Andreas Kisser diz que “regularização das drogas para uso medicinal” é um caminho viável e “proibição não resolve”

A legalização das drogas é um assunto muito debatido e polêmico no Brasil, ainda que usada para meios medicinais. No país, substâncias como a maconha para consumo, cogumelos e qualquer outro tipo de estimulantes têm sua comercialização proibida e a sua venda se enquadra em crime e prisão.

Em conversa com o podcast 100segredosAndreas Kisser do Sepultura mostrou um pensamento diferente e contrário às leis que proíbam a legalização e venda dessas substâncias em alguns tratamentos e segundo ele, “a regularização” dessas substâncias seria um caminho mais viável. Ele diz conforme transcrito pelo Confere Rock:

A cannabis é uma aliada espetacular em qualquer processo de doença, de tratamento, de quimioterapia etc. E isso tem crescido no Brasil, né? Pouco a pouco, apesar do conservadorismo imbecil que esse país tem, as coisas estão se movimentando. É, está aí outro tratamento que precisa ser democratizado, né? Hoje, poucas pessoas que têm grana conseguem fazer esse tratamento. E isso é a pior coisa que pode acontecer com qualquer área, gente. A gente tem que regularizar. Legalização é regularização: é transparência, números, informação, investimento, tudo aquilo que eu já falei, entendeu? Abrir espaço, ter controle de qualidade, né? “Ah, preciso disso para dormir, preciso para abrir o apetite, preciso para não sei o quê.” Um monte de medicamentos que ficam presos, né, a poucas pessoas. O tráfico, né? Essa coisa em que você acha de tudo. A proibição não resolve nada; ela só dá o controle para pessoas específicas, né, que controlam o business, seja lá qual ele for.”

Ele então prossegue dizendo que a questão se trata da dose a ser usada:

A morfina é legalizada. Por que não a cocaína, a heroína, como na Suíça, ou como acontece no Colorado e em Oregon? Cogumelos — você vê que a microdose é funcional, independentemente da substância. Os cogumelos, os alucinógenos em microdose, estão ajudando pessoas com ansiedade, com crises de pânico. Tudo bem: se você comer dois quilos de cogumelo, você vai viajar — mas é a dose. Se você exagera na morfina, você morre. Se você exagerar na água, você morre. No Rivotril, também. Então por que a água não é proibida, e a morfina é… sacou?

Tem espaço para tudo. É o lance da dose, é o lance da educação. A gente precisa ser educado a lidar com esse tipo de substância, assim como é educado a lidar com as substâncias que já são legalizadas na farmácia, ou a tomar aspirina. Não tem gente que exagera na aspirina e sofre consequências? Etc.”

O Sepultura segue a sua turnê de despedida e recentemente anunciou a parte pela América do Norte ao lado do Biohazard e do Exodus.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

One thought on “Andreas Kisser diz que “regularização das drogas para uso medicinal” é um caminho viável e “proibição não resolve”

  • janeiro 23, 2026 em 9:18 pm
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    A proibição de um certo lado estimula a venda ilegal, fato!!!! Valeu

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