Os melhores álbuns + músicas de metal de cada ano dos anos 2000
Vamos voltar à primeira década do novo milênio para relembrar alguns dos melhores álbuns de rock e metal lançados em cada ano dos anos 2000.
Se os anos 1990 foram um período difícil para o heavy metal do ponto de vista comercial, além de terem apresentado uma queda na qualidade em relação a boa parte dos inovadores dos anos 1970 e 1980 — pelo menos daqueles que não se separaram —, os anos 2000 rapidamente devolveram confiança aos artistas veteranos e também revelaram uma nova geração de bandas que se tornariam futuras atrações principais dos grandes festivais.
A evolução continuou avançando, com o metalcore se consolidando como o maior fenômeno do gênero desde o thrash metal e a mistura entre diferentes estilos se tornando cada vez mais comum. O resultado foi uma aproximação entre grupos de fãs que anteriormente pareciam pertencer a lados completamente opostos do metal.
A década também foi marcada pela chamada New Wave of American Heavy Metal, movimento que incorporou muito mais do que apenas o metalcore. Do outro lado do Atlântico, os ainda jovens finlandeses do Children of Bodom avançavam com uma combinação impressionante de agressividade, velocidade e melodias de forte influência neoclássica.
À medida que os anos e décadas continuam nos afastando desse período, esses álbuns permanecem como uma lembrança de que os anos 2000 foram, de fato, uma das épocas mais empolgantes dos mais de 50 anos de história do metal.
A seguir, confira os destaques de cada ano entre 2000 e 2009.
2000: Iron Maiden — “Brave New World”
O Iron Maiden empolgou os fãs em 2000 ao lançar seu primeiro álbum desde o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith à banda. Os dois haviam ficado afastados durante um período que pareceu particularmente longo diante da queda enfrentada pelo grupo ao longo dos anos 1990.
“Brave New World” recuperou praticamente todas as características clássicas que fizeram do Iron Maiden uma das maiores bandas de metal de todos os tempos.
A faixa “The Wicker Man” apresentou imediatamente essa nova fase, enquanto “Ghost of the Navigator” demonstrou ser uma das músicas mais contagiantes do disco. O álbum também trouxe o single subestimado “Out of the Silent Planet”.
Em outros momentos, a banda continuou explorando seu lado progressivo em músicas como “Nomad” e na diferente, mas bem-vinda, “Dream of Mirrors”.
2001: Tool — “Lateralus”
Em 2001, o metal recebeu “Toxicity”, do System of a Down, e “Lateralus”, o terceiro álbum do Tool. Escolher entre os dois não é uma tarefa fácil, mas “Lateralus” leva uma pequena vantagem graças à sua psicodelia envolvente e ao rock progressivo mais acessível.
Conhecido por suas composições complexas, o Tool assumiu novos desafios no álbum, incorporando a sequência de Fibonacci às sílabas das letras e às assinaturas de tempo da faixa-título.
“Parabola” e “Schism” representam alguns dos pontos mais evidentes do disco, mas quem mergulha mais profundamente no álbum também encontra favoritas dos fãs, como a faixa de abertura “The Grudge” e as mudanças e reviravoltas de “Ticks & Leeches”.
2002: Agalloch — “The Mantle”
A beleza do black metal com influências folk apresentada pelo Agalloch precisou de algum tempo para ser plenamente reconhecida em uma escala maior, justamente quando uma nova era do black metal norte-americano começava a se desenvolver.
Ainda assim, “The Mantle” permanece como o melhor trabalho da banda, conectando uma grandiosidade expansiva a momentos quase hipnóticos encontrados em “In the Shadow of Our Pale Companion” e “…And the Great Cold Death of the Earth”.
Profundas e densas, as composições são desafiadoras, mas foram construídas de maneira a tornar a experiência de audição extremamente envolvente.
2003: Children of Bodom — “Hate Crew Deathroll”

“Hate Crew Deathroll” foi o último álbum do Children of Bodom a contar com sua formação clássica.
A banda começou a se afastar um pouco de seus elementos neoclássicos, entrando em um novo território no qual o foco no ritmo se tornou mais evidente.
Isso não significa, porém, que suas características melódicas tenham desaparecido. Muito pelo contrário. O disco apresenta “Bodom Beach Terror”, “Needled 24/7” e “Triple Corpse Hammer Blow”, todas construídas ao redor de momentos marcantes e fortemente melódicos.
“Sixpounder” e a balada — se é que podemos chamá-la assim — “Angels Don’t Kill” trouxeram riffs grandes e pesados para o repertório, algo que se tornaria uma característica cada vez mais importante da música do Children of Bodom nos anos seguintes.
