Resenha: Knosis – “Genknosis” (2025)
Na cena metalcore, há poucos frontmen tão conhecidos e queridos quanto Ryo Kinoshita. Kinoshita ficou conhecido por seu envolvimento na popular banda japonesa de metalcore Crystal Lake, que ganhou reconhecimento mundial por sua mistura magistral de riffs pesados de metalcore e breakdowns sobre melodias progressivas grandiosas, potencializadas ainda mais pela força impressionante da voz de Kinoshita. Infelizmente, devido ao desgaste mental e físico, além das constantes turnês internacionais, Kinoshita deixou a banda em 2021 para focar em sua saúde por um tempo antes de finalmente formar seu projeto atual, Knosis, no final de 2022, que agora lança seu álbum de estreia, “Genknosis”.
“Genknosis” mostra a banda focando muito mais no lado experimental das capacidades de composição de Kinoshita. Cada música do álbum favorece mais os elementos nu metal presentes em faixas do Crystal Lake, como “+81” e “Just Confusing”. Ecos dos refrões melódicos de “Sanctuary” e “Waves” também estão presentes, indicando que “Genknosis” foi pensado como uma iteração mais exploratória na curta discografia do Knosis.
Esse foco maior no lado mais experimental do som que Kinoshita vem cultivando em sua carreira não é necessariamente algo ruim, mas evidencia algumas falhas na forma como a banda escreveu as músicas para este álbum. Pegando, por exemplo, a primeira faixa completa, “SHINMON”. Ela começa com uma seção pesada que continua a partir da introdução homônima e, embora sua intensidade faça o álbum começar de maneira empolgante, esse impulso é imediatamente perdido no meio da música quando tudo fica silencioso por um instante e retorna com um refrão bastante sem graça sobre uma base melódica que se estende até o final. Infelizmente, nem mesmo as músicas com participações especiais, como “FUHAI”, escapam dessa perda de velocidade, já que tudo novamente começa com uma batida em estilo nu metal convincente, que logo muda para um breakdown brutal antes de voltar a uma parte nu metal com elementos eletrônicos. Essa tendência de construir impulso em uma parte da música apenas para mudar para um som diferente que prejudica as partes mais interessantes se repete ao longo do álbum, deixando o ouvinte imaginando o que poderia ter sido caso a banda tivesse dedicado mais tempo para escrever um disco coeso, ainda que isso seja uma característica do estilo.
Nem todos os aspectos do álbum sofrem com essa forma pouco ortodoxa de composição, já que “Genknosis” atinge seu melhor quando as músicas permanecem em um extremo sonoro, em vez de tentar juntar estilos diferentes em faixas inchadas e pouco interessantes. “YAKUSAI” mostra a banda mantendo-se majoritariamente no lado mais pesado do nu metalcore durante quase toda sua duração, com exceção de um breve refrão próximo ao final. Quando o Knosis decide manter o foco em uma única direção, eles conseguem compor músicas que prendem a atenção do ouvinte do início ao fim. Até mesmo “IMIONI” aposta em uma sonoridade mais chill com rap, que, em comparação com outros momentos, mantém o interesse do público em vez de entediá-lo com excesso de estímulos.
Apesar desses “escorregões” do álbum, vale mencionar que não há músicas ruins em “Genknosis”. Cada faixa possui ao menos uma parte genuinamente interessante que mostra que a banda é formada por compositores competentes. No entanto, parece que o Knosis tentou demais se destacar no concorrido cenário do metalcore moderno, colocando elementos demais em cada música, de modo que nenhuma parte tem tempo suficiente para causar um impacto duradouro.
Embora “Genknosis”, lançado pela Sharptone Records e distribuído no Brasil pela Shinigami Records, seja um álbum com potencial, a falta de polimento na composição acaba prejudicando o que poderia ter sido um grande acerto para uma banda do calibre de Ryo Kinoshita. Ainda assim vale a pena a conferida.
NOTA: 7
