King Diamond e os 40 anos de “Fatal Portrait”: a origem de um clássico do horror metal
Há 40 anos, em 17 de fevereiro de 1986, King Diamond dava o passo inicial de sua gloriosa carreira solo, com o lançamento de “Fatal Portrait“, que é tema do nosso bate-papo desta terça-feira, último dia do carnaval. E aqui, nosso bloco é do Heavy Metal.
A banda principal de King, o Mercyful Fate estava em crise entre seus membros, desde o lançamento do álbum “Don’t Break the Oath“, em 1984. A crise se dava por divergências musicais. Em 1985, a banda se separaria e o frontman montou seu projeto ao lado dos companheiros Michael Denner e Timi Hansen, recrutando o guitarrista Andy LaRocque, que gravou o solo de “Dressed in White“, como audição, e permanece parceiro de King até os dias atuais, além do baterista Mikkey Dee.
Banda formada, então era hora de todos adentrarem ao “Soundtrack Studio”, em Copenhagen, no mês de julho de 1985, com King Diamond e Rune Hoyer assumindo a produção da bolacha. Andy LaRocque entrou na banda quando o disco já estava praticamente todo gravado, portanto, ele não recebeu créditos pelas composições, o que passaria a acontecer nos álbuns subsequentes.
Nosso aniversariante é o único, juntamente com “The Spider’s Lullabye“, lançado em 1995, que não é inteiramente conceitual, como costumam ser os álbuns do mestre King. As quatro primeiras músicas, mais a última, “Haunted” trazem um pequeno conto, onde o narrador vê um rosto em cada vela que ele acende. Trata-se do espírito de uma menina falecida, chamada Molly. A mãe dela pintou um retrato da menina e pôs acima de uma lareira, mas o espírito faz o retrato falar com a mãe, até que ela enlouqueça.
Sobre o título, King Diamond se inspirou no romance “The Picture of Dorian Grey“, obra do escritor irlandês Oscar Wilde, lançado em 1890. Ele fez sua fama na Inglaterra, na virada do século XIX para o século XX. Dois anos depois, Wilde escreveu “A Alma do Homem sob o Socialismo“, na qual ele criticava o capitalismo e a propriedade privada. O fã conservador provavelmente ficará frustrado em saber que King Diamond tem como referência um autor que não concordava com a exploração do proletariado.
Dando play na bolacha, e o mestre King nos brindou com uma obra prima. Temos 9 faixas e duração de 37 breves minutos. Os destaques ficam por conta de músicas como “The Candle“, “The Portrait“, “Halloween“, e “Haunted“. Na sonoridade, há muitas semelhanças com o Mercyful Fate, o que é natural, pois temos aqui três dos integrantes da banda.
O álbum recebeu críticas positivas por parte da imprensa especializada, e é aclamado como um dos principais álbuns de King Diamond, ao lado de “Abigail” e “Them“. Nosso aniversariante vendeu cerca de cem mil cópias nos Estados Unidos e figurou nas paradas de sucesso da Suécia, na 33ª posição.
Por toda a sua importância não só na carreira de King Diamond, como do próprio Heavy Metal em si, “Fatal Portrait“, ainda tem canções executadas nos shows do mestre. As mais tocadas são “The Candle” e “Halloween“.
Hoje é dia de celebrar o mais novo quarentão do Heavy Metal, enquanto aguardamos o lançamento do vindouro novo álbum de King, “The Institute“, que estava previsto para ser lançado no ano passado, mas que está atrasado. Estamos todos ansiosos por um novo álbum, o que não acontece há 19, desde “Give me Your Soul… Please“.
Fatal Portrait – King Diamond
Data de lançamento – 16/02/1986
Gravadora – Roadrunner
Faixas:
01 – The Candle
02 – The Jonah
03 – The Portrait
04 – Dressed in White
05 – Charon
06 – Lurking in the Dark
07 – Halloween
08 – Voices from the Past
09 – Haunted
Formação:
- King Diamond – vocal
- Andy LaRocque – guitarra
- Michael Denner – guitarra
- Timi Hansen – baixo
- Mikkey Dee – bateria