2004: Mastodon — “Leviathan”
Combinando o peso rítmico de suas raízes mais próximas do hardcore com uma abordagem acelerada para o sludge metal, o Mastodon criou em “Leviathan” um dos discos definitivos de sua geração.
Enquanto o metalcore explodia naquele ano, o quarteto seguiu em uma direção completamente diferente, apresentando uma impressionante capacidade de construir riffs vertiginosos, como em “I Am Ahab”, que se tornariam uma das bases de seu estilo.
Ao lado deles estavam músicas mais arrastadas e pesadas, como “Blood and Thunder” e “Iron Tusk”. O resultado foi um álbum diversificado, mas extremamente coeso, algo que fica particularmente evidente na quase monumental “Hearts Alive”, com aproximadamente 14 minutos.
Toda essa aparente confusão sonora foi guiada pelo clássico romance épico de 1851 escrito por Herman Melville, “Moby Dick”.
2005: Opeth — “Ghost Reveries”
A criatividade de Mikael Åkerfeldt parecia não mostrar sinais de esgotamento. Depois do contraste entre a luz e a escuridão apresentado em “Deliverance” e “Damnation”, o músico avançou com outro trabalho ambicioso que consolidou ainda mais seu lugar entre os grandes nomes do metal progressivo.
“Ghost Reveries” é um clássico moderno que encontra o Opeth perseguindo algumas de suas composições mais cinematográficas.
O grupo combinou melodias profundas, ritmos dissonantes, teclados sombrios e sua capacidade característica de alternar momentos de intensidade e delicadeza em faixas como “Ghost of Perdition”, “Baying of the Hounds” e “The Grand Conjuration”.
2006: Mastodon — “Blood Mountain”
Depois do sucesso de “Leviathan”, o Mastodon começou a deixar suas raízes ligadas ao hardcore ainda mais para trás, em busca de um som simplesmente estranho, único e difícil de comparar com qualquer outra banda.
“Blood Mountain” é um álbum conceitual psicodélico sobre a escalada até o topo da montanha que dá nome ao disco em busca do crânio de cristal capaz de remover o cérebro reptiliano e revelar o próximo estágio da evolução humana.
Durante essa jornada, criaturas estranhas aparecem pelo caminho enquanto o Mastodon cria uma trilha sonora igualmente perturbadora para acompanhar a narrativa.
A banda alterna vocais limpos e agressivos em um verdadeiro estado de paranoia. Exagerado da melhor maneira possível, o álbum demonstrou a verdadeira capacidade musical do grupo.
2007: Between the Buried and Me — “Colors”
“Colors” é considerado a obra-prima do Between the Buried and Me, consolidando o afastamento da banda em relação aos seus contemporâneos do metalcore.
O título combina perfeitamente com a proposta, já que o álbum incorpora estilos musicais muito distantes do universo tradicional do rock e do metal.
Momentos de country e polca aparecem ao lado da complexidade técnica característica da banda, enquanto passagens cinematográficas inspiradas no Genesis funcionam como uma espécie de elemento de ligação entre as diferentes partes das músicas.
As mudanças constantes podem parecer desconexas para quem está ouvindo pela primeira vez, mas fazem parte da experiência proposta pelo grupo.
Para quem procura uma verdadeira jornada musical, faixas como “Ants of the Sky”, “White Walls” e “Sun of Nothing” são pontos obrigatórios.
2008: Meshuggah — “obZen”
Poucas bandas conseguem alcançar seu verdadeiro momento de explosão comercial apenas no sexto álbum, mas foi exatamente isso que aconteceu com o Meshuggah.
Dezessete anos depois da estreia da banda, o mundo finalmente começou a prestar atenção de maneira mais ampla ao estilo polirrítmico que os suecos ajudaram a desenvolver.
O disco começa com a envolvente “Combustion”, uma música que apresenta características diferentes de praticamente qualquer outra faixa do catálogo da banda.
Na sequência, o Meshuggah reafirma seu domínio sobre as estruturas polirrítmicas que ajudou a popularizar, chegando à insanidade técnica de “Bleed”.
A música transformou o baterista Tomas Haake em uma espécie de divindade da bateria, e, tantos anos depois, fãs continuam impressionados com sua performance na faixa.
2009: Mastodon — “Crack the Skye”
À medida que a popularidade do Mastodon continuava crescendo, a banda se afastou dos momentos mais imprevisíveis e completamente selvagens de “Blood Mountain” para construir um novo conceito, desta vez com uma presença ainda mais concentrada do metal progressivo.
E, como de costume, a história era ainda mais maluca.
O efeito caleidoscópico do disco aparece desde os primeiros momentos de “Oblivion”, faixa mística que conduz o ouvinte por todo o álbum.
Em seguida, o grupo apresenta desvios mais pesados em “Divinations” e momentos de psicodelia pura em “Ghost of Karelia”.
