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10 músicos de rock e metal que foram demitidos de bandas famosas e deram a volta por cima

Ser demitido do seu emprego não é um momento querido por ninguém. Imagine que o seu emprego é estar em uma grande banda e ser dispensado dela pode parecer o fim de uma carreira. No rock e no metal, porém, algumas das histórias mais impressionantes nasceram justamente depois de uma ruptura.

Ao longo das décadas, músicos foram afastados por problemas pessoais, diferenças criativas, conflitos internos ou simplesmente porque seus companheiros acreditavam que a banda precisava seguir outro caminho. Em alguns casos, a decisão parecia fazer sentido naquele momento. Em outros, o tempo mostrou que o músico dispensado ainda tinha muito a oferecer.

E há situações ainda mais curiosas: artistas que foram expulsos de bandas que posteriormente se tornaram gigantes, mas que conseguiram construir carreiras tão importantes quanto — ou até maiores — depois da demissão. Dave Mustaine, por exemplo, saiu do Metallica e criou o Megadeth. Ozzy Osbourne foi dispensado do Black Sabbath e posteriormente se transformou em uma das maiores estrelas da história do heavy metal.

Confira 10 histórias dessas, reunidas pela Loudwire.


1. Ozzy Osbourne — Black Sabbath

Talvez o exemplo mais famoso de todos.

Ozzy Osbourne foi demitido do Black Sabbath em abril de 1979, depois que os problemas envolvendo álcool e drogas chegaram a um ponto insustentável para os demais integrantes. A situação já vinha se deteriorando havia algum tempo, e os companheiros de banda decidiram que era necessário seguir sem o vocalista.

A saída, entretanto, acabou abrindo caminho para uma das carreiras solo mais importantes da história do metal.

Ao lado de Randy Rhoads, Bob Daisley e Lee Kerslake, Ozzy lançou “Blizzard Of Ozz” em 1980. O álbum não apenas estabeleceu sua carreira solo, como apresentou ao mundo um dos guitarristas mais influentes de sua geração.

Depois vieram “Diary Of A Madman”, “Bark At The Moon”, “The Ultimate Sin” e uma longa sequência de trabalhos que transformaram Ozzy em uma estrela muito além dos limites do heavy metal.

A demissão que poderia ter encerrado sua história acabou criando outra lenda.


2. Dave Mustaine — Metallica

Dave Mustaine do Megadeth tocando

Poucas demissões foram tão traumáticas — e produziram consequências tão grandes — quanto a de Dave Mustaine do Metallica.

O guitarrista foi expulso da banda em abril de 1983, quando James Hetfield e Lars Ulrich decidiram substituí-lo por Kirk Hammett. Os problemas envolvendo álcool, drogas, comportamento agressivo e conflitos internos pesaram na decisão.

Mustaine voltou para a Califórnia determinado a provar que seus antigos companheiros haviam cometido um erro.

Foi então que nasceu o Megadeth.

A banda se tornou uma das maiores forças do thrash metal mundial e passou a integrar o chamado “Big Four” do gênero ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax.

O detalhe mais interessante é que a expulsão não apagou a ligação de Mustaine com o Metallica. Algumas composições que ele ajudou a criar durante seu período na banda apareceram posteriormente no repertório do grupo.

Em outras palavras: a demissão criou uma das maiores rivalidades da história do metal.


3. Jimi Hendrix — Little Richard

Antes de se transformar em uma lenda mundial, Jimi Hendrix passou por uma série de bandas e acompanhou artistas importantes.

Entre eles estava Little Richard.

Hendrix chegou a tocar com a banda de Richard, mas acabou sendo dispensado. O motivo estava relacionado ao seu comportamento no palco e à maneira como sua personalidade musical começava a chamar atenção.

Para um guitarrista que ainda estava tentando encontrar seu próprio caminho, aquela saída poderia ter sido um golpe.

Na realidade, foi mais um passo em direção à liberdade artística.

Pouco depois, Hendrix se mudaria para a Inglaterra, onde formaria a Jimi Hendrix Experience com Noel Redding e Mitch Mitchell.

O resultado mudaria para sempre a história da guitarra elétrica.


4. Lemmy Kilmister — Hawkwind

Antes de fundar o Motörhead, Lemmy Kilmister era integrante do Hawkwind.

Sua passagem pela banda psicodélica britânica terminou de maneira turbulenta. Lemmy foi preso por posse de drogas no Canadá durante uma turnê, e a situação acabou contribuindo para sua saída do grupo.

Mas a demissão também foi o nascimento de algo muito maior.

De volta à Inglaterra, Lemmy decidiu criar uma nova banda. Nascia o Motörhead.

O projeto combinaria velocidade, peso e atitude punk de uma maneira que ajudaria a estabelecer as bases para o speed metal e influenciaria gerações de músicos.

A saída do Hawkwind não apenas libertou Lemmy artisticamente como colocou em movimento a criação de uma das bandas mais importantes do rock pesado.


5. Ronnie Radke — Escape The Fate

A história de Ronnie Radke é uma das mais controversas da lista.

O vocalista foi afastado do Escape The Fate em 2008, em meio a problemas legais e pessoais que haviam colocado a banda em uma situação complicada.

