De saudação a “Pomba-Gira” do Mr. Bungle aos breakdowns do A Day to Remember. Saiba como foram os shows de abertura do Avenged Sevenfold

No último sábado, foi iniciado o circuito de megashows internacionais em São Paulo, com o Avenged Sevenfold celebrando sua carreira no maior show solo da sua trajetória, tocando para nada menos do que 50 mil pessoas.

Encarregado do esquenta da noite, as bandas Mr. Bungle e o A Day to Remember fizeram as vezes de aquecer o público que desde a madrugada de sexta-feira já começavam a formar filas na porta do Allianz Parque, local escolhido para a noite história que aconteceria ali no sábado, último dia de janeiro. Confira abaixo o que rolou nos dois shows de abertura.

Mr. Bungle e os “velhos macumbeiros gringos”

Com horário cravado, as 17:20, a primeira atração do sábado subia ao palco, trata-se do Mr. Bungle. A banda já havia realizado um show solo em São Paulo na segunda-feira anterior, e foi a oportunidade para os fãs verem Scott Ian do Anthrax junto ao grupo, pois ele não realizou as apresentações de abertura do Avenged Sevenfold, tanto em Curitiba como em São Paulo.

Encarregado de os substituir estava, Andreas Kisser do Sepultura, que se juntou a Mike Patton do Faith No More, Dave Lombardo, ex baterista do Slayer e do Testament, além do guitarrista Trey Spruance e o baixista Trevor Dunn. A apresentação é iniciada com um cover de Rodrigo Amarante, ex integrante do Los Hermanos e que compôs a música “Tuyo“, tema da série Narcos da Netflix.

A sequência vem com a barulhenta “Anarchy Up Your Anus“, onde uma pequena vaca inflável surge na plateia sendo arremessada para o alto, trajando uma camiseta do Judas Priest e uma saia rodada. “Bungle Grind” vem logo atrás e com seu ritmo cadenciado coloca a plateia para pular e mostra estar começando a esquentar a tarde com riffs cavalgados.

Ao final dessa música, Patton trajando uma roupa vermelha e com vários cordões no pescoço, brinca que “o tempo passa e eles estão velhos“, e emenda “somos velhos macumebeiros gringos“, fala que arranca aplausos de parte do público. Daí em diante, o show segue com experimentos e momentos que dão nó na cabeça do espectador de tantos elementos que se somam a uma música do Mr. Bungle.

A banda correu por diversos momentos de sua carreira, com um Andreas à vontade, parecendo de casa e entrosado com o resto da banda. E também desfilaram diversos covers, incluindo uma barulhenta versão de “Refuse/Resist” do Sepultura, que abriu algumas rodas tímidas ainda, uma divertida versão para “Funkytown” do Lipp Inc, faixa que ficou bastante conhecida ao integrar a trilha sonora do filme Shrek. O show é finalizado com a clássica “All By Myself“, da grande Eric Carmen, mas com uma letra hilária, com o público com dedos do meio levantados e um refrão no mínimo memorável.

O Mr. Bungle não é para qualquer um, mas proporciona momentos extremamente divertidos no palco, além de uma musicalidade ímpar, que pode soar estranha ao primeiro momento, mas ao mesmo tempo, traz uma musicalidade incrível dos seus membros e que cumpriu com grandeza a missão de abrir esta noite.

A Day to Rememer e o se metal moderno entre breakdowns e fogos

Ok, quando o A Day to Remember subiu ao palco tive uma impressão de que boa parte do público estava ali para ver eles. E a resposta da banda veio em peso, literalmente.

A abertura com a “The Downfall of Us All“, faixa do terceiro disco da banda “Homesick“, lançado em 2009, com riffs quebrados, típicos do estilo metalcore e que descamba em versos mais voltados ao hardcore coloca o público para pular em extase e frenesi, com diversas pessoas cantando o refrão da faixa, e confesso ter me espantado com a quantidade de fãs que o grupo tem por aqui.

Com direito ao baterista Alex Shelnutt trajando uma camiseta do Brasil, “I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?” traz momentos mais melódicos, com uma veia do HC mais moderno e causa o mesmo efeito na plateia. “Bad Blood” novamente aposta em melodias mais voltadas ao hardcore moderno e outra que causa bastante euforia nos presentes.

Em “Miracle“, a banda traz o fogo ao palco em meio aos breakdowns que a faixa tem e conduz rodas bastante agitadas ao Allianz Parque colocando o público em “modo On” de vez. O vocalista Jeremy McKinnon conversa com o público e fala sobre ser a banda de apoio do Avenged Sevenfold, e como isso é importante para eles, já que foi uma banda referência e que abriu caminhos para o metal moderno.

O show segue com uma celebração a amigos beberem juntos com a “All My Friends“, e a pesada e soturna “Silence“, que se assemelha a uma composição do gigante Gojira. A balada “If It Means A Lot To You” faz celulares acenderem na agora já escura noite que caía ali e olhos marejarem ao som dos violões tocados no palco.

O A Day to Remember anuncia então que estão se aproximando do fim de seu show, e dedica a próxima música a São Paulo, local que segundo Jeremy, é onde mais a banda é ouvida no mundo todo. “All I Want” é tocada então e a saga acaba com “All Signs Point to Lauderdale“.

Público aquecido e dever cumprido tanto do Mr. Bungle e do A Day to Remember que levaram pessoas a rirem, chorarem e cantarem na espera para a atração principal, que se aproxiava do encontro com seu maior público de sua jornada.

Fotos: Pridias/30e

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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