“Crack the Skye” encerrou a primeira década do novo milênio demonstrando que o Mastodon havia se transformado em uma das forças criativas mais importantes do metal moderno.
As melhores músicas de metal de cada ano dos anos 2000
2000: Iron Maiden, “The Wicker Man” — “Brave New World”
Vice-campeã: Vader, “Wings”
Depois de uma turbulenta passagem pelos anos 1990, o Iron Maiden rapidamente recuperou seu prestígio quando Bruce Dickinson e Adrian Smith retornaram à banda. O grupo decidiu manter Janick Gers, que havia substituído Smith, formando assim um ataque de três guitarras.
Com a formação clássica novamente reunida, os fãs se perguntavam como o novo material se sairia diante dos clássicos da banda.
A resposta foi: muito bem.
Isso ficou evidente com “The Wicker Man”, primeiro single de “Brave New World”.
Enérgica e repleta de melodias, a faixa foi a faísca que deu início à impressionante trajetória do Iron Maiden no século XXI.
— Joe DiVita
2001: Tool, “Lateralus” — “Lateralus”
Vice-campeã: System of a Down, “Aerials”
O culto ao Tool não existiria sem “Lateralus”. Além de possuir um riff principal, andamento e composição impressionantes, a música foi abraçada pelos fãs como uma espécie de verdadeiro guia de autoajuda para enfrentar as reviravoltas da vida.
Graças ao enorme impacto causado pela faixa, a expressão “spiral out” se tornou praticamente um termo universal entre os fãs para incentivar uns aos outros a continuar seguindo em frente diante das adversidades.
Conseguir afetar os fãs de maneira tão profunda por meio de uma música é a maior realização que uma banda pode alcançar.
— Graham Hartmann
2002: Meshuggah, “Rational Gaze” — “Nothing”
Vice-campeã: Mastodon, “March of the Fire Ants”
Como um besouro que, de acordo com as leis tradicionais da física, não deveria ser capaz de voar, o sueco Meshuggah conseguiu fazer com que seus compassos desalinhados e suas guitarras atonais e afinadas em tons extremamente baixos fossem abraçados por um número surpreendente de fãs e críticos de metal.
Mas esse sucesso não aconteceu da noite para o dia. O grupo passou mais de uma década desenvolvendo seu estilo pouco convencional, entre o álbum de estreia, “Contradictions Collapse”, de 1991, e seu auge comercial com “Nothing”, de 2002.
“Rational Gaze” é um dos melhores momentos da carreira do Meshuggah e o grande destaque de “Nothing”.
— Ed Rivadavia
2003: Dimmu Borgir, “Progenies of the Great Apocalypse” — “Death Cult Armageddon”
Vice-campeã: Children of Bodom, “Needled 24/7”
Sério… quantos filmes e programas de televisão já utilizaram “Progenies of the Great Apocalypse” em suas trilhas sonoras?
A obra-prima do Dimmu Borgir apresenta aquela que pode ser considerada a maior peça orquestral já composta para uma música de metal, executada pela Orquestra Filarmônica de Praga.
A faixa de black metal experimental vai muito além do simples estilo congelante apresentado pelos antecessores do Dimmu Borgir, apostando em uma produção grandiosa e em uma quantidade praticamente ilimitada de camadas instrumentais.
A combinação entre os diferentes estilos vocais de Shagrath e ICS Vortex também é inesquecível, representando mais um salto na evolução do black metal do século XXI.
— Graham Hartmann
2004: Killswitch Engage, “The End of Heartache” — “The End of Heartache”
Vice-campeã: Mastodon, “Blood and Thunder”
O Killswitch Engage, de Massachusetts, havia definido o subgênero do metalcore melódico com o clássico absoluto “Alive or Just Breathing”, de 2002.
Então, seu vocalista, Jesse Leach, deixou a banda praticamente sem aviso, colocando o futuro do grupo em dúvida.
Felizmente, o Killswitch Engage rapidamente se recuperou como atração ao vivo com seu novo vocalista, Howard Jones.
A banda provou que não havia sido apenas um fenômeno passageiro e, na verdade, que era uma verdadeira líder da próxima geração de bandas de metal norte-americanas em seu álbum seguinte, “The End of Heartache”.
A faixa-título foi o grande destaque do disco.
— Ed Rivadavia
2005: Opeth, “Ghost of Perdition” — “Ghost Reveries”
Vice-campeã: System of a Down, “BYOB”
Absolutamente imparável no final dos anos 1990 e durante os anos 2000, o Opeth deixou os fãs impressionados com “Ghost of Perdition”, faixa de abertura do aclamado “Ghost Reveries”.
