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Milo Silvestro diz que buscou soar “o máximo possível” como Burton C. Bell no Fear Factory

O novo vocalista do Fear Factory, Milo Silvestro, revelou que estudou deliberadamente o estilo de Burton C. Bell para assumir os vocais do próximo álbum da banda. Em entrevista ao Impact Metal Channel, o músico explicou que sua intenção foi preservar a identidade construída pelo antigo vocalista, considerado uma das principais marcas sonoras do grupo.

Silvestro também falou sobre a formação atual, a direção musical do novo disco e as influências eletrônicas que pretende incorporar às apresentações.

Novo Fear Factory terá 10 músicas

De acordo com Silvestro, o próximo álbum do Fear Factory deverá ter aproximadamente dez faixas. O músico também reconheceu que assumir a função de vocalista em uma formação renovada representa um desafio, especialmente diante da importância que os fãs atribuem à voz dentro da identidade da banda.

“O novo álbum deve ter dez músicas. E ter um novo vocalista, sem falar em uma nova formação… Quero dizer, Tony [Campos, baixista do Fear Factory] está na banda há alguns anos, apesar de ter existido um intervalo por causa do processo judicial, mas ele está na banda desde 2015, 2014. Mas Pete também é um novo baterista. Eu sou o novo vocalista.”

Silvestro acredita que a mudança pode ser difícil de assimilar para parte do público, principalmente para os fãs mais resistentes às alterações na formação. Por isso, ele e o guitarrista Dino Cazares decidiram manter uma ligação forte com a sonoridade tradicional do Fear Factory.

“Então, nem sempre é fácil para os fãs, especialmente os mais céticos, aceitarem uma nova formação, principalmente com um novo vocalista, porque, por alguma razão, as pessoas sempre pensam que um vocalista, particularmente, é como se fosse a alma da banda. Então, nem sempre é fácil para os fãs assimilarem isso. Essa mudança já foi significativa e enorme, então nós propositalmente tentamos permanecer dentro do universo sonoro do Fear Factory, mantendo esse som.”

Milo Silvestro estudou Burton C. Bell

A semelhança entre a voz de Silvestro e a de Burton C. Bell já havia chamado a atenção dos fãs desde a estreia do novo vocalista. Agora, ele confirmou que a aproximação não aconteceu por acaso.

O italiano explicou que sempre foi influenciado por Bell e que, depois de entrar no Fear Factory, aprofundou ainda mais seus estudos sobre a maneira como o antigo vocalista utilizava diferentes timbres e técnicas.

“É claro que, como muitas pessoas perceberam [ao ouvir ‘Roboticist’ e ver o Fear Factory ao vivo], tanto os críticos quanto os fãs e aqueles que nos apoiam, eu tentei soar o máximo possível como o vocalista original, Burton C. Bell. Acho que essa banda… Para mim, como também sou fã da banda, ela não poderia soar de outra maneira, porque o Burt foi um vocalista tão icônico. Não acho que exista outro vocalista no mundo que soe como ele ou que tenha soado como ele, tanto nos vocais agressivos quanto nos vocais limpos.”

Silvestro também destacou o papel pioneiro de Bell ao combinar vocais agressivos e melódicos dentro da sonoridade industrial do Fear Factory.

“Ele foi o pioneiro do estilo que combina vocais agressivos e vocais melódicos. E o timbre agressivo e o timbre limpo dele eram tão identificáveis. Então, eu e Dino [Cazares, guitarrista fundador do Fear Factory] nunca sentimos que deveríamos mudar isso.”

O novo vocalista explicou ainda que sua própria aproximação com o estilo de Bell foi um dos motivos que despertaram o interesse de Cazares.

“Uma das razões pelas quais o Dino se interessou por mim como vocalista é porque eu era tão influenciado vocalmente pelo Burton C. Bell que já era natural para mim soar como ele. Não é nem que eu tentasse soar como ele; isso simplesmente acontece naturalmente. Mas, quando fui contratado pelo Fear Factory, estudei ainda mais o estilo dele, o som dele e até suas nuances, para homenagear ainda mais seu som e oferecer aos fãs o verdadeiro som vocal do Fear Factory, o mais próximo possível.”