A saída poderia ter significado o fim de sua carreira.

Em vez disso, Radke criou o Falling In Reverse.

A nova banda conseguiu construir uma identidade própria e, com o passar dos anos, alcançou enorme popularidade, especialmente graças à mistura de metalcore, hard rock, rap e elementos eletrônicos.

O caso de Ronnie Radke mostra como uma ruptura pode transformar completamente a trajetória de um artista — para melhor ou para pior.


6. Sammy Hagar — Montrose

Antes de se tornar vocalista do Van Halen, Sammy Hagar já tinha uma carreira respeitável com o Montrose.

Hagar participou dos primeiros trabalhos da banda e ajudou a estabelecer sua identidade. No entanto, acabou deixando o grupo depois de conflitos e mudanças internas.

Sua carreira continuou crescendo.

Anos depois, Hagar entraria para o Van Halen, substituindo David Lee Roth.

O resultado foi “5150”, álbum que marcou a estreia de Hagar na banda e chegou ao primeiro lugar da parada americana.

Mais tarde, ele ainda construiria uma carreira solo extremamente bem-sucedida.

Ou seja: perder uma banda não impediu Sammy Hagar de chegar a uma das maiores bandas de rock do planeta.


7. Jeff Beck — The Yardbirds

Jeff Beck entrou para o The Yardbirds em 1965, substituindo Eric Clapton.

Sua passagem pela banda foi extremamente influente, ajudando a transformar o som do grupo e aproximá-lo de experiências mais psicodélicas e pesadas.

Mas Beck acabou sendo afastado da formação em 1966.

A saída não diminuiu sua importância. Muito pelo contrário.

Ele criou o Jeff Beck Group, trabalhou com músicos como Rod Stewart e Ronnie Wood e construiu uma carreira solo marcada pela constante reinvenção.

Sua trajetória posterior foi tão importante que Beck passou a ser reconhecido como um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos.


8. Courtney Love — Faith No More

Antes de se tornar mundialmente conhecida como líder do Hole e esposa de Kurt Cobain, Courtney Love teve uma breve passagem pelo Faith No More.

Ela chegou a integrar uma das primeiras formações da banda, mas acabou deixando o grupo.

A carreira de Love seguiria por outro caminho.

Com o Hole, ela se tornou uma das figuras mais importantes do rock alternativo dos anos 1990. O álbum “Live Through This”, lançado em 1994, tornou-se um dos trabalhos mais celebrados daquela década.

Sua trajetória mostra que nem sempre o projeto que você abandona — ou do qual é afastado — é necessariamente aquele em que está destinado a alcançar seu maior sucesso.


9. Michael Anthony — Van Halen

Michael Anthony passou décadas como baixista do Van Halen, contribuindo não apenas com suas linhas de baixo, mas também com os famosos vocais de apoio da banda.

Sua saída aconteceu em 2006, durante o período em que Eddie Van Halen e David Lee Roth estavam preparando o retorno da formação clássica.

Anthony acabou sendo substituído por Wolfgang Van Halen, filho de Eddie.

Apesar de deixar uma das bandas mais importantes da história do hard rock, Anthony continuou extremamente ativo.

Ele se juntou a Sammy Hagar em diferentes projetos, incluindo o Chickenfoot, e posteriormente participou de apresentações relacionadas ao legado do Van Halen.

Sua história é um lembrete de que, mesmo depois de décadas em uma banda gigantesca, um músico pode encontrar novos caminhos.


10. Mick Jones — Foreigner

Mick Jones foi o fundador, guitarrista e principal compositor do Foreigner.

Depois de décadas associado ao grupo, sua trajetória com a banda chegou ao fim em meio a mudanças na formação e problemas de saúde.

Embora sua situação seja diferente de alguns dos outros nomes desta lista, sua saída não apagou o impacto que teve na música.

Jones havia sido responsável por parte significativa do repertório que transformou o Foreigner em uma das bandas mais populares do rock de arena.

Sua carreira posterior foi mais discreta, mas seu legado permaneceu gigantesco.


Quando uma demissão vira o começo de outra história

O mais curioso nessas histórias é que nenhuma delas segue exatamente o mesmo roteiro.

Para Ozzy Osbourne, a saída do Black Sabbath abriu caminho para uma carreira solo monumental. Para Dave Mustaine, a expulsão do Metallica resultou na criação do Megadeth. Lemmy Kilmister transformou uma ruptura no Hawkwind no ponto de partida para o Motörhead, enquanto Jimi Hendrix passou por diferentes grupos antes de encontrar a liberdade necessária para se transformar em um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

Isso também mostra uma característica curiosa do rock: uma banda pode dispensar um músico acreditando que está encerrando um problema, enquanto involuntariamente está ajudando a criar seu próximo grande concorrente.

O caso de Metallica e Megadeth talvez seja o melhor exemplo disso. Dave Mustaine foi mandado embora em 1983, mas sua resposta foi criar uma banda que acabaria dividindo com o próprio Metallica o posto de uma das maiores representantes do thrash metal.

No fim, algumas demissões não encerram carreiras. Elas simplesmente mudam o rumo da história.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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