Resenha: Nervosa – “Slave Machine” (2026)
A Nervosa lançou nesta sexta-feira, 3, “Slave Machine“, o sexto álbum da banda capitaneada pela guitarrista/ vocalista Prika Amaral, que está tocando sua carreira na Europa, deixando alguns de nos brasileiros, bastante orgulhosos.
A bolacha saiu pela Napalm Records, e o melhor, vai ganhar uma versão brasileira através da Shinigami, selo que está sempre lançando o que tem de melhor na música pesada. A Nervosa apresenta sua nova formação, com duas baixistas, marcando a estreia de uma delas, a neerlandesa Emmelie Herwegh.
Gravado durante o ano de 2025 no Persephonic Studios, mais uma vez produzido por Martin Furia, que também é guitarrista do Destruction, e desta vez teve colaboração das guitarristas Prika Amaral e Helena Kotina. A mixagem e masterização ficaram também por conta de Martin Furia e aconteceram no Jurassic Recordings.
A arte da capa, belíssima, por sinal, foi mais uma vez assinada pelo brasileiro Alcides Burn, sendo o seu terceiro trabalho em sequência para a Nervosa. Ele que já havia feito capas para bandas como Claustrofobia, Eskrota, Funeratus, Headhunter D.C., Imago Mortis, NervoChaos, entre tantos outros nomes relevantes da cena brasileira.
Se em “Jailbreak“, havia uma incerteza sobre a capacidade de Prika Amaral, que se aventurava pela primeira vez no vocal, aqui em “Slave Machine“, a certeza é de que ela fez o certo em acumular as funções. Seus riffs continuam certeiros e o vocal melhorou muito em relação ao álbum anterior, não que fosse ruim, ao contrário, mas ela parece mais à vontade.
Dando play na bolacha, “Slave Machine” traz a Nervosa ainda mais pesada e brutal, mas abrindo espaço para influências modernas, não deixando a sonoridade ficar datada. Em alguns momentos, as guitarras trazem elementos melódicos, fazendo a banda lembrar o Arch Enemy, como na faixa “30 Seconds“, mas sem deixar de soar natural e pesada como a banda sempre foi, apesar das constantes mudanças na formação, principalmente depois que Fernanda Lira e Luana Dametto saíram para formar a Crypta.
O álbum tem doze petardos e duração de 43 minutos. O início pode causar um pouco de estranheza com a faixa “Impending Doom“, que é bem atmosférica e densa, mas logo a faixa-título coloca as coisas de volta em seu devido lugar. Outros bons momentos do álbum merecem destaques, como as músicas “The Call“, “Beast of Burden“, “Hate” e “The New Empire“, que são impiedosas, bem como o álbum de maneira geral.
Prika Amaral fez o certo em deixar o Brasil e apostar suas fichas em uma carreira baseada na Europa. Apesar de nosso país ser um celeiro de bandas de Metal, está sempre revelando nomes relevantes na cena, se ficasse no Brasil, a banda provavelmente seria condenada a permanecer no underground. E aqui, a música pesada não é valorizada como deveria, o grande público prefere ritmos nos quais a sonoridade da Nervosa não combina, para a nossa felicidade. “Slave Machine” é sem sombra de dúvidas, o melhor álbum da carreira da banda. E com o selo de Made in Brazil. Altamente recomendado a quem não curte som pesado.
NOTA: 8.0