Novo álbum terá clima de Mechanize e Genexus

Apesar da intenção de preservar a identidade clássica do grupo, Silvestro garante que o próximo trabalho não será simplesmente uma repetição do passado.

Segundo ele, o álbum terá elementos associados a “Mechanize”, “The Industrialist” e “Genexus”, mas também apresentará algumas novidades.

“Estou dizendo isso apenas para explicar que o disco, nos vocais, nas guitarras e em tudo, vai soar como o Fear Factory moderno clássico. Então, definitivamente diria que, para mim, ele tem muita vibração de ‘Mechanize’, ‘Genexus’ e ‘The Industrialist’. Mas também existem alguns elementos modernos, inovadores ou novos aqui e ali.”

O músico usou uma comparação com a culinária italiana para explicar a proposta do grupo: manter a receita tradicional, mas acrescentar pequenos elementos diferentes.

“Nós tentamos colocar esses elementos de uma maneira que você não vai mudar… É como um prato. Sou italiano, então sempre vou fazer uma comparação com massa. É a mesma receita de massa, mas existe uma pequena pitada de um queijo diferente.”

Vocalista levará influência eletrônica para o Fear Factory

Além dos vocais, Silvestro pretende incorporar ao Fear Factory sua experiência com música eletrônica, sintetizadores e vocoders.

O músico possui experiência anterior com o projeto Dead Channel, fundado por ele em Roma, no qual trabalha com vocais processados e elementos eletrônicos.

“Então, trouxe minha influência não apenas como vocalista, mas também como alguém obcecado por efeitos e por modificá-los, porque também venho da música eletrônica e do turntablism. Quero dizer, não existem toca-discos aqui, mas estou dizendo que venho desse universo — sintetizadores, vocoders. Na minha outra banda, que tenho em Roma, Dead Channel, que fundei anos atrás, sempre fiz vocoder ao vivo, meio como o Kraftwerk. Vocoders, para quem não sabe, são como um processo de um sintetizador que faz sua voz funcionar como um filtro para o sintetizador.”

Ele explicou como pretende utilizar a tecnologia nas novas músicas e apresentações.

“Então, o som sai do sintetizador, mas sua voz funciona como um filtro, fazendo o sintetizador falar. Você pode criar harmonias e outras coisas. Sempre fui apaixonado por isso. Então, trouxe um pouco disso. Existem algumas partes com vocoder no novo álbum. A nova música ‘Roboticist’ também tem partes com vocoder, então pensei: ‘Por que não tocar isso ao vivo?’. Porque, como os fãs já sabem, gosto de reproduzir ao vivo todos os efeitos vocais e faço a maioria deles sozinho.”

“Roboticist” apresenta nova formação

A nova fase do Fear Factory começou oficialmente com o lançamento de “Roboticist”, em 29 de agosto, pela Nuclear Blast.

A música é a primeira gravação da atual formação, composta por Milo Silvestro, Pete Webber, Tony Campos e Dino Cazares. O single estreou no programa Liquid Metal, da SiriusXM, e também ganhou um videoclipe.

O próximo trabalho será o 11º álbum de estúdio do Fear Factory. Cazares confirmou que, pela primeira vez, Tony Campos ficou responsável por todas as partes de baixo gravadas em estúdio.

A previsão é que o disco seja lançado nos primeiros meses de 2027.

A atual formação surgiu depois de um longo período marcado por conflitos judiciais envolvendo antigos integrantes. Christian Olde Wolbers e Raymond Herrera entraram com processos relacionados a valores não pagos, situação que posteriormente levou a processos de falência e afetou também a participação de Burton C. Bell na marca Fear Factory.

Cazares afirmou que venceu seu processo contra os antigos integrantes, enquanto Bell perdeu a disputa e foi condenado a pagar US$ 1 milhão.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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