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Sevendust muda o jogo em “One”, mas continua acertando

Durante a primeira onda do nu-metal na década de 1990, diversas bandas se tornaram verdadeiros fenômenos. Korn, Limp Bizkit, Slipknot, Deftones, System of a Down viraram os carros-chefes do estilo e hoje lotam arenas pelo mundo; são atrações principais em festivais gigantes e têm números expressivos de reproduções nas plataformas.

Mas fora desse círculo maior, outras bandas corriam ainda que não tivessem a mesma visibilidade dos contemporâneos, e um desses nomes era o Sevendust. Banda que conta com Lajon Witherspoon (Vocal), Clint Lowery, (guitarra solo e vocais de apoio), John Connolly (guitarra rítmica e vocais de apoio), Vinnie Hornsby (baixo) e Morgan Rose (bateria e vocais de apoio) e de forma alguma, o grupo deveu aos nomes maiores, inclusive, tendo algumas qualidades além de alguns exemplares da prateleira mais alta.

Mas, ao longo dos anos, mais e mais reconhecimento o Sevendust foi ganhando e, hoje, tem adeptos ao seu som pelos quatro cantos do mundo, e boa parte disso é um trabalho de uma banda que não tem medo de arriscar nem de inovar e mudar. Não estamos mais nos anos 90, e eles entenderam e não se prenderam em fórmulas para tentar replicar de novo e de novo aquilo que fizeram e que já esteve em hype num período. E isso fica bem evidente em “One“, seu mais recente álbum, que chega pela Napalm Records, com distribuição no Brasil pela Shinigami Records.

Os traços que fizeram a banda conhecida estão lá e lógico que a veia inicial também está lá. A faixa título que abre o registro mostra isso. As guitarras abafadas e quebradas surgem em riffs cadenciados e “One” traz um refrão melódico e pegajoso, marca registrada do Sevendust e do belo trabalho vocal que Lajon sempre empenha nos seus registros. Já “Unbreakable” muda a proposta e traz algo mais linear, mais brando e, mais uma vez, a melodia vocal explode nos ouvidos de forma “saborosa” e cria uma das melhores faixas do disco. “Is This the Real You” já muda mais uma vez a rota e aposta em algo mais groovado e com melodias radiofônicas incríveis. Aqui, o destaque vai para Rose que faz um trabalho impecável com as baquetas e dita o ritmo do andamento e, não à toa, esse cara é um dos maiores bateristas do movimento nu-metal. “Threshold” ainda tem tempo de se movimentar em outra direção e busca caminhos novos que mesclam peso e melodia na dose certa, criando uma música bem carismática.

We Won” traz um bom solo e boas melodias e da segunda metade em diante temos “Construct“, pesada, com bons efeitos de guitarras e boas linhas da bateria e a agressiva “Blood Price“, que mescla momentos mais densos com outros mais brandos e com equilíbrio na medida certa como deve ser.

Mesmo mudando o jogo, o que se espera de um disco do Sevendust, eles acertam e conseguem adentrar um terreno que dominam muito bem e entregam um trabalho digno de sua história. Com amadurecimento e firmeza no que estão fazendo, é uma boa pedida para uma audição cheia de qualidades em 2026.

Marcio Machado

Formado em História pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Fundador e editor do Confere Só, que começou como um perfil do instagram em 2020, para em 2022 se expandir para um site. Ouvinte de rock/metal desde os 15 anos, nunca foi suficiente só ouvir aquela música, mas era preciso debater sobre, destrinchar a obra, daí surgiu a vontade de escrever que foi crescendo e chegando a lugares como o Whiplash, Headbangers Brasil, Headbangers News, 80 Minutos, Gaveta de Bagunças e outros, até ter sua própria casa!

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