Com mais de dez minutos de duração, “Ghost of Perdition” apresenta alguns dos melhores momentos dos vocais limpos e guturais de Mikael Åkerfeldt, enquanto toda a parte instrumental demonstra os sofisticados recursos progressivos da banda.
Nenhuma banda de death metal compõe da mesma maneira que o Opeth, e “Ghost of Perdition” é um golpe direto contra qualquer grupo que ouse tentar superar Åkerfeldt e seus companheiros.
— Graham Hartmann
2006: Lamb of God, “Redneck” — “Sacrament”
Vice-campeã: Cannibal Corpse, “Make Them Suffer”
Como diz o primeiro verso da própria música, é “tão fácil pra caralho escrever isso”.
Depois de realmente explodir em 2004 com “Ashes of the Wake”, o Lamb of God conquistou ainda mais reconhecimento com “Sacrament”, consolidando sua posição como uma das bandas novas mais importantes dos anos 2000.
“Redneck” se tornou um verdadeiro clássico da carreira do grupo, mesmo que o verso “this is a motherfucking invitation” possa soar um tanto cafona.
Como grito de guerra e música para levantar os punhos e cantar junto, a faixa funciona como uma mensagem de dedo do meio irreverente e pode ser vista como uma espécie de sucessora espiritual de “5 Minutes Alone”, do Pantera.
— Joe DiVita
2007: The Dillinger Escape Plan, “Milk Lizard” — “Ire Works”
Vice-campeã: Machine Head, “Aesthetics of Hate”
Quando o The Dillinger Escape Plan gravou seu terceiro álbum de estúdio, “Ire Works”, o guitarrista Brian Benoit havia sofrido danos nos nervos da mão esquerda, o que o deixou incapaz de tocar.
Em vez de contratar um substituto, o outro guitarrista da banda, Ben Weinman, assumiu a responsabilidade e passou a desempenhar uma função dupla.
Isso levou o grupo a experimentar ainda mais, incorporando instrumentos não tradicionais dentro do metal, como violoncelos, violinos e trompetes — sendo estes últimos utilizados em “Milk Lizard”.
Mesmo com a inclusão de metais e piano, “Milk Lizard” continua sendo uma faixa implacável e violenta.
— Katy Irizarry
2008: Meshuggah, “Bleed” — “obZen”
Vice-campeã: Slipknot, “Psychosocial”
Com provavelmente o maior polirritmo da história do metal servindo como sua espinha dorsal, “Bleed” destrói como poucas músicas conseguiram fazer.
Um simples groove com bends, acompanhado por uma produção digital impressionantemente pesada, atinge com precisão cirúrgica enquanto a bateria absurda de Tomas Haake sustenta os vocais guturais e frios de Jens Kidman, levando “Bleed” adiante durante seus devastadores sete minutos.
O Meshuggah inspirou inúmeros imitadores, mas nenhuma banda consegue alcançar a amplitude apocalíptica e filosófica de “Bleed”, que permanecerá para sempre como uma das músicas mais pesadas já concebidas.
Se você consegue tocar essa música na bateria, alcançou um nível realmente impressionante de habilidade.
Afinal, Tomas Haake levou tanto tempo para dominar “Bleed” quanto precisou para aprender todas as outras faixas de “obZen” juntas.
— Graham Hartmann
2009: Mastodon, “Oblivion” — “Crack the Skye”
Vice-campeã: Obscura, “The Anticosmic Overload”
O Mastodon já havia lançado dois álbuns conceituais agressivos quando chegou ao seu quarto trabalho de estúdio.
Embora os discos anteriores fossem fortes, eles não eram tão coesos e cinematográficos quanto “Crack the Skye”.
“Oblivion”, faixa de abertura do álbum, estabelece o cenário com uma introdução atmosférica que gradualmente evolui para uma série de riffs pouco convencionais, unidos pela bateria precisa de Brann Dailor e pelos vocais melódicos, porém desesperados.
A música soa como uma combinação entre o Rush dos primeiros anos e o Pink Floyd, evoluindo por meio de uma série de passagens estranhas, mas marcantes.
Uma década que mudou o metal
Os anos 2000 foram fundamentais para a evolução do metal. Ao mesmo tempo em que nomes históricos como Iron Maiden recuperavam sua força, bandas como Tool, Mastodon, Opeth, Meshuggah, Agalloch, Children of Bodom e Between the Buried and Me expandiam os limites do gênero.
A década também ajudou a transformar o metalcore em uma das vertentes mais populares do estilo e tornou cada vez mais comum a mistura de elementos que antes pertenciam a universos musicais completamente diferentes.
Mais de uma década depois, esses discos continuam funcionando como retratos de uma época em que o metal encontrou novas maneiras de evoluir sem abandonar sua identidade.
