Resenha: Pearl Jam – “Dark Matter” (2024)

Após 4 anos e uma pandemia no meio, o Pearl Jam está de volta com “Dark Matter“, o décimo segundo álbum da única banda da história da música que mesmo com todas as tentativas de se auto-sabotar na década de 1990, não caiu no ostracismo, pelo contrário, segue sendo a mais bem sucedida dentre as bandas do chamado movimento Grunge de Seattle. Quanto às promessas de que seria um álbum com sonoridade mais voltada para aquela época, a história não é bem assim e é isso que vamos te explicar mais abaixo.

Para “Dark Matter“, o Pearl Jam apostou na parceria com o produtor Andrew Watt. O cara é versátil e consegue trabalhar com artistas como Justin Bieber, passando por Ozzy Osbourne (ele produziu o último álbum do Madman, “Patient Number 9“) e hoje é guitarrista de Post Malone. Também já produziu um álbum solo de Eddie Vedder. E o seu trabalho aqui foi perfeito. Os instrumentos estão perfeitamente audíveis e tudo no seu mais devido lugar. A experiência deste redator foi ainda mais completa pelo fato de a audição ter sido realizada durante a exibição do álbum nos cinemas do mundo inteiro, o que aconteceu três dias antes do lançamento do álbum.

Dark Matter” é descrito como um manifesto da banda contra a passagem do tempo. Eddie Vedder trata desse tema de forma mais explícita na música “Upper Hand“, quando ele vê a juventude cada vez mais distante. Alguns veículos exageraram na viagem de que supostamente Vedder teria se inspirado em King Diamond, na letra de “Dark Matter“. É só conhecer um pouco da história da banda para entender que entre Pink Floyd, The Who e The Beatles, o mestre King Diamond passa muito longe de ser uma referência para o Pearl Jam. Alguns vão dizer que recentemente o guitarrista Stone Gossard apareceu em uma performance para “Paranoid“, do Black Sabbath, mas Black Sabbath é uma instituição e todos devem ter por eles pelo menos o mínimo respeito. E a letra da faixa-título tem mais cunho político, natural em se tratando do Pearl Jam, uma banda que nunca teve medo de se posicionar, principalmente contra governantes fascistas e/ou autoritários.

A banda começou os trabalhos com Andrew Watt na casa do produtor. Entretanto, eles tiveram de migrar para o estúdio Shangri-La, de propriedade de Rick Rubin, pois a casa de Watt foi afetada por uma inundação. Eles permaneceram por três semanas trancafiados enquanto gravavam o vindouro play, que será lançado pela Monkeywrench Records, selo de propriedade dos membros do Pearl Jam.

Comparado ao fraquíssimo “Gigaton“, “Dark Matter“, pode ser considerado uma obra prima. É melhor e até mesmo mais pesado do que muitos álbuns que a banda lançou, sem exagero, nos últimos 20 anos. Mas, fazendo um trocadilho com a música “Light Years“, de “Binaural“, está a anos luz da santíssima trindade do Pearl Jam, que são os álbuns “Ten“, “VS.” e “Vitalogy“. Mas estamos falando de quase 30 anos deste último e de lá pra cá muita coisa aconteceu, a banda quase acabou por conta da postura centralizadora de Eddie Vedder naquela época e a sonoridade foi mudando. É bom que se lembre que a banda odeia aquela primeira fase, e inocentes são aqueles que ainda esperam que o Pearl Jam lance um álbum com músicas tão viscerais como as encontradas naqueles três primeiros álbuns.

Mas calma, caro leitor, “Dark Matter” também não é uma grande porcaria de disco. Ao contrário, tem alguns momentos bem legais. As duas primeiras faixas dão a impressão de que estamos diante do melhor álbum de 2024: “Scared of Fear” e “React, Respond” são excelentes canções e trazem um pouco, mas bem pouco mesmo do Rock que o Pearl Jam fazia lá nos primórdios. Os dois singles lançados anteriormente pela banda, a faixa-título e “Running” também são os pontos positivos do álbum. A primeira, lembra um pouco a clássica música “I Love Rock ‘n’ Roll“, de Joan Jett, só que bem mais pesada, e a última, traz de volta as influências do Punk Rock que o Pearl Jam sempre carregou consigo.

Outro bom momento é a faixa “Won’t Tell“, que começa tediosa que só, mas quem tem paciência, acaba se surpreendendo com o final. Mas as baladas do álbum mostram que, à exceção de “Something Special“, que é uma composição de Eddie Vedder dedicada à sua filha, as outras, nem de longe, lembram as grandes baladas que o Pearl Jam lançou ao longo destes anos de história, como “Black“, “Oceans“, “Nothingman“, “Wishlist” ou “Thin Air“. O álbum tem onze faixas e 40 minutos de duração. Eddie Vedder segue sendo uma das mais belas vozes do Rock.

O álbum vai decepcionar à quem espera por um Rock visceral como dos primórdios da banda. Mas quem espera um pouco mais de qualidade por parte de Eddie Vedder, Stone Gossard, Jeff Ament (o músico mais técnico dentre todos ali), Mike McCreaddy e Matt Cameron, é um bom disco. Mas ainda é pouco para quem abalou as estruturas do Rock durante os primeiros anos da década de 1990.

NOTA: 7.0

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