Summer Breeze Brasil emplaca formato europeu, se desvencilha de nomes de sempre e cria raízes para ser um dos maiores

No último final de semana de abril, chegou ao Brasil o festival Summer Breeze. Um dos mais tradicionais na Europa, foi anunciado em nossas terras no ano passado e causou euforia nos devotos da música pesada e como realmente seria adaptado para os lados de cá.

Obviamente, quando falamos em um festival grande, a primeira ideia que nos passa na cabeça é: “Quais serão as bandas?” O Brasil tem festivais de grandes nomes, mas muitas das vezes, esses mesmos se enrolam aos fechar o cast com “Iron Maidens” e “Metallicas“, mesmo entendendo o porque e quais razões levam a isso. Então, o que esperaríamos do Summer?

Muito se especulou e quando finalmente o line foi liberado, tivemos uma boa surpresa pela organização conseguir fechar um elenco de peso, mas ao mesmo tempo, primando pela versatilidade principalmente, indo do grunge do Stone Temple Pilots ao metal moderno do Lamb of God. Do thrash metal encorpado do Kreator ao power metal com Blind Guardian, e ainda tendo espaço para o tradicional com Accept e o Skid Row. E ao escolher o nome maior do cartaz, apostaram em um “novato”, o Parkway Drive, que não fez menos em ter a honra de ser o carro chefe das atrações. Além de outras jogadas alternativas que desfilaram por ali.  O fato é que a decisão tomada de cada um desses preciosos escolhidos foi devidamente acertada e um tiro em cheio que conseguiu dosar as longas horas de festividades, sem tornar nada massivo, empurrado ou deslocado. Tudo teve seu devido espaço, apreço e polimento ao subir ao palco e entregarem apresentações incríveis dentro de cada uma de suas propostas.

Geralmente, quando um grande festival sai de suas terras originarias, temos a sensação de que é trazido ao Brasil, o mínimo do mínimo em termos de estrutura. Foi assim que aconteceu com outro festival que teve sua estreia por aqui no ano passado, mas não conseguiu trazer nem 1/4 do seu todo para cá, sendo uma única atração além dos musicais e que se mostrou extremamente desorganizada. No caso do Summer Breeze, quando anunciado, ele mostrou uma gama de outras atrações, como exposições, espaços familiares, locais de descanso e outros mais, o que chamou a atenção para os que iriam, mas ficava a dúvida, “como seria a organização e uso desses espaços?” Pois bem, mais uma vez, o tiro foi em cheio e certeiro. Não havia nenhuma complicação para se fazer “uso” desses locais, sem filas quilométricas para usar, nem problemas para se aproveitar o que tinha ali dentro. Claro, havia sim o deslocamento por sobre a passarela que ligava os dois ambientes e isso era o único fato da história que pode trazer alguma vírgula a alguns, mas nada realmente sério ou que prejudique a experiência. Todos os ambientes eram espaçados, suportavam o público interessado e sem problemas maiores.

Não estamos falando de um algo perfeito. Houveram sim problemas, como o fato do som alto demais, o que tornava algumas banda, somente som de bateria para quem estava próximo ao palco, o Shaman que causou certa decepção ao bradar um homenagem a Andre Matos, mas que se mostrou sem o mínimo de uma banda, que são ensaios, algumas recorrências com problemas dos banheiros e alguns preço que assustaram a alguns desavisados. Porém, isso não foi nada que realmente causou algum prejuízo a experiência geral e principalmente ao se tratar de uma estreia, isso é praticamente nulo se olharmos para o tamanho do todo que ali foi encontrado.

Em geral, temos aqui uma estreia feita em grande estilo e com grande cuidado, o que falta há muitos nomes por aí, mostrando sim que o formato original de grandes festivais pode ser trazidos aos Brasil sem maiores “danos” a sua estrutura e que quando bem idealizado, a execução é quase perfeita e consegue arrancar aplausos não somente em seus atos musicais, mas para uma recepção que acolhe a quem se presta a ir e participar de um evento desse porte. Mostrou também que se pode fazer um grande festival sem apelar para os mesmos nomes de sempre. Entenda, eles são bem vindos aqui sempre que estejam dispostos a virem, mas não somos “dependentes” deles e ainda há respiro além dos mesmos.

Se ficou algum problema grave para a produção resolver na já confirmada edição de 2024 é, conseguir superar essa primeira! Por mais momentos como este no Brasil!

 

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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