Irmão de Andre Matos revela porque nunca conseguiu tocar com ele

Daniel Matos, irmão de Andre Matos, atualmente ocupa a posição de baixista do Viper e também está no projeto que irá homenagear o Maestro, junto a Thiago Bianchi, Aquiles Priester e Edu Ardanuy.

Mas infelizmente, Andre e Daniel nunca conseguiram fazer algo profissionalmente juntos, e durante uma participação no Amplifica de Rafael Bittencourt, o próprio Daniel conta porque esse encontro nunca aconteceu. Ele diz conforme transcrito pelo Confere Rock:

Quando o Andre Matos partiu para a carreira solo, eu me ofereci. Falei: “Cara, agora eu tenho bagagem, são mais de 20 anos tocando. Eu não sou exatamente do estilo, mas queria pelo menos tentar fazer um teste.” Na época, o Luiz tinha saído, então vi ali uma possibilidade real. Mas fiz um pedido bem específico: queria um teste às cegas. Nunca usei o fato de ser irmão do André para conquistar nada, e não queria começar ali. Eu tinha o sonho de tocar com ele, claro, mas queria que fosse por mérito. Sugeri: “Vamos reunir vários baixistas, cada um grava ou toca sem se identificar, e vocês escolhem o que mais gostarem.” Porque, se eu aparecesse lá pessoalmente, inevitavelmente haveria algum tipo de vantagem — e eu não queria isso. No fundo, eu nem achava que seria escolhido. Eu não era especialista, e havia músicos excelentes concorrendo. Quem acabou entrando foi o Bruno Ladislau, um cara fantástico, que toca demais. Foi uma escolha justíssima.

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Daniel então conta que houveram “fatores externos” para que o encontro acabasse por não acontecer:

Depois, aconteceram alguns fatores externos. O próprio Andre fez movimentos na carreira que acabaram inviabilizando que eu sequer fizesse o teste. Aí eu entendi que não ia rolar. E, sinceramente, eu já estava feliz sendo parceiro do Andre Coelho — não do Andre Matos. Eu tinha o sonho de ser parceiro do Andre Matos, sim, mas também me divertia muito tocando as músicas de brincadeira com o Andre Coelho. No fim, acabei não fazendo nada profissionalmente com o Andre.

Daniel conta que após um período, ele acabou indo morar fora, o que acabou deixando a parceria com Andre ainda mais distante:

Depois fui morar fora, passei seis anos na Espanha. Às vezes penso que gostaria de ter deixado algo registrado profissionalmente com ele. Mas a vida foi tomando outro rumo. Fui explorando outros estilos, me afastando um pouco do metal — e isso também acabou criando uma certa distância.

Em conversa ao Ibagenscast anos atrás, Daniel já havia falado sobre a tentativa de estar ao lado de Andre, mas algo o acabou impedindo de fazer o teste:

Sobre o Shaman especificamente, quando rolou toda aquela saída do Angra e a formação da nova banda, o Luis foi com ele. Eu sempre respeitei muito o Luis, nunca cogitei me oferecer para ocupar o lugar dele naquele momento. Anos depois, quando o Luis saiu, eu estava voltando da Europa e, pela primeira vez, me senti realmente preparado para assumir um posto daquele tamanho ao lado do Andre. Cheguei a me oferecer. O Andre até consultou os outros integrantes, mas por alguns motivos alheios à minha vontade — e que me surpreenderam bastante — a situação acabou não avançando.

Ele acrescenta:

Depois, quando o Andre seguiu definitivamente com a carreira solo, entrou o Bruno Ladislau — que é um músico excelente. Muito provavelmente, mesmo que eu tivesse feito o teste ao lado dele, ele teria passado com sobra. Mas eu gostaria, ao menos, de ter tido a oportunidade de tentar. Nunca foi uma questão de achar que eu merecia mais do que ninguém. Era só o direito de disputar em igualdade. Não aconteceu, e tudo bem. Não vou entrar em mais detalhes porque existem coisas que pertencem ao passado e se eu falar, mais pedras vão rolar.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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