essa que você está assistindo?”

O título do play é um trocadilho com o personagem central da obra, chamado Alex DeLarge, com a expressão em latim “sem lei”, que é o ab (sem) + Lex (lei), em uma referência de como Alex e seus companheiros se comportam.  A banda se reuniu em São Paulo, no Trama Studios, onde o álbum foi gravado entre os meses de fevereiro e agosto de 2008. A produção é assinada por Stanley Soares. A mixagem aconteceu também em São Paulo, no Mega Studios. Como de costume, diversos convidados gravaram participações no álbum. É possível escutar instrumentos como teclado, viola, violoncelo, violino, entre outros. 

Dando play em “A-Lex“, temos 18 músicas em 54 munutos. As faixas são curtas e diretas, quase metade delas tem cerca de dois minutos cada. Os destaques ficam por conta de faixas como “Filthy Rot“, que tem riffs sujos e pesados, “We’ve Lost You!“, “What I Do” e “The Experiment“. O álbum não tem um direcionamento musical definido, embora se alinhe melhor ao Hardcore. Tem bons momentos, apesar de estar longe de ser um dos melhores momentos da banda. 

“A-Lex” recebeu críticas positivas da imprensa e tem reputação mediana entre os fãs da banda. No Brasil, o álbum vendeu cerca de cinco mil cópias na primeira semana de lançamento. A edição brasileira da Rolling Stone, em 2012, elencou o álbum como um dos 25 maiores álbuns nacionais. Nas paradas musicais, podemos destacar o 22° lugar alcançado na categoria Álbuns de Rock e Metal do Reino Unido, o 48° na categoria de Álbuns Independentes da “Billboard“, o 53° lugar na Áustria, o 68° na Suiça, 82° na Alemanha e o 150° na França. 

A banda caiu na estrada para divulgar seu novo álbum, e além de ter tocado nos diversos festivais europeus de verão, em 2010, fez um show de abertura para o Metallica, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Em dezembro de 2010, a banda já estava em estúdio produzindo “Kairos“, o sucessor de nosso aniversariante. 

Hoje é dia de prestarmos uma homenagem a este play. O Sepultura está se encaminhando para o seu final, acabou de anunciar uma turnê pela América do Norte, entre os meses de abril e maior deste ano, quando tocará com o Biohazard e o Exodus. E para quem espera uma (improvável) reunião com os Cavaleras, melhor ir se conformando, pois não deve acontecer. Aproveitemos os últimos momentos do Sepultura

A-Lex – Sepultura 

Data de lançamento – 23/01/2009

Gravadora – SPV/ Steamhammer 

 

Faixas

01 – A-Lex I 

02 – Moloko Mesto 

03 – Filthy Rot 

04 – We’ve Lost You! 

05 – What I Do! 

06 – A-Lex II

07 – The Treatment 

08 – Metamorphosis

09 – Sadistic Values

10 – Forceful Behavior

11 – Conform 

12 – A-Lex III 

13 – The Experiment 

14 – Strike

15 – Enough Said

16 – Ludwig Van 

17 – A-Lex IV 

18 – Paradox

 

Formação

  • Derrick Green – vocal
  • Andreas Kisser – guitarra
  • Paulo Xisto – baixo
  • Jean Dolabella – bateria 

 

Participações especiais

  • Eduardo Queiroz – teclado
  • Sergio Roberto de Oliveira – baixo
  • Fernando Lopez – trompete
  • Mario Sérgio Rocha – trompa
  • Alejandro DeLeon – viola
  • Wagner Lavos – violoncelo
  • Fabio Brucoli – violino
  • Alex B. Ximenes – violino
  • Cana Bock – cello
  • Julio Cerezo Ortiz – cello
  • Will Tomao – clarinete
  • Lucila de Paz Ferrini – flauta

 

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

One thought on “Sepultura – 17 anos de “A-Lex”

  • janeiro 23, 2026 em 9:40 pm
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    Sinceramente vi e ouvi esse disco na íntegra uma vez, nem lembrava mais do video clipe…vendo agora!!!! Não gostei muito desse album, também achei mediano e tem algumas músicas aqui, ali que me chamaram a atenção!!!! O interessante do Sepultura é que eles sempre inovam e renovam, saem da mesmice!!!! Valeu!!!!

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