Pearl Jam: há 27 anos, “Yield” marcava uma virada histórica e a despedida de Jack Irons

Há 27 anos, mais precisamente em 3 de fevereiro de 1998, o Pearl Jam lançava “Yield”, o quinto álbum da sua carreira. Foi uma tentativa relativamente bem sucedida de voltar a praticar o Rock que consagrou a banda no início da década. Este álbum é tema do nosso bate-papo desta terça-feira.

Apesar de bom, o álbum esbarrou na falta de técnica sobretudo do baterista Jack Irons, que simplesmente destruía cada oportunidade que ele tinha de fazer bonito e abrilhantar as músicas. O baterista Dave Abbruzzese fazia muita falta. Este foi o último álbum a contar com a participação de Irons, que cedeu lugar para Matt Cameron.

Após toda a tentativa de se auto sabotar, com um disco completamente experimental que foi No Code, a queda de braço com a gigante Ticketmaster, que monopolizava a venda de ingressos nas arenas, fazendo com que a turnê promocional do álbum anterior fosse bem curta. O Pearl Jam parece ter aprendido que não adianta muito brigar contra o sistema. Eles voltariam a produzir um videoclipe com a música “Do the Evolution”, ainda que a banda não aparecesse, pois trata-se de um desenho animado. Concentraram se apenas na música e o resultado foi muito bom.

A banda também parece ter superado a crise interna que quase causou a separação, quando Eddie Vedder tomou a frente e passou a decidir o futuro da banda, algo que não lhe cabia, uma vez que o guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament são os criadores do Pearl Jam. O álbum contou com a participação de todos os membros no processo de composição. Assim sendo, o quinteto se juntou ao produtor Brendan O’Brien e todos entraram em dois estúdios: “Studio Litho” e no “X”, ambos em Seattle, durante os meses de fevereiro e setembro de 1997. Desta vez O’Brien deixava de assinar sozinho a produção, já que a banda também ajudaria na co-produção. O produtor afirmou que a banda já chegou ao estúdio com todas as músicas já prontas. Jack Irons falou sobre o período em estúdio. Aspas para ele:

“Não impusemos nenhum limite de tempo. Foi como, ‘Quando este álbum estiver pronto, nós o chamamos de álbum.’ Reservamos um tempo para criar sons e sentimentos ideais para cada música, para que cada uma tivesse sua própria identidade. Cortávamos uma faixa, voltávamos, ouvíamos e discutíamos abertamente.”foi um disco superdivertido de fazer. E muito disso foi Ed meio que sentado.”

18 canções foram gravadas durante as sessões do Yield. As canções “Leatherman” e “U” foram lançadas como B-sides, “Happy When I’m Crying” apareceu no single de Natal da banda em 1997 e “The Whale Song” foi usada para uma compilação de 1999 intitulada “Music for Our Mother Ocean 3“.

Bolacha rolando, temos 13 faixas em 48 minutos. O álbum mostra uma tentativa de retorno às raízes, mas com direito aos experimentalismos que a banda passou a abordar a partir do terceiro álbum, “Vitalogy“. Algumas canções merecem destaque, como “Brain of J.“, “Faithfull“, “No Way“, “Given to Fly” (esta foi acusada de plágio pelos membros do Led Zeppelin, por se assemelhar com a canção “Going to California“), “Wishlist“, “MFC” e “Do the Evolution“, o grande hit do álbum e que ganhou um videoclipe, o que não era produzido desde “Jeremy”, em 1991.

Yield” ganhou esse nome em referência à placa de trânsito que aqui no Brasil conhecemos como “dê a preferência”. Inclusive a imagem desta placa ilustra a capa, com uma foto tirada por Jeff Ament, em uma estrada a caminho de sua casa, em Montana. O álbum vazou na internet em dezembro de 1997, depois que quando a estação de rádio WKRL- FM, de Nova Iorque tocou uma cópia antecipada do disco, levando os fãs que gravaram e replicaram as músicas então inéditas na internet. Era o advento da grande rede mundial de computadores e quem tem mais de 30 anos vai lembrar dos tempos de downloads, que foi o início do fim das vendas de discos.

O aniversariante do dia estreou na posição número 2 na “Billboard 200”, ficando pela primeira vez de fora do topo, que na época ficou com a trilha sonora do filme Titanic. Depois, o álbum foi perdendo posições. Ainda assim, teve desempenho melhor do que o anterior e foi certificado com disco de platina pela RIAA (Estados Unidos) e também na Austrália, Nova Zelândia e na Espanha. Foi certificado com Disco de Ouro na Holanda, Reino Unido e Polônia. Nos charts a redor do mundo, ficou no topo no México, Nova Zelândia, Austrália e Noruega, 2° no Canadá, Portugal e na Itália, 3° na Bélgica e na Suécia, 4° na Áustria, Finlândia, Holanda e Alemanha, 6° na França e na Suíça.

Foi na turnê de “Yield” que o Pearl Jam lançaria seu primeiro disco oficial ao vivo, “Live on Two Legs”, lançado em novembro daquele ano de 1998 e já com Matt Cameron na bateria. Depois a banda passou a registrar inúmeros shows e os lançou em CD.

Enfim um bom disco que vale a pena ter na coleção caso o leitor seja admirador de um bom Rock and Roll sem muitas firulas. E é bom ter bandas como o Pearl Jam na cena, que não tem medo de dar a cara para bater, que se preocupa com as causas sociais e principalmente, abomina políticos fascistas. E nós estamos cheios de fascistas ao redor do mundo, a banda tem protestado contra Donald Trump e os assassinatos cometidos pelo ICE. Por mais bandas com o mesmo engajamento político e social que o PJ. Eddie Vedder e seus parceiros de banda realmente entenderam o espírito do Rock and Roll e merecem todos os confetes. Vamos celebrar mais um aniversário deste “Yield“.

O Pearl Jam segue em atividade, tendo sido cogitada como uma das prováveis headliners do próximo Rock in Rio. Mas antes, eles irão anunciar quem será o substituto de Matt Cameron, que no ano passado anunciou sua saída amigável da banda, foi o baterista que permaneceu por mais tempo na banda.

Yield – Pearl Jam
Data de lançamento – 03/02/1998
Gravadora – Epic

Faixas:
01 – Brain of J.
02 – Faithfull
03 – No Way
04 – Given to Fly
05 – Wishlist
06 – Pilate
07 – Do the Evolution
08 – The Color Red
09 – MFC
10 – Low Light
11 – In Hiding
12 – Push me Pull me
13 – All Those Yesterdays
14 – Hummus (faixa escondida)

Formação:

  • Eddie Vedder – vocal/ guitarra
  • Stone Gossard – guitarra
  • Jeff Ament – baixo
  • Mike McCreaddy – guitarra
  • Jack Irons – bateria

 

Flávio Farias

Fã de Rock desde a infância, cresceu escutando Rock nacional nos anos 1980, depois passou pelo Grunge e Punk Rock na adolescência até descobrir o Heavy Metal já na idade adulta e mergulhar de cabeça na invenção de Tony Iommi. Escreve para sites de Rock desde o ano de 2018 e desde então coleciona uma série de experiências inenarráveis.

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