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Alice Cooper revela o que o faria abandonar o rock após 60 anos de carreira

Alice Cooper voltou a falar sobre aposentadoria e deixou claro que, apesar dos 78 anos completados em fevereiro, não pensa em abandonar os palcos tão cedo. Para o músico, existe apenas uma condição capaz de fazê-lo parar: não conseguir mais entregar a mesma energia que marcou suas apresentações ao longo das décadas.

A explicação está diretamente ligada ao personagem que Cooper criou para os palcos. Segundo o cantor, Alice Cooper não envelhece porque é uma figura fictícia. Por isso, ele acredita que precisa manter a mesma presença física e teatral que apresentou desde os anos 1970.

“É claro que Alice é um personagem fictício, então ele não tem idade. Não sei quantos anos Alice tem, mas, no palco, ele tem a mesma idade que tinha em 1973. E, se algum dia eu parecer diferente, se eu ganhar 45 quilos, eu nunca mais interpretaria Alice.”

Cooper também explicou que não pretende continuar se apresentando caso não consiga entregar um espetáculo à altura de sua própria história. Para ele, simplesmente subir ao palco e cumprir o roteiro não faria sentido.

“Se eu não conseguir fazer o show com a mesma energia que tinha naquela época, será a mesma coisa. Eu nunca vou fazer isso de qualquer jeito, porque então não seria mais Alice. Certamente não vou estar em um navio de cruzeiro cantando ‘I’m Eighteen’ e dizendo: ‘Eu tenho 80 anos e não consigo encontrar meus sapatos’.”

A postura reforça algo que Cooper vem dizendo há anos. O cantor não enxerga a aposentadoria como uma meta e acredita que continuará trabalhando enquanto tiver condições físicas de oferecer o espetáculo que espera de si mesmo.

Alice Cooper não pensa em abandonar os palcos

O músico também colocou sua carreira ao lado de outros veteranos do rock que continuam na estrada, como Paul McCartney, The Rolling Stones e Rod Stewart.

“Os roqueiros de hoje — Paul McCartney, os Stones, Rod Stewart — nós fomos feitos para isso. E vamos continuar fazendo até não conseguirmos mais, porque não consigo imaginar um trabalho melhor.”

A declaração combina com a rotina atual de Cooper. O cantor continua mantendo uma agenda intensa de shows e não demonstra sinais de que pretende diminuir o ritmo.

No início deste ano, ele anunciou a turnê Alice’s Attic, com 19 apresentações pelos Estados Unidos. A excursão começou em 14 de abril, no Majestic Theatre, em San Antonio, no Texas.

O nome da turnê veio do programa de rádio apresentado por Cooper e trouxe ao palco a produção que o artista havia apresentado no ano anterior durante sua turnê conjunta com o Judas Priest.

Na época do anúncio, Cooper resumiu sua relação com as apresentações ao vivo de maneira direta:

“Fazer turnês, para mim, é simplesmente parte da vida. Estou em turnê desde os 16 anos. Agora tenho 77 e acho que estou fazendo meus melhores shows.”

Turnês, livro e 43 anos de sobriedade

A agenda de Alice Cooper permanece movimentada também fora dos palcos. O músico prepara o lançamento de sua autobiografia, Devil on My Shoulder, prevista para 8 de outubro.

A divulgação do livro inclui uma turnê pelo Reino Unido, que começa em 11 de outubro, em Cardiff. O artista terá convidados especiais como anfitriões em cada uma das datas.

Depois disso, a próxima etapa da turnê Alice’s Attic está programada para começar em 27 de outubro, no Ruth Eckerd Hall, em Clearwater, na Flórida.

A autobiografia também aborda um dos períodos mais difíceis da vida do cantor. Cooper relembra seus problemas com drogas e a dependência de crack, que quase lhe custou a vida no início dos anos 1980.

O músico está sóbrio desde 1983. São 43 anos de recuperação que acompanham uma carreira marcada por transformações, personagens, grandes espetáculos e uma presença constante no rock.

Foto: Thamiris Sartori (@tsartoriphotos)

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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