Kim Thayil revela como soube da morte de Chris Cornell e fala sobre choque

Em sua nova biografia A Screaming Life: Into the Superunknown with Soundgarden and Beyond, Kim Thayil, guitarrista do Soundgarden, contou como ficou sabendo da morte de Chris Cornell, e revela que inicialmente achou se tratar de uma “pegadinha” de internet.

Thayil revela que recebeu uma ligação ainda na estrada rumo a Columbus, onde a banda faria um show naquele dia. Era o baterista Matt Cameron que estava em outro ônibus falando:

“Kim, estou lendo um monte de coisas estranhas na internet. Alguém postou ‘RIP: Chris Cornell’ na minha página do Facebook.”

Inicialmente achando que era uma brincadeira, Thayil então soube da verdade e diz:

“Ah, provavelmente é só besteira”, eu disse a ele. Eu não queria acreditar que algo pudesse ter acontecido com o Chris. Acordei o Paul — que estava particularmente próximo do Chris desde que nos reencontramos — para contar o que estava acontecendo. Todos nós pegamos nossos celulares e computadores para ver se conseguíamos descobrir alguma coisa. Parecia mais um boato ou uma pegadinha; esse tipo de coisa acontece o tempo todo na internet, onde qualquer um pode postar qualquer coisa nas redes sociais. A “brincadeira” de alguém dá muito errado. Mas isso não era uma brincadeira. Paul finalmente confirmou que Chris havia se suicidado em seu quarto de hotel, pouco depois do programa. Acordei o Ben para dar a notícia. Mesmo assim, ainda não conseguíamos acreditar, tipo, “Tem certeza?” . As pessoas estavam em pânico e hiperventilando.

Ele continua:

A morte de Chris e a forma como ele morreu foram tão inesperadas. Na época, em 2017, pareceu-me tão fora de contexto. Se Chris tivesse feito algo assim quando a banda era mais jovem, no final dos anos 80 ou talvez até em meados dos anos 90, logo após as mortes de Andy Wood, Kurt Cobain e do grande amigo de Chris, Jeff Buckley, talvez fizesse mais sentido. Décadas depois, na idade dele e sendo pai, parecia incompreensível. Não em 2017. Talvez em 1997.

Assim como muitas pessoas próximas a alguém que morre como Chris, Thayil se ressentiu de não ter feito mais pelo amigo ou percebido algum sinal de alerta:

Eu não vi isso chegando. O que mais me dói é ser um amigo próximo e colega e não ter percebido coisas que, talvez, em retrospectiva, eu devesse ter percebido. Isso dói. Sinto que decepcionei o Chris por não ter visto o olhar dele, ou por não ter percebido o tom de voz dele — por não ter conseguido decifrar. Mas é difícil perceber coisas assim, porque você não tem muitas chances. Você só pode olhar em retrospectiva e pensar:” Ah, aqui está um indício”. Não havia nada no meu radar que eu pudesse interpretar naquele momento. E então eu olhei para o rastro documental e pensei:Caramba, o rastro documental remonta ao começo”. As letras dele estão repletas desse tipo de reflexão introspectiva. A maior parte do trabalho do Soundgarden descreve algo menos ensolarado. É isso que eu quero dizer com “rastro documental”. Isso não surgiu do nada. Quer dizer, eu conversei com o Chris ao longo dos anos sobre tudo, desde amor, o que é amizade, morte, suicídio ou o processo criativo. Éramos próximos o suficiente no início para conversarmos sobre todas essas coisas. Mas falar sobre esses assuntos não necessariamente causava alarme ou preocupação. Eram apenas conversas. Éramos uma banda sombria, e o Chris escrevia letras sombrias que combinavam com a música. Se as pessoas acham que havia algo explicitamente revelador em suas letras, então elas têm uma bola de cristal que eu não tinha.

O novo livro de Kim Thayil será publicada em 9 de junho pela William Morrow, um selo da HarperCollins Publishers, e um trecho exclusivo do livro foi compartilhado hoje (29 de maio) no RollingStone.com. No Brasil, não há previsão de lançamento.